O  segmento de tintas imobiliárias representa quase 60% do faturamento da indústria de tintas no Brasil e mantém a trajetória de crescimento anual de vendas muito próxima ao desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). Embora seja baixo o incremento, os fabricantes de tintas têm motivos para projetar a expansão do mercado, em especial pela combinação do maior poder aquisitivo das camadas sociais mais pobres com a crescente oferta de crédito e incentivos para a construção civil habitacional.

Além do mercado potencial gigantesco, a redução de alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), associada à valorização do real que provocou a queda do preço dos insumos importados, permitiu baixar o preço final de venda aos consumidores, incentivando o aumento da demanda. O quadro de tons altamente otimistas ficaria completo com algumas pinceladas mais fortes na redução das taxas de juros, item no qual o País disputa uma sombria liderança mundial com a Turquia.

O fortalecimento da demanda encontrará o setor imerso em intenso movimento pela melhoria da qualidade, embasado pela instituição de normas oficiais de desempenho do produto. Criam-se condições para quebrar o domínio das formulações acrílico-estirenadas, por tornar viáveis outras resinas, entre elas as acrílicas puras e polímeros com monômeros inovadores.

“Estamos em um período de grande estímulo à construção civil direcionada para reduzir o imenso déficit habitacional do Brasil”, considerou Dílson Ferreira, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Tintas (Abrafati). Somando todas as linhas de financiamento disponíveis em 2006 para essa atividade, ele chegou ao total de R$ 18 bilhões.

Além disso, ele salientou a importância das recentes modificações legais no sistema financeiro habitacional, introduzindo as figuras do patrimônio de afetação e da alienação fiduciária em garantia como formas de redução de riscos e atração de investimentos.Embora o panorama do segmento seja amplamente favorável, o crescimento de vendas físicas de 3% registrado em 2005 ainda é considerado baixo. No faturamento, esse desempenho produziu resultado 25% superior ao de 2004, mas Ferreira aconselha a interpretar esse número com cautela. “As vendas de mais de um bilhão de dólares registradas em 2005 foram fortemente influenciadas pela variação cambial e não se traduziram da mesma forma em moeda nacional”, explicou.

Ferreira: R$ 18 bi para estumular construção civil

 
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