O propósito com o investimento no laboratório é aproveitar as margens de lucro das análises químicas, mais interessantes se comparadas às da destinação dos resíduos. Outro ponto é tentar conquistar, com os serviços laboratoriais, novos clientes para o aterro ou para blendagem de co-processamento. Além disso, por ser interligada com o laboratório da matriz da Veolia na França, a unidade de Tremembé pode atrair nichos de negócios com baixa oferta no País. Um deles é a análise de dioxinas e furanos, cada vez mais exigida no Brasil, sobretudo na indústria de alimentos, e com poucos laboratórios capacitados. Isso porque o equipamento (espectrômetro de massa), que possui limite de detecção em nível de trilhão (10-12 do grama), chega a custar US$ 1 milhão. A Veolia pode enviar a amostra e receber seus resultados em três semanas.

Assim como aumenta seu interesse pelo mercado de análises, a nova conjuntura faz a Veolia deixar de dar a devida atenção por outros segmentos em que vinha apostando um pouco de suas fichas. É o caso da oferta de terceirização de serviços de gerenciamento de resíduos, o chamado TWM (total waste management). “O cliente em geral ainda acha que é mais barato ele próprio fazer o serviço”, diz Palma. “Se a pressão de custo condiciona a escolha da destinação, mais ainda quando envolve a troca de modalidades de serviço”, completa.

A Essencis também flexibiliza um pouco sua atuação comercial para compensar os negócios mornos em tratamento de resíduos. A cartada mais relevante nesse sentido foi constituir uma divisão para remediação de áreas contaminadas, a Essencis Remediação, formada com a aquisição da empresa paulista Ambiterra e hoje totalmente incorporada ao grupo. “Este é um mercado que vem crescendo bem mais do que o de tratamento de resíduos, apesar de também gerar negócios para a destruição ou para o aterramento dos passivos removidos”, explicou o presidente da Essencis. A demanda é puxada principalmente pelo mercado imobiliário, que quer ocupar áreas contaminadas para seus empreendimentos, e por unidades industriais em descomissionamento.

Estado ausente – Não é apenas a visão imediatista dos geradores de resíduos que prejudica o crescimento do mercado de gerenciamento. O misto de omissão e ineficácia estatal no controle e na gestão ambiental também contribui negativamente. Na opinião dos especialistas, os órgãos ambientais estão muito mais focados nos processos de licenciamento do que na responsabilização propriamente dita, ou seja, na fiscalização. “Além de não terem muitos recursos, os que eles possuem são voltados para o licenciamento e não para controlar as empresas”, completa o diretor presidente da Essencis, Carlos Roberto Fernandes.

Segundo o dirigente, essa postura gera um problema de fundo que norteia a lentidão do mercado. “O licenciamento é apenas uma intenção de boa conduta e não uma garantia”, diz. Em resumo, isso significa que os órgãos ambientais ficam mais preocupados com os empreendimentos produtivos antes de eles iniciarem a produção, deixando-os mais “sossegados” depois de darem partida em suas unidades. Logicamente, sabendo da leniência estatal, as empresas se sentem mais à vontade para não adotar os melhores procedimentos. Recorrer a soluções baratas e duvidosas, portanto, em detrimento de tecnologias seguras, torna-se uma prática sem muito risco.

Evolução da geração de resíduos na indústria química*

Informação 2001 2002 2003 2004
Empresas que responderam 105 110 108 104
Produção geral (t/ano) 32.361.719 34.932.416

35.604.069

39.532.434
Resíduos perigosos (kg/t produto) 2,88 2,89 2,60 2,84
Resíduos perigosos (t/ano) 93.202 100.955

92.571

112.272
Resídios não perigosos (kg/t produto) 7,16 6,86 7,06 6,15
Resídios não perigosos (t/ano) 231.710 239.636 251.365 243.124
Total de resíduos gerados (t/ano) 324.912 340.591 343.935 355.397
Fonte:Abiquim-2005
 
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