Ainda em melhorias para tratamento biológico, a Aquamec, empresa nacional de engenharia de equipamentos e sistemas completos para água e efluentes, aproveitou a feira para mostrar seus aeradores rápidos Aqua-injet (por ar induzido) e Aqua-jet (aspersão na atmosfera). O primeiro, de acordo com a empresa, possui geometria diferenciada do rotor, que provoca alta velocidade no meio líquido, criando um vácuo para succionar o ar sob pressão atmosférica. Isso induz uma quantidade descendente de ar, cisalhado em pequenas bolhas junto ao rotor, dentro do tanque. Pela agitação, o rotor dispersa e mistura o oxigênio, respeitando os padrões recomendados pelas normas. Já o Aqua-jet emprega os princípios convencionais do bombeamento, o líquido é bombeado para a atmosfera e, ao atravessar um difusor, se separa em partículas que captam o oxigênio na atmosfera, carregando-o para o tanque.

Zeólitas – Interessante na feira também foi a participação da CeltaBrasil, de Cotia-SP, que divulgou o uso de zeólitas, os aluminossilicatos hidratados, para tratamento de água. Importadas de jazidas minerais da região de Havana, em Cuba (ver QD-420, outubro de 2003), em dois tipos (mordenita e clinoptilolita), as zeólitas têm capacidade de absorver uma série de poluentes.

Cuca Jorge

 Disponíveis em vários grades, alguns deles modificados quimicamente, são indicadas para remoção de ferro e manganês, de turbidez, DBO e DQO, cor, odor, sabor, de cátions e amônia, metais pesados e para eliminação de bactérias.
Os “bóbis” da AqWise duplicam capacidade do tratamento biológico

Segundo Sidinei Gobbi, do departamento técnico da CeltaBrasil, as zeólitas estão sendo empregadas com sucesso como elementos de filtros pequenos e de polimento. Com ação bacteriológica, atuando contra bactérias e protozoários, removem compostos orgânicos, metais pesados, amônia, cor, odor, sabor e turbidez da água. Para alguns componentes, como metais pesados e amônia e para combater dureza, as zeólitas atuam como em troca iônica, substituindo cátions (como o mercúrio, chumbo, cádmio, cromo e zinco) por íons presentes em suas estruturas. Os cátions ficam retidos nas cavidades e microporos de diâmetros reduzidos da estrutura do produto.

Em teste em companhias de saneamento, como a Sabesp, onde podem substituir com eficiência outros elementos filtrantes e ser utilizadas em leitos e filtros, as zeólitas removem partículas de até 4 micras e possuem grande capacidade de adsorção do amônio (NH4+), cátion removido por troca com o sódio (Na+) presente na estrutura do mineral.

Cuca Jorge

Gobbi aposta nas zeólitas para absorção de poluentes

Com grande área superficial (40 m2/g), as zeólitas se tornam biofiltradores melhores do que, por exemplo, as areias quartzosas. Depois de sua saturação, estimada em no mínimo cinco anos, o produto pode ser regenerado ou empregado com fertilizantes. Além do uso em água, podem ser aplicadas ainda em remediação de áreas contaminadas com hidrocarbonetos e óleos em geral.

Contra o mau cheiro – Ainda no ramo da química com aplicação em saneamento, chamou a atenção na Fenasan o estande da Continuum Chemical Latin America, no qual um aspersor passou toda a feira a jorrar uma névoa misteriosa. Para os mais curiosos, porém, bastava perguntar a um dos funcionários da empresa ou ler os catálogos e pôsteres à disposição no estande para se desvendar o aparente “mistério”. A névoa era a dosagem do carro-chefe da Continuum, empresa de origem americana com fábrica em Vargem Grande Paulista-SP: o produto NoNox, que combate o mau cheiro orgânico de qualquer tipo.

Cuca Jorge

Com sete produtos-base, que podem ser misturados entre si para combater uma grande variedade de odores desagradáveis, a linha NoNox, segundo Maurizio Bortali, um dos sócios da Continuum no Brasil, encapsula a molécula do odor e não o mascara, como fazem a maior parte dos desodorizadores à base de essências.
Bortali: controle de odor notratamento de esgoto

 “Ele opera por atração molecular. Uma carga inversa ao gás a ser encapsulado neutraliza o material orgânico”, explica Bortali. Após o encapsulamento, a névoa desce à superfície e se biodegrada. Trata-se de atração física e não química: uma capa se forma ao redor da molécula e apenas algumas bactérias e temperaturas superiores a 170 ºC podem destruí-la. 

 
 
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