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Segunda geração planeja crescimento do pólo |
A
segunda geração do pólo petroquímico gaúcho consumiu 78,5% das vendas da
Copesul no primeiro semestre de 2006. Assim como a central de
matérias-primas, esse segmento evoluiu expressivamente nesses trinta anos.
Uma das primeiras empresas a entrar em operação no complexo foi a Polisul
(hoje, Ipiranga Petroquímica - IPQ), seguida da PPH e da Poliolefinas
(atualmente agrupadas na Braskem).
Atual diretor-superintendente da IPQ, o engenheiro Paulo Roberto Magalhães
esteve à frente do projeto de implantação da fábrica e comenta as
primeiras iniciativas para fazer decolar o complexo petroquímico de
Triunfo. Assim como a Copesul, a empresa surgiu em 1976 numa associação do
Grupo Ipiranga com a Hoechst e a Petroquisa, com razão social Polisul
Ltda. e posteriormente convertida em sociedade anônima.
As primeiras equipes foram formadas em 1978. Magalhães permaneceu seis
meses na Alemanha com mais dois engenheiros brasileiros, um pela Hoechst
do Brasil e outro pela Petroquisa.
| Nessa etapa, receberam a
transferência de know-how do grupo alemão em polimerização e catálise
de resinas. Paralelamente, conheceram plantas de segunda geração com
tecnologia germânica. A primeira fábrica, denominada Planta 1, foi
montada com tecnologia Hostalen. |
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| Magalhães: aproveitamento do C3 da Refap dará
fôlego ao pólo |
“Era um cronograma rigoroso, de tal forma que em 9 de dezembro de 1982
a Polisul deu partida na planta e, 12 horas depois, já havia produzido a
primeira carga de resinas em Triunfo”, relembra Magalhães. “A prioridade
da Copesul naquele momento era bombear eteno e precisávamos polimerizar o
gás para produzir polietileno”, complementa o diretor da IPQ. Na primeira
etapa, a Planta 1 colocava 60 mil toneladas/ano de PEAD no mercado. Num
segundo momento essa capacidade foi duplicada.
Em 1990, ainda como Polisul, uma segunda planta de PEAD entrou em operação
e elevou a capacidade produtiva da IPQ para 240 mil toneladas/ano da
resina. Seis anos depois, com a terceira planta, a capacidade subiu para
380 mil toneladas/ano, também com tecnologia Hostalen. A planta híbrida
número 4, para PEBDL/PEAD, entrou em operação em 1999 com capacidade
produtiva para mais 150 mil t/ano e tecnologia Spherilene/Basell, que
permite ainda a fabricação de polietileno de média densidade.
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A IPQ, ainda com o nome Polisul, participou da
criação do complexo |
No mesmo ano, a quinta planta da IPQ entrou em operação para processar
150 mil toneladas de polipropileno no sistema Spheripol/Basell. No
entanto, a insuficiência de propeno em Triunfo não permite a operação à
plena carga.
Aliás, o problema da Ipiranga e das demais plantas de Triunfo hoje é a
escassez de matéria-prima básica. Segundo Paulo Roberto Magalhães, a
capacidade de fornecimento da Copesul está esgotada. A boa notícia,
antecipa ele, é que a ampliação da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap),
em fase de conclusão, inclui a montagem de um splitter para separar o
propeno de outros gases. Dessa maneira, quando estiver à plena carga, a
recém-criada área petroquímica da Refap poderá bombear 110 mil
toneladas/ano de propeno direto para a IPQ e Braskem.
A IPQ quer sair das 150 mil toneladas por ano e chegar à casa das 600 mil
toneladas de polipropileno até 2012 para se igualar às líderes de mercado.
Magalhães ressaltou que já abriu negociação com o grupo Ultra e a
Petrobrás, pois quer fazer do Rio de Janeiro a sua próxima fronteira de
expansão em polipropileno, assim que o projeto da UPB (Unidade de
Petroquímicos Básicos) sair do papel. “Nos interessa fazer polietileno
também, mas a prioridade é polipropileno”, disse.
A Ipiranga terá necessariamente de crescer pela petroquímica, pois até por
razões de defesa concorrencial não pode mais se expandir na distribuição
de combustíveis. Atualmente responde por 20% do mercado nacional, sendo
que o organismo regulador (Cade) aceita um market share de até 25%, um
quarto dos negócios com combustíveis dentro do Brasil. Em polietileno de
alta densidade, a participação da IPQ também é elevada, de 38%. Em PP e
PEBDL detém 12%.
“Queremos ir até trinta por cento dos negócios com o polipropileno para
equilibrar o mercado”, enfatiza Magalhães. Ele confirmou que até 30 de
setembro transfere o cargo de diretor-superintendente da IPQ para Alfredo
Tellechea, antes responsável nacional pelo marketing da distribuição
nacional de derivados de petróleo da Ipiranga. “Vou fazer sessenta anos e,
pelo estatuto do grupo Ipiranga, a aposentadoria é compulsória”, declara
Magalhães. De acordo com ele, é possível que permaneça no Conselho de
Administração da Copesul, onde ocupa um dos assentos.
| “Tudo pode acontecer,
mas saio com o sentimento do dever cumprido. Quando em 1982 dei
partida na planta da IPQ a empresa valia duzentos milhões de dólares e
hoje vale um bilhão. Processávamos sessenta mil toneladas de resinas e
hoje podemos produzir setecentas mil toneladas por ano”, conclui Paulo
Roberto Magalhães. |
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| Alencar: Triunfo responde pela criação de
tecnologia |
O maior player petroquímico em Triunfo é a Braskem. A empresa tem
capacidade instalada para 580 mil toneladas/ano de polipropileno e outras
515 mil toneladas entre polietileno de alta, linear e de baixa densidade.
Alexandrino Alencar, vice-presidente de relações institucionais da
empresa, explica que a participação do grupo Odebrecht no complexo de
Triunfo começou em 1986, quando o grupo baiano comprou participações em
dois negócios, a PPH e a Poliolefinas.
Em 1991, o grupo adquiriu o controle acionário das duas unidades. “O
importante é que naquele ano a Odebrecht saiu de uma posição de
investidora e partiu para uma situação de gestora de seus ativos
petroquímicos”, comenta Alencar. Em 1992, dentro do programa de
desestatização promovido pelo governo federal, a empresa ampliou a
participação na Poliolefinas e, com a Ipiranga, adquiriu o controle
acionário da Copesul.
Para Alexandrino Alencar, a Braskem cumpre papel de liderança importante,
pois se faz presente com posições na cadeia produtiva e participa de ações
como o RS Competitivo, um projeto de isenção fiscal do governo gaúcho.
Esteve à frente do Proplast, um programa de incentivo à expansão da
terceira geração petroquímica no fim dos anos 90, resultando na abertura
de novas fábricas no Estado como a Polo, processadora de BOPP, e permitiu
a expansão de diversas empresas da região.
De 1994 a 95, a companhia exerceu forte pressão em favor da ampliação da
matriz de primeira geração e o resultado veio em 1999, com a partida da
Planta 2 da Copesul. Com isso, a segunda geração também pôde expandir sua
capacidade instalada. Em 2001, já sob a razão social Braskem, inaugurou o
centro de inovação tecnológica de Triunfo, que demandou US$ 330 milhões.
Trata-se da maior unidade para desenvolvimento de tecnologia de materiais
da América Latina sob controle da iniciativa privada.
Nesse centro de inovação surgiram processos e produtos recentes, como o
pote de requeijão feito de polipropileno e uma versão da mesma resina para
copos descartáveis termoformados. Outra inovação foi o lançamento das
resinas obtidas por meio de catálise metalocênica de forma pioneira no
mercado brasileiro. “São operações de desenvolvimento, e o grande salto é
o domínio da nanotecnologia para a obtenção de compósitos”, reforça
Alexandrino Alencar.
Conforme o vice-presidente de relações institucionais, a Braskem investe
R$ 50 milhões por ano em inovação em seus laboratórios no Rio Grande do
Sul, o qual, além do corpo técnico próprio da empresa, recebe reforços em
inteligência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, da Universidade
Luterana Brasileira e do Centro Federal de Ensino Técnico de Sapucaia do
Sul. “Formamos uma teia de empresas e instituições acadêmicas”, define
Alencar.
Ele ressalta que as fábricas da Braskem são recentes e concebidas com
tecnologia moderna combinada com inovação. “Há um compromisso em fazer do
Rio Grande do Sul a plataforma de lançamento de novos produtos, os quais
podem até ser processados em outras unidades da Braskem, como é o caso do
polietileno de ultra-alto peso molecular, desenvolvido em Triunfo e
fabricado em Camaçari.” Atualmente 150 técnicos estão envolvidos no centro
de inovação, sendo 11 detentores de títulos de doutorado.
Outra produtora de olefinas é a Petroquímica Triunfo. Fundada em 1979,
possui capacidade instalada de 160 mil toneladas/ano de 30 tipos de
Polietileno de Baixa Densidade (PEBD), copolímero de etileno e acetato de
Vinila (EVA), com distribuição de seus produtos nos mercados nacional e
internacional, principalmente no Mercosul. O PEBD da Triunfo é
comercializado sob a marca Trithene. Já o EVA, com a marca Triteheva, é
utilizado na produção de embalagens multicamadas para alimentos
congelados, embutidos, carnes, entre outros.
O pólo petroquímico gaúcho reúne ainda dois processadores de borrachas. A
Petroflex instalou fábrica ali em 1984 com uma unidade produtora de
etilbenzeno e uma fábrica de borracha SBR em emulsão, com capacidade para
40 mil toneladas/ano, posteriormente expandida até 60 mil toneladas. Na
região, mantém ainda um centro de tecnologia.
Já a DSM Elastômeros Brasil pertence a um dos grupos de negócios da
Companhia Química DSM. Em Triunfo, processa dois produtos considerados
estratégicos: o termoplástico vulcanizado e a borracha sintética etileno
propileno dieno monômero (EPDM).
Planta Integrada - A caçula das empresas de segunda geração em Triunfo é a Innova. A fábrica entrou em operação em 2000, qualificada como a primeira
unidade integrada para produção de estireno e poliestireno do País. Na
realidade são três unidades industriais voltadas à produção de etilbenzeno,
monômero de estireno e PS.
A implantação da Innova, à época pertencente ao grupo argentino Perez
Companc demandou investimentos de US$ 217 milhões. Hoje, é um ativo da
Petrobrás Energia, subsidiária da estatal brasileira no país do Prata. Em
2005, a empresa obteve faturamento de US$ 386 milhões e chegou à casa das
300 mil toneladas, na condição de líder nacional em estireno (58%) e em
poliestireno (26%).
| Como explica a gerente de
planejamento comercial e marketing, Fernanda Schuck, o segmento de
descartáveis apresentou bom desempenho, apesar dos impasses gerados
após a entrada em vigor da norma que regulamenta a produção de
copos.“Os percalços do ambiente doméstico foram compensados pelas
exportações”, afirma. |
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Fernanda: próximo passo será ampliar
a produção própria de etilbenzeno |
“No que toca ao estireno, enquanto o mercado brasileiro cresceu
em torno de 3% em 2005, o volume de vendas da companhia, considerando as
exportações, foi incrementado em 18% na comparação ao ano de 2004”,
comparou.
| Em Triunfo, a Innova conta
com um centro de tecnologia de estirênicos destinado a aprimorar as
aplicações em injeção. Além disso, a empresa desenvolve no momento uma
nova linha de PS dirigida ao segmento de descartáveis, denominada
R870E, com propriedades balanceadas para extrusão e termoformagem de
copos e pratos. |
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| Sítio da Innova reúne todas as etapas da cadeia do
poliestireno |
Fernanda Schuck confirmou que em breve a diretoria corporativa da
Petrobrás Energia em Buenos Aires pode bater o martelo para o investimento
mediante o qual a planta de Triunfo poderá ampliar sua produção de
etilbenzeno, a matéria-prima do monômero de estireno, de 190 mil
toneladas/ano para 540 mil toneladas. Se a proposta sair do papel, a
previsão de entrada em operação da planta é para 2008. Atualmente, boa
parte do etilbenzeno que a Innova consome precisa ser importada de uma das
plantas petroquímicas da Petrobrás na Argentina. A logística é complicada
e cara porque exige transporte em navios especiais fretados pela Copesul.
Outra empresa com atividade em Triunfo é a Oxiteno com uma unidade
produtora de metiletilcetona (MEK) e de sec-butanol.
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