Matéria-prima escassa PÓLO BAIANO ESTUDA MEIOS JOSÉ VALVERDE
Um espectro ronda o Complexo Petroquímico de Camaçari,
na Bahia: a escassez de matéria-prima em condições
adequadas para suprir o cogitado terceiro cracker, necessário para
reverter os sintomas de velhice, restaurando o poder de atrair novos empreendimentos;
ampliar as atuais unidades produtoras de resinas e de outros produtos
intermediários; e assegurar desdobramentos que multipliquem as
oportunidades de investimento na Bahia e no Nordeste. A expectativa de que a formação da Braskem resultaria em novo ciclo de desenvolvimento no 2o Pólo, quatro anos depois, foi substituída por um preocupante sentimento: o de que "não vai cair outro pólo do céu" - uma referência à histórica decisão do presidente Ernesto Geisel de contrariar as forças centralizadoras da economia e da política e decidir que o 2o Pólo seria instalado no Nordeste - e não no Sudeste -, e, principalmente, um apelo à Braskem e ao próprio governo do Estado, que ainda não estariam estrategicamente mobilizados para superar a questão da escassez de matéria-prima. Referências à importância do Pólo na economia da Bahia, avaliadas por indicadores como as gerações de mais de 15% do PIB e 30% do ICMS, soam como alerta ao governo. A falta de planejamentos básicos e estruturantes no pólo baiano destoa dos projetos que foram recentemente ou serão instalados no Sudeste, a exemplo do Pólo de Paulínia, em São Paulo; do Pólo Gás Químico do Rio; da ampliação do Pólo de Capuava/Cubatão e da anunciada instalação de uma refinaria petroquímica em Itaboraí-RJ, investimento que prevê a conversão de óleo pesado do campo de Marlin em matérias-primas para a petroquímica. Destoa também da anunciada e presumivelmente revertida estratégia da própria Braskem em surfar no tsunami do presidente Hugo Chávez, investindo em projetos venezuelanos de eteno/polietileno e polipropileno. A esse provável revés, ditado pela quebra de confiança nos propósitos de Chávez, somam-se duas outras frustrações, que também estiveram nas páginas de economia e lembram a situação do cidadão da charge que fica suspenso sem a escada e com a broxa na mão. A primeira é a reversão da expectativa, também ditada por incertezas da política e da diplomacia, da participação societária no projeto de polietileno que seria implantado na fronteira com a Bolívia; e a outra, a não realização da opção que possibilitaria a ampliação da participação da Petroquisa no capital votante da Braskem, dos atuais 10% para 30%, em troca de ações da Copesul, suficientes para garantir o controle acionário desta unidade de insumos básicos. Há agora a expectativa de que, em decorrência desses reveses, a prioridade estratégica da Braskem seja focada no 2o Pólo, onde estão oito das suas treze unidades de produção, dentre as quais a Politeno, cujo controle acionário foi recentemente adquirido da Suzano Petroquímica. Opções de saída - Engenheiros e consultores que atuam na Bahia, dentre eles o ex-superintendente da Copene, (atual unidade de insumos básicos da Braskem) Ary Silveira, apontam a viabilidade para que sejam avaliadas as oportunidades de utilizar características específicas da Bahia, que possibilitariam a integração de toda a cadeia de hidrocarbonetos e o conseqüente abastecimento integral da matéria-prima requerida em Camaçari, incluindo as ampliações. Essa integração incluiria o aproveitamento de correntes subutilizadas da Refinaria Landulfo Alves de Mataripe (RLAM) e de uma parcela do gás natural procedente das reservas baianas. Na refinaria, o processo seria reajustado para converter, por meio do
processo de craqueamento por hidrogenação (HCC), o excesso
de óleo pesado (fuel oil), hoje exportado a preços baixos,
em matérias-primas para a petroquímica - destilados médios
como nafta, querosene e gasóleo leve. Há ainda a opção de instalar no Porto de Aratu uma unidade de recebimento e regaseificação de gás natural liquefeito (GNL), acoplada à unidade de separação de C2+ das correntes de gás natural do Recôncavo e de Manati, o que possibilitaria recuperar integralmente o frio gerado no processo de regaseificação do GNL. O gás que chegasse por via marítima seria, preferivelmente, rico em C2+, aumentando o teor médio disponível em todo o suprimento. Entre os fatores específicos que viabilizariam tal estratégia
estão o baixo consumo local de fuel oil, em decorrência da
matriz industrial do Estado ser fortemente concentrada em setores como
celulose, siderurgia, alumínio, cobre e petroquímica, que
demandam volumes relativamente pequenos de óleo combustível;
a disponibilidade de gás natural, insumo alternativo mais econômico
e não poluente; e a crescente utilização, como carga,
de óleos pesados (18º/19 ºAPI) oriundos da Bacia de Campos. |
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