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Conjuntura
Indústria cresce no primeiro semestre
A
Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) divulgou os
resultados do primeiro
semestre para produção e consumo de produtos químicos. Por meio de seu
relatório de
acompanhamento conjuntural (RAC), a associação levantou que no acumulado
de janeiro a
julho de 2006 os índices apresentaram elevação razoável em comparação com
o mesmo
período de 2005, com a ressalva de que a base de comparação é considerada
fraca pelo
setor.
Na produção, o aumento nesse período de sete meses foi de 2,07%. Dos 14
grupos
considerados na análise, nove apresentaram elevações, com destaque aos
intermediários
para plastificantes (+16,29%), resinas termofixas (+12,47%), solventes
industriais
(+10,09%), intermediários para plásticos (+8,31%), intermediários para
fertilizantes (+6,26%) e resinas termoplásticas (+5,73%). Segundo o RAC, o
crescimento produtivo deste último grupo se deve à entrada em operação da
Riopol, novo complexo gás-químico do Rio de Janeiro. De maneira geral, o
desempenho razoável do setor se explica pelas vendas no mercado interno.
Isso porque, dos 14 grupos, sete melhoraram as negociações domésticas, mas
outra vez em virtude da fraca base de comparação e também por causa da
antecipação de vendas para formação de estoques preventivos em diversos
clientes.
Apesar de seis grupos exibirem redução no índice de vendas internas, no
acumulado de
janeiro a julho o crescimento geral foi de 5,31%. Já quando a comparação é
anual, de agosto de 2005 a julho de 2006, pela primeira vez no ano o
índice de vendas acumuladas foi positivo, com crescimento de 1,52% sobre
igual período anterior. Sob essa comparação,
porém, nove grupos reduziram o índice de vendas, em detrimento à tendência
positiva
observada para o período recente (ver tabela), visto que em julho de 2006
as vendas internas foram 9,09% sobre o mesmo mês de 2005.
Já o consumo aparente nacional dos produtos amostrados no RAC, em volume
(toneladas),
cresceu 2,49% de janeiro a julho de 2006, em comparação com o mesmo
período do ano
anterior. Isso porque a produção cresceu 2,07%, as exportações caíram
5,62% e as
importações declinaram 8,1%. A Abiquim chama a atenção para o forte peso
que o grupo de intermediários para fertilizantes exerce sobre o índice das
importações: representa mais de60% do total. Caso se retire o grupo das
estatísticas, por exemplo, o consumo aparente
passa a registrar aumento de 5,44%.
Em um período mais amplo, de 1990 a 2005, o consumo aparente dos produtos
subiu
74,97%, segundo o RAC, registrando um crescimento médio anual de 3,80%.
Neste caso, a produção subiu no período 49,90% e 2,74% ao ano; as
importações oito vezes mais em
termos nominais (413,35% no período e 11,35% por ano); e as exportações
69% e 3,56%,
respectivamente. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior
(Secex), as
importações de produtos químicos cresceram 4,7%, passando de US$ 8,43
bilhões, de
janeiro a julho de 2005, para US$ 8,83 bilhões neste ano. Já as
exportações passaram de
US$ 4,18 bilhões para US$ 4,83 bilhões, aumentando 15,7% no período.
Com forte influência do mercado interno, que apresentou oscilações e
elevações violentas
dos preços dos barris de petróleo e da nafta, os índices de preços dos
produtos químicos de uso industrial registram aumentos nos períodos
analisados. De janeiro a julho de 2006, a
elevação foi de 2,51%, puxada principalmente por causa de cinco grupos de
produtos, sendo que nove grupos apresentaram deflação no índice de preços
do acumulado do ano. No período de um ano, de agosto de 2005 a julho de
2006, o índice de preços subiu mais:
7,21%. A se guiar pela tendência de crescimento registrada por dois meses
seguidos (de
3,99% em julho e de 3,44% em junho de 2006), a alta deve continuar.
A utilização da capacidade instalada média da indústria química, entre
janeiro e julho de
2006, foi de 86%, um ponto porcentual abaixo do mesmo período de 2005.
Porém, ao se
comparar os meses de julho com junho de 2006, houve um acréscimo de 8%.
Isso por um
fato determinante: oito dos nove grupos analisados elevaram o nível
operacional no mês, com destaque para os segmentos de solventes
industriais e de produtos petroquímicos, que
operaram à plena carga: 100% e 97%, respectivamente. No grupo de
intermediários para
detergentes, a Abiquim ressalta a parada programada da unidade de LAB
(alquilbenzeno
linear) da Deten, que reduziu a carga para apenas 41% em julho, 19 pontos
abaixo de junho.
Para finalizar, a mão-de-obra do setor contrasta com os crescimentos
apontados nos outros
índices do RAC. A variável pessoal ocupado apresentou duas reduções
consecutivas: de
0,22% e de 0,63%, em julho e junho de 2006, respectivamente. No acumulado
de janeiro a
julho, o número de empregados caiu 0,36%, em comparação com o período em
2005. A
Abiquim observa, porém, que apesar de não ser intensivo em mão-de-obra, o
setor químico
registra acréscimos nas contratações nos últimos três anos: +3,17% em
2005, +1,60% em
2004 e +2,01% em 2003. Em um período maior, contudo, de janeiro de 1990 a
julho de 2006, a desmobilização de mão-de-obra fica evidente: a redução é
de 56,16%. Mais há um
consolo: a associação afirma que boa parte desses “desempregados” são
agora
trabalhadores terceirizados.
M. Furtado
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