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PETROQUÍMICA
Pernambuco ficou com o complexo PTA/PET |
Pernambuco levou a melhor: ficou com a fábrica de 480 milhões de dólares e 550 mil t/ano de ácido tereftálico purificado (PTA), a matéria-prima que há pelo menos cinco anos os baianos queriam que fosse produzida no 2o Pólo, para possibilitar importantes desdobramentos na indústria local previstos na estratégia de desenvolvimento do Estado. Gestores públicos, empresários e técnicos da Bahia viam também na fábrica de PTA a oportunidade de superar a paralisia no 2o Pólo, que se ressente do que chamam de novos projetos estruturantes. Restou um consolo: a promessa de que em 2009 uma segunda fábrica começará a ser construída, esta na Bahia.
Em Pernambuco, a fábrica será construída no Complexo Industrial e Portuário de Suape, e quem construirá é a Companhia Integrada Têxtil do Nordeste (Citene), recém-formada sociedade da Petroquisa, dona de 50% do capital votante, e de três produtoras têxteis que se consorciaram para subscrever a outra metade: Vicunha (40%); Polienka (30%) e FIT (30%). Um possível terceiro sócio está sendo esperado, revela o presidente da Citene, Pedro Luiz Cerry.
Até setembro, o canteiro deverá estar pronto para o começo das obras civis. A fase atual é a da seleção da tecnologia e do começo de terraplenagem, revela Pedro Cerry. É ele quem anuncia que haverá a segunda fábrica, na Bahia. Sempre foi considerada a necessidade de duas fábricas, assegura. O presidente da Petrobrás, o baiano José Sérgio Gabrielli, confirmou, em recente evento. Na Bahia, as autoridades duvidam, acham que não há tanto mercado.
Das 550 mil t/ano de PTA, 390 mil t/ano, no grau embalagem, o grau garrafa, serão destinadas à fábrica de 450 mil t/ano de poliéster que a italiana Mossi Gissolfhi (MG) está construindo em Pernambuco, também no Complexo de Suape. Será a maior fábrica do ramo no mundo e situará o grupo MG como líder mundial na produção deste poliéster. O poliéster grau embalagem supre a produção das pré-formas; as garrafinhas; que mediante sopro são expandidas, transformadas nas garrafas, o que ocorre geralmente nas próprias fábricas que produzem e engarrafam refrigerantes.
As restantes 160 mil t/ano, estas no grau têxtil, serão destinadas a uma divisão da própria Citene, que as transformará em 180 mil t/ano da matéria-prima intermediária requerida em empresas de tecelagem e malha-ria, o filamento conhecido como POY (polyester oriented yarn). A produção destas empresas suprirá de malhas e tecidos planos as 15 mil empresas de confecções de Pernambuco (vestuário, cama, mesa etc).
Na Bahia, a expectativa indicava que a Petroquisa construiria a fábrica de PTA em associação com a Braskem e o grupo turco Sabanci, que comprou duas fábricas no 2o Pólo: a Companhia Baiana de Fibras (Cobafi) e a divisão local da DuPont, produtoras de fibras e artefatos de náilon e poliéster. Dois dirigentes da Braskem, o presidente José Carlos Gubrisichi e o vice-presidente de Relações Institucionais, Alexandrini Alencar, declararam, em diferentes ocasiões, depois que a construção da fábrica em Pernambuco foi anunciada, que a Braskem continua empenhada em construir a fábrica. Estamos na fase de estudo e escolha de sócios e tecnologia, revelou recentemente Alexandrino. Na teleconferência ocorrida em Salvador para anunciar o desfecho das negociações que resultaram na compra da Politeno, Gubrisichi se referiu quatro vezes ao empenho de sua empresa em construir a fábrica de PTA.
Devido aos planos do Grupo Sabanci de se expandir no Brasil, além dos graus embalagem e têxtil, seria produzido o grau industrial, matéria-prima de fios de alta tenacidade exigidos na produção de bandagens e lonas presentes em pneus. A diferença entre os graus é expressa nos diferentes pesos moleculares; o industrial, mais pesado; e o têxtil, mais leve.
Na Bahia, o grau garrafa substituiria e ampliaria a produção de 60 mil t/ano da ex-Proppet, hoje uma unidade da Braskem no 2o Pólo que faz o mesmo produto, porém de acordo com uma rota que tende ao obsoletismo, que não inclui PTA. O restante do PTA, a parcela grau têxtil, o governo baiano pretendia que fosse usada para o desenvolvimento de um pólo têxtil.
Pedro Cerry revela que as presenças das 15 mil empresas de confecções em Pernambuco, empregadoras diretas de 150 mil pessoas, e da fábrica da MG foram o fator decisivo para a localização da fábrica de PTA em Suape. Não queremos produzir PTA para exportar para a China, ressalta. Para a formação do Pólo Têxtil de Pernambuco será preciso apenas a presença das tecelagens e malharias.
Revela também que os trunfos da Bahia, que não foram suficientes para assegurar ao Estado a localização da fábrica de PTA, são principalmente a produção
de paraxileno aromático produzido na unidade de insumos básicos da Braskem, e a produção de monoetileno glicol (MEG) na Oxiteno. A produção de paraxileno (206 mil t/ano) não seria suficiente, mas a Braskem poderia ampliar para 350 mil t/ano. A estes fatores favoráveis os baianos acrescentam presença de mão-de-obra qualificada e ofertas de serviços de manutenção e suprimento.
O superintendente de Indústria e Comércio, Guilherme Furtado Lopes, ressalta que o pólo têxtil se apoiaria também na florescente cultura do algodão do cerrado, a fronteira agrícola da Bahia. A Bahia já é grande produtora de algodão e a qualidade só é comparável ao algodão egípcio.
A fábrica pernambucana inicialmente será suprida de paraxileno importado, o que ocorrerá até o começo de operações da Unidade de Petroquími-cos Básicos (UPB), a refinaria que a Petrobrás construirá em Itaboraí-RJ para produzir matérias-primas para a petroquímica, com o petróleo pesado do campo de Marlim e de muito hidrogênio extraído do gás natural. Mais adiante, revela Pedro Cerry, será suprida pela refinaria que a Petrobrás construirá em Pernambuco, em associação com a estatal venezuelana.
O PTA é obtido mediante a oxida-ção do paraxileno, processo que no mundo é patenteado por sete empresas, uma das quais será a licenciadora da Citene. São: Dow Química, Mitisubi-shi, DuPont, BP Amoco, Interquisa, Estman, e Lurgi Zimmer. Na seqüência, para a produção do poliéster, há a policondensação, quando entra o MEG.
José Valverde
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