ATUALI

DADES

ATUAÇÃO RESPONSÁVEL

Indicadores comprovam eficácia

Apesar de sempre estar na alça de mira de detratores e ambientalistas de plantão, mais uma vez a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) se reuniu em São Paulo para comemorar bons indicadores de desempenho socioambientais do setor químico. Dessa vez, foi nos dias 2 e 3 de agosto, durante o 10º Congresso de Atuação Responsável, quando os coordenadores do programa específico para saúde, segurança e meio ambiente divulgaram o relatório do Atuação Responsável 2006, disponível na íntegra no site da Abiquim (www.abiquim.org.br).

Segundo o coordenador da comissão executiva do Atuaçã o Responsável, Antonio Rollo, foram observadas melhorias em todos os índices ambientais monitorados pela Abiquim, resultado do aprimoramento nos controles de operações geradoras de emissões atmosféricas, efluentes e resíduos sólidos.

Esse esforço é simbolizado pelo volume de investimentos ambientais das 104 signatárias que responderam aos questionamentos do relatório: R$ 181 milhões em 2005, sendo desse total R$ 156 milhões em despesas efetivas para controle ambiental, ou seja, R$ 4,44 investidos por tonelada produzida e R$ 3,82 gastos/tonelada produzida.

Só para se ter uma idéia dos avanços na área, houve uma redução de 34% de emissão de efluentes líquidos, em comparação com 2001, e de 9,8% em relação a 2004. Esse número é importante porque demonstra as iniciativas da indústria para reduzir o consumo de água. A redução na emissão de efluentes, que significa a adoção de reúso e de melhor gestão do insumo, foi responsável por 32% da economia de água conseguida nos últimos cinco anos.

Os ganhos econômicos com a melhor gestão da água também foram medidos: o custo de tratamento de água foi reduzido de R$ 7,50 para R$ 5,00 por tonelada de produto. Além disso, apenas com a redução de emissão de efluentes – de 3,05 m3/t, em 2004, para 2,75 m3/t em 2005 – foi possível em um ano obter uma economia de R$ 16, 4 milhões.

Os outros indicadores ambientais também tiveram resultados positivos, como por exemplo a geração de resíduos perigosos de 2,84 kg/t de produtos de 2004 para 2,48 kg/t em 2005. Também as emissões de dióxido de carbono passaram de 382,7 kg/t para 360,8 kg/t. Neste último caso, ao se calcular o período de 2001 a 2005, a economia equivale a um ano de emissões de aproximadamente 900 mil automóveis a gasolina, consumindo 10 km por litro e rodando 10 mil km/ano.

Também há de se notar, por meio de outras métricas divulgadas, a estabilização do consumo de gás natural e a migração do uso de combustíveis fósseis de menor eficiência energética para esta fonte mais limpa.

No quesito segurança, quase todos os indicadores foram positivos, com exceção de dois deles: o número de acidentes dos trabalhadores próprios com afastamento, que passou de 2,23, em 2004, para 2,74 acidentes por milhão de horas de exposição em 2005, e o que quantifica o número de eventos em processos industriais, ou seja, explosões, incêndios ou vazamentos de produtos para o meio ambiente. Foram registrados 24 eventos, contra 22 de 2004.

Em todos os outros indicadores de segurança, porém, houve quedas.

Em 2005, a taxa de freqüência de acidentes to­tal, com ou sem afastamento, caiu 17% em relação ao ano anterior.

A queda na taxa total é explicada pela redução no número de acidentes ocorridos com os trabalhadores contratados, com melhora de 18% , se comparados 2004 e 2005, e de 51,6%, entre 2001 e 2005. Merece destaque ainda, em segurança, a diminuição acentuada de acidentes que geraram incapacidade, ou seja, graves. Em 2005, não houve ocorrências desse tipo e, da mesma forma, houve redução nos óbitos, de três para dois acidentes fatais.

Em transportes, a Abiquim ressalta o esforço concentrado com as empresas transportadoras para justificar bons indicadores, que serviram como alento contra os resultados insatisfatórios de 2003 e 2004. Os acidentes graves, apesar de não eliminados, demonstram estabilidade desde 2001, passando de 0,16 acidentes por 10 mil viagens naquele ano para 0,15 em 2005 . Nos sem gravidade, por outro lado, houve redução de 23% entre 2005 e 2004. A se lamentar, porém, as 23 mortes registradas em decorrência de acidentes rodoviários que envolveram cargas químicas, nenhuma delas por contato com o produto vazado. A prioridade da Abiquim agora será tentar reduzir esses números de acidentes fatais. Um exemplo de que o melhor meio de o setor corrigir seus erros é, em uma primeira etapa, começar a conhecer os seus problemas. Algo que os indicadores do Atuação Responsável demonstram fazer com muita acuidade.

 

 
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