O produto já é empregado em 11 estações da Sabesp para neutralizar o forte odor proveniente do tratamento de esgoto, principalmente em regiões urbanas, onde há mais reclamações. Em unidade de Botucatu-SP e na elevatória da Sabesp no bairro de Pinheiros, São Paulo, por exemplo, onde 600 litros por mês do produto são pulverizados para remover o odor da elevatória no poluído Rio Pinheiros. Ainda empregados em mais de 40 clientes privados, os produtos são dispostos em grades especiais para odor de sulfetos, amônios e odores amínicos; para ácidos, aminas ou outras moléculas graxas; para compostos nitrogenados e sulfurosos; monômeros acrílicos e vinílicos; e mercaptanas. Por ser orgânico (cuja base química é segredo industrial), ocorre a decomposição pelo meio ambiente, quando as moléculas encapsuladas também são consumidas.

A aplicação dos produtos, mediante o uso de bombas de alta pressão, dosadoras, linhas de tubo e bicos atomizadores, é sempre por pulverização, mesmo em esgotos, pois a aplicação direta em meio líquido requer quantidades maiores para compensar o contato mais intenso que ocorre no ar. Isso sem falar que em meio aéreo é possível criar enclausuramentos, reduzir pontos de fuga e concentrar o tratamento nesses pontos.

Além da ação “antifedor”, a Continuum Chemical também divulgou os serviços da sua divisão de limpeza química de equipamentos. Trata-se aí de serviço oferecido por meio da dosagem in-situ de diluentes, base solvente ou água, para remoção de resíduos em torres, trocadores de calor, dessalgadores, entre vários outros equipamentos industriais. Por não precisar remover e desmontá-los, apenas pará-los, o sistema já bastante utilizado pela matriz americana, e em ascensão no Brasil, ganha no quesito tempo. “Numa petroquímica, conseguimos reduzir de 90 para 16 dias a parada de limpeza”, comemora Bortali. Mesmo mais caro do que um processo normal de limpeza, os dias parados a menos se tornam grande vantagem. “Um dia sem operar, dependendo da indústria, representa um grande prejuízo”, completa.

Cuca Jorge

Ana Paula: Geoplan vai operar a tecnologia da Bayer no Brasil

PU no tubo – Na Fenasan, também foi possível para os visitantes conhecer em primeira mão no Brasil uma tecnologia recentemente desenvolvida pela alemã Bayer e que será aplicada no País pela empresa nacional Geoplan, de engenharia e operações em água e efluentes, que atua na área pública e privada.

Cuca Jorge

É um novo processo de recuperação in-situ de tubos de saneamento de 75 mm até 1,35 m de diâmetros, de ferro ou cimento, que se utiliza de um dos principais produtos da Bayer: a resina de poliuretano (PU). O processo foi desenvolvido em cooperação com uma empresa inglesa (mantida em sigilo) que criou o sistema de recuperação das tubulações envelhecidas.
Oliveira: Bayer desenvolveu PU para revestir canos

 Proporcionando revestimentos com espessuras que podem variar entre 1 mm e 5 mm, injetadas por equipamento apropriado em valas abertas em trechos da tubulação de cerca de 140 metros, a tecnologia garante rápida retomada do serviço de abastecimento, em cerca de 1 hora, por demandar tempo de cura de apenas um minuto. Depois de aplicado, a previsão de durabilidade do revestimento é de cinqüenta anos. “Além disso, ele garante alta resistência à abrasão, recuperação da vazão original, além de evitar o desperdício de água comum nos encanamentos com problemas” afirmou Valdir Oliveira, da Bayer.

Resultado de um projeto global firmado entre o grupo Bayer e a National Geographic, que apóia idéias para promover a proteção da água potável, a tecnologia tem a vantagem econômica de não demandar a custosa e difícil tarefa de substituir quilômetros de encanamentos. “É uma maneira muito mais prática de combater uma das principais causas de desperdício de água, sobretudo em países em desenvolvimento”, complementa Oliveira.

Ainda em fase de primeira apresentação no Brasil, a tecnologia despertou muito interesse na feira, segundo explicou a gerente administrativa da Geoplan, Ana Paula Bacaltchuc. “Muitas companhias de saneamento, entre elas a Sabesp, se entusiasmaram com a idéia”, diz. A Geoplan, grupo privado nacional com muitos contratos de terceirização de serviços de água (entre eles um na unidade da Bayer em Belford Roxo-RJ), sobretudo na modalidade BOT, tem exclusividade para ser treinada e aplicar a tecnologia no Brasil. Tão logo ela se torne uma realidade no Brasil.

Desidratação de lodo – Preocupação crescente no saneamento básico, a geração de lodo originada do tratamento de esgotos foi abordada na exposição. Além das empresas fabricantes de centrífugas decantadoras, caso da italiana Pieralisi ou da sueca Alfa Laval, houve também a apresentação de uma tecnologia nova para o mercado brasileiro: os sistemas de contenção e desidratação de lodo por meio do emprego de imensos sacos (bags) de geotecido.

Trata-se de tecnologia da empresa americana Ten Cate Nicolon, que conta com o expertise de muitos anos de uma empresa holandesa especializada em geocontenção (Nicolon BV) com a americana produtora de geotecidos (Mirafi), fundidas desde 1991. Neste ano, a fusão das duas empresas realizou projeto para o Exército Americano, que demandava sistema de desidratação de lodo prático para empregar em seus acampamentos militares durante a Guerra do Golfo.Com o conhecimento em geotecidos e contenção marítima, a nova empresa criou a tecnologia denominada Geotube, que se utiliza de grandes sacos feitos com fibra de polipropileno (PP).

Cuca Jorge

O princípio do processo é bombear o lodo com baixo teor de massa sólida, solos contaminados ou materiais refugados para dentro do geo­tube.

 
 
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