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Sob o tema “Polímeros promovendo qualidade de vida”, destacando a
importância e a responsabilidade da ciência para a melhoria das condições
de vida e preservação do meio ambiente, foram ministradas doze sessões
plenárias e 180 palestras, além de centenas de apresentações de trabalhos
em pôsteres.
| A divisão de polímeros da
Iupac também se preocupa com temas ligados à educação e às cooperações
internacionais em ciência de polímeros, e alguns debates especiais
sobre esses tópicos foram promovidos no congresso. Os chamados
biopolímeros, os polímeros condutores e os usados em aplicações
médicas também tiveram destaque entre as palestras. |
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Para vários pesquisadores, polímeros biodegradáveis baseados em
matérias-primas renováveis de origem agrícola podem formar a base de um
portfólio de produtos sustentáveis, uma alternativa “verde” preferível aos
materiais produzidos com derivados de petróleo. Palestras sobre esses
tópicos foram bastante concorridas, caso da proferida pelo prof. Ramani
Narayan, do Departamento de Engenharia Química e Ciência dos Materiais da
Universidade de Michigan, EUA. Narayan recapitulou vários conceitos
importantes referentes a biopolímeros. Muito didático, lembrou que o
carbono é o maior elemento presente nas cadeias poliméricas, tanto nos
biopolímeros como nos produtos baseados em derivados de petróleo. Assim,
discussões sobre desenvolvimento sustentável e responsabilidade com o meio
ambiente ficaram centralizadas na questão de como gerenciar o ciclo do
carbono de forma adequada. “Os ecossistemas naturais o fazem com
maestria”, ressaltou Narayan. O carbono está presente na atmosfera como
gás carbônico (CO2). Usando a energia solar, plantas, algas e algumas
bactérias fixam esse carbono inorgânico, transformando-o em carbono
orgânico, fenômeno representado pela equação da figura 1.
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Narayan prosseguiu salientando que em unidades geológicas de tempo (>
106 anos) esse material orgânico é fossilizado para nos fornecer petróleo,
gás natural e carvão. “Nós consumimos essas fontes fósseis para fabricar
nossos polímeros, produtos químicos e combustíveis, e liberamos o carbono
na atmosfera como CO2, porém o fazemos dentro de um curto período de
tempo, isto é, de um a dez anos. Desse desequilíbrio cinético resultam os
danos ao meio ambiente. É claro que isso é insustentável. Nós não estamos
gerenciando o ciclo do carbono de uma maneira responsável”, sentenciou.
Se usarmos biomassa ou plantações anualmente renováveis como matéria-prima
para polímeros, produtos químicos e combustíveis, a taxa de fixação de CO2
será igual àquela em que é consumido e liberado, havendo o desejado
equilíbrio. Daí decorre o crescente interesse nos biopolímeros. A figura 2
ilustra os ciclos descritos por Narayan.
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Baseando-se nesse raciocínio, Narayan definiu biomateriais como
produtos orgânicos, nos quais o carbono vem de fontes “contemporâneas”
(não fósseis).
A questão seguinte colocada pelo palestrante foi como diferenciar carbonos
“contemporâneos” dos fósseis e como quantificá-los. A figura 3 mostra que
o isótopo 14C é a base para tal identificação. O CO2 na atmosfera está em
equilíbrio com o radioativo 14CO2. O gás radioativo se incorpora na vida
terrestre pela fotossíntese, e nos animais pela cadeia alimentar. “Quando
uma planta ou animal morre, cessa a obtenção de carbono, isto é, não há
substituição do carbono radioativo, só decaimento. Como a meia-vida do 14C
está ao redor de 5.730 anos, as reservas fósseis formadas há milhões de
anos não o contêm”, concluiu.
Segundo o palestrante, o subcomitê D20.96 da ASTM (American Society for
Testing and Materials) desenvolveu a norma D6866 para quantificar o teor
de biomateriais em uma amostra, baseando-se nessa teoria.
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