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O dirigente setorial, com base nos dados fornecidos
pelas associadas, informou ter havido um aumento no preço médio
de vendas das tintas imobiliárias, principalmente pela melhoria
da qualidade dos produtos da chamada segunda linha. A instituição
de normas oficiais que determinam o desempenho mínimo das tintas
econômicas exigiu um esforço de adaptação por
parte de alguns fabricantes. Com mais insumos na formulação,
o custo subiu. Ainda persistem no mercado tintas com qualidade muito
ruim. Porém, pela norma oficial de desempenho, esses fabricantes
se tornaram passíveis de processo com base no Código de
Defesa do Consumidor. Além do medo da lei, há um estímulo
econômico para manter a conformidade com a norma: os agentes financeiros
oficiais passaram a exigir a qualidade mínima legal de todos os
materiais de construção para a liberação dos
empréstimos. Na outra ponta da cadeia produtiva, as linhas premium
vivem situação diversa. Em meados de 2005, o preço
da lata de 18 litros de tinta acrílica de primeira linha não
era encontrado em São Paulo por menos de R$ 200. Atualmente, as
lojas oferecem o produto na faixa de R$ 160. Ferreira explica que esses
números são insuficientes para comprovar uma eventual tendência
de preços, ensejando a elaboração de uma série
histórica mais longa para estudos, aspecto muito distante do escopo
dos trabalhos da Abrafati. Apesar disso, ele comenta que os preços
mundiais dos insumos tiveram um pico abrupto entre o segundo semestre
de 2004 e o primeiro de 2005, com reflexos nas tintas. “A redução
de 5% no IPI foi integralmente repassada aos consumidores, e como foi
aplicada sobre um valor maior ela foi mais significativa no caso das linhas
premium”, ponderou. Segundo disse, com base em dados da Associação
Nacional de Materiais de Construção (Anamaco), todos os
itens dessa atividade beneficiados com alívio tributário
tiveram preços finais de vendas minorados e registraram elevação
de demanda. As tintas premium serão as próximas a
ganhar norma oficial de desempenho, continuando um trabalho de qualificação
de produtos iniciado com as tintas látex econômicas, massa
corrida para interiores e exteriores, e tinta látex standard. “A
idéia da Abrafati é normatizar todos os produtos do setor
em três níveis de qualidade”, disse Ferreira. À crítica de que as normas só
deveriam ser implantadas como garantia mínima única para
todos os produtos, o presidente da Abrafati retruca com a necessidade
de organizar o mercado de tintas. “Mercado desordenado tem alta
sonegação, baixa qualidade e alta desinformação
dos consumidores, a ponto de serem incapazes de identificar as diferenças
qualitativas entre seus produtos”, comentou. O esforço de
organização deve abranger toda a cadeia produtiva, com benefícios
para todos os seus participantes. Depois da categoria premium, o setor deve estudar a possibilidade de normatizar as texturas e os produtos para situações específicas, como as tintas para pisos. Conservadorismo – As tintas imobiliárias brasileiras pouco inovam quanto às resinas, talvez pela falta de transparência da indústria com os pintores profissionais e seus contratadores. Nas paredes, os acrílicos modificados com estireno se tornaram padrão de mercado, jogando para escanteio o acetato de polivinila (PVA). “Os consumidores hoje compram esses produtos pela falta de opções melhores, dentro de um mercado orientado pelo preço”, criticou o especialista Luiz Carlos Pestana, da unidade de negócios de emulsões da Clariant, principal fornecedora independente de polímeros para tintas no País. |
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