TINTAS    AUTOMOTIVAS

 

Tinta moderna ajuda oficina a baixar custos

O mercado brasileiro de tintas para repintura automotiva atravessa uma fase que pode ser definida como de involução. As tintas de alta tecnologia perdem espaço para os produtos de qualidade inferior. “Há uma guerra de preços em curso”, diz Eduardo Marubayashi, gerente de marketing da Sikkens, linha de tintas para repintura de alta tecnologia da Akzo.

O cenário dessa “guerra” é um mercado em que a maioria dos compradores, os proprietários de oficinas de pintura, ignora a relação custo/benefício apresentada pelos produtos de melhor qualidade. Para piorar a situação, esses empresários sofrem pressão para reduzir seus custos por parte dos seus principais clientes, as seguradoras.

A consultora Yvete Leon, diretora da Advanced Sales Management, especializada no segmento de tintas para repintura automotiva, acredita que essa necessidade de reduzir custos levou muitos proprietários de oficinas a um caminho incorreto, o consumo de insumos mais baratos e, como decorrência, a uma perda de qualidade nos serviços prestados.

Segundo as estimativas dos fornecedores, as tintas de alta tecnologia respondem atualmente por algo entre 10% e 20% das vendas. Mas já tiveram o dobro dessa participação. Nos Estados Unidos, Europa, Austrália e em alguns países asiáticos, os produtos de alta tecnologia dominam integralmente as vendas.

Até aí, poderíamos estar diante de uma divisão clássica de mercado. País com alto poder aquisitivo consome alta tecnologia. Onde o poder aquisitivo é baixo, a tecnologia também é. Mas não é o caso. Em países de desenvolvimento econômico similar ao Brasil, como Argentina, México e Índia, os produtos de alta tecnologia são majoritários, respondem, em média, por 60% das vendas.

“O Brasil é um caso único. Em nenhum outro lugar do mundo as tintas tradicionais possuem uma participação tão expressiva”, diz Patrícia Morschel, gerente de marketing da divisão de repintura em alta tecnologia da DuPont para a América do Sul.

Dos anos 90 para cá, a tecnologia mundial de tintas automotivas apresentou uma grande evolução. Entre os avanços mais importantes está a maior robustez das tintas com características de enchimento e a redução do tempo de secagem. A evolução se deu em duas plataformas diferentes de soluções. De um lado, as tintas chamadas de altos sólidos, com baixos teores de solventes. De outro, as tintas à base de água. As duas soluções representam menor impacto ambiental, uma vez que reduzem o consumo de solventes.

Nos países do Mercado Comum Europeu, por uma questão de legislação, as tintas automotivas de base água, com menor dano ambiental, se tornaram obrigatórias. A tecnologia também tem participação representativa nos Estados Unidos, na Austrália, e em alguns países asiáticos.
 

 
  <<< Anterior
Próxima >>>