O Instituto Brasileiro de Tecnologia dos Calçados, Couros e Afins (Ibetec), que substituiu o antigo Centro de Tecnologia de Couros, Calçados e Afins (CTCCA), venceu uma concorrência nacional para receber R$ 1,5 milhão, no período de dois anos, em recursos originários da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do governo federal. Os valores serão destinados ao aparelhamento dos laboratórios da instituição, a única do País com crédito internacional para ensaios físico-químicos capazes de atender à legislação da União Européia quanto à presença de substâncias restritas, tanto no couro acabado como nos artefatos. O projeto também conta com aporte de um grupo de fabricantes de calçados brasileiros com presença no mercado exterior. Desse total, o montante de aproximadamente RS$ 900 mil será alocado diretamente na aquisição de equipamentos de última geração em química analítica, notadamente cromatógrafos gasoso e líquido, um espectrofotômetro para a faixa do ultravioleta, outro de absorção atômica, um espectrofotômetro para a região do infravermelho, um ultrapurificador de água, computadores, reagentes, colunas de destilação, autoclave, microscópio óptico, normas, livros técnicos, softwares, móveis, instalação e climatização dos equipamentos. O projeto é denominado Modernit, por se caracterizar numa modernização das instalações existentes no Ibetec.
Atualmente, os curtumes e empresas fabricantes de calçados brasileiros são obrigados a realizar no exterior testes para determinar o volume de cromo VI e de entaclorofenol.
Ele está à frente de um novo empreendimento denominado projeto Brashoes, que consiste na montagem de uma fábrica conceitual, bancada por um grupo de fabricantes de calçados, com o objetivo de mudar completamente o perfil do beneficiamento de couro e a fabricação de calçados no Brasil. “No projeto Brashoes vamos utilizar o Ibetec, que é credenciado pela ABNT, Inmetro e a Satra, o organismo internacional de certificação da qualidade para couros e artefatos”, adianta o consultor. Segundo Bello, as possibilidades de o País produzir sapatos de baixo valor agregado para competir com os produtos chineses no mercado externo ou interno estão esgotadas. A partir de agora, os empresários precisam confeccionar sapatos sofisticados, na casa dos US$ 500,00 (preço final) por par, com foco total no mercado internacional. É a forma capaz de salvar a indústria brasileira coureiro-calçadista.
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