| |
|
O setor de
saneamento básico passa por um momento histórico que pode iniciá-lo em
período de grandes investimentos. Depois de mais de vinte anos de intenso
debate, e do fracasso de tentativas anteriores de organizá-lo, finalmente
está para ser implementado no Brasil um marco regulatório com poder de
solucionar uma das maiores chagas nacionais: o fato de mais de 100 milhões
de pessoas ainda viverem sem ter o esgoto tratado e cerca de 45 milhões
sem água encanada. Trata-se do projeto de lei 7361/2006, do deputado
federal Júlio Lopes (PP-RJ), aprovado por uma comissão mista do Congresso
em 11 de julho, e pelo Senado no dia seguinte, e que irá para apreciação
final na Câmara Federal, provavelmente após as eleições, com grande
probabilidade de seguir na íntegra à sanção presidencial.
Com regras claras, e garantias legais para os interessados em investir, a
nova lei do saneamento foi rapidamente gerida (em cerca de um ano, desde
que o novo relator se iniciou no projeto) por ter rejeitado, na redação de
seus artigos, embates ideológicos que apenas atrapalhavam a evolução do
setor. Passou a não interessar mais, como macroquestões, a origem do
capital investido, se público ou privado, e a chamada titularidade do
sistema, ou seja, saber se Estados ou municípios são o poder concedente
dos serviços de saneamento.
| No
primeiro caso, o marco regulatório não faz restrição ao capital
privado, apenas o regulamenta e, no segundo, deixa a questão para ser
resolvida na Justiça, não considerando quem detém a titularidade. |
 |
| Azevedo: elefante do saneamento deu
dois passos |
A retirada dos temas polêmicos é fruto direto da
mobilização do setor, que resolveu unir os interesses comuns e deixar de
lado as “picuinhas ideológicas”, na expressão utilizada por Newton de Lima
Azevedo, o vice-presidente para saneamento da Associação Brasileira da
Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib), entidade de fundamental
importância no esforço de catalisar os interesses. Para chegar ao
consenso, a mobilização contou com o entendimento entre entidades com
focos contrários, caso da Associação Brasileira das Concessionárias
Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), obviamente
pró-privatização e municipalista, e da Associação das Empresas de
Saneamento Básico Estaduais (Aesbe), com posição oposta. Isso sem falar no
apoio de sindicatos e associações de fabricantes de equipamentos, de
construtoras, de empregados da área e, logicamente, na participação
favorável do Poder Executivo, por meio da Secretaria Nacional de
Saneamento, que abandonou suas origens radicais de esquerda e passou a
encarar o problema de forma mais pragmática.
|
|