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“O elefante do saneamento conseguiu dar dois passos nos últimos meses”, ironizou Newton Azevedo, referindo-se à perspectiva aberta com a breve validação do marco regulatório. O contentamento aí, de forma mais direta, tem a ver com o ambiente de segurança criado para os investidores privados. Sem eles, de acordo com o vice-presidente da Abdib, não haverá dinheiro suficiente para manter um ritmo aceitável de obras na área e as metas de universalização dos serviços de água e esgoto ficariam cada vez mais impossíveis de ser cumpridas. Isso porque se tornou consenso entre os especialistas que o Poder Público consegue garantir no máximo 40% dos R$ 11 bilhões anuais necessários, durante vinte anos, para prestar o serviço a toda população. E isso ainda assim com tendência de declínio, tendo em vista que em 1998 o governo federal investia 0,19% do PIB em saneamento básico e em 2005, apenas 0,04%.
A urgência do ambiente regulatório seguro é mais do que explicada. Além de
prevenir os investidores de ingerências políticas nas concessões privadas,
o que ocorre em demasia entre as 70 concessionárias em operação no País, a
ausência de regulamentação não se torna mais um empecilho para estimular
um tipo de investimento não muito atraente por natureza. Investir em
saneamento básico, sobretudo em tratamento de esgoto, necessidade mais
premente do Brasil e que demanda grandes e caras obras, garante retorno
apenas no longo prazo, em um período médio de dez anos. De acordo com o
vice-presidente da Abdib, o marco regulatório, aliado a uma tendência de
queda de juros no longo prazo, diminuirá bastante a má impressão que o
saneamento costuma causar aos fundos de investimento. Apoio privado – Várias antigas reivindicações dos interessados no saneamento foram incluídas no marco regulatório. Tanto é assim que os concessionários privados, talvez os mais beneficiados diretamente, por serem os que arriscam capital, participaram da elaboração do projeto e comemoram sua redação final e provável aprovação. Representa essa opinião de classe a diretora-executiva da Abcon, Ana Lia de Castro, para quem o marco englobou praticamente todos os pontos necessários para garantir a segurança dos concessionários privados e excluiu aquele que não deveria estar mesmo incluído, ou seja, a questão da titularidade. |
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