Indústria centra esforços para proteger a pele

Novos ativos comprovados quanto à eficácia in vivo e in vitro, proteção UVA, ativos vegetais amazônicos, ativos com certificação orgânica e inovações biotecnológicas deverão enriquecer as fórmulas cosméticas da próxima temporada, enfatizando a beleza sob o enfoque mais amplo da saúde. Essas e outras novidades foram apresentadas na 11a FCE Cosmetique, a exposição internacional de tecnologias para a indústria cosmética, evento integrado à FCE Pharma.
Os atuais ativos cosméticos refletem a preocupação dos pesquisadores em provocar respostas neuroimunológicas da pele mais efetivas contra a celulite, mal que atinge principalmente as mulheres.

Pesquisas hoje empreendidas em várias partes do mundo levam em conta biorritmos humanos e princípios de cronobiologia, identificando substâncias que conciliem efeitos benéficos para a pele durante o dia e também durante a noite. Seguindo nessa direção, estudo conduzido pela Chemyunion evidenciou que a última palavra em ativo vegetal para combater a celulite se baseia em marapuama e catuaba.
Ativos vegetais enriquecem fórmulas cosméticas

As plantas da floresta amazônica, conhecidas por suas atividades afrodisíacas, tônicas, ativadoras da circulação sanguínea e drenantes, ativam a microcirculação, melhoram o fluxo sanguíneo, permeando a pele sem causar reações irritativas ou alérgicas.

Segundo Cristiane Rodrigues da Silva, diretora de negócios internacionais da Chemyunion, as duas substâncias reunidas num só produto, denominado Slimbuster H, foram avaliadas quanto à eficácia e segurança por intermédio de estudo clínico.

“Ao utilizarem loção hidratante fluida contendo 5% de Slimbuster H, extração concentrada e hidroglicolizada de marapuama e catuaba, enriquecida com saponinas de pfaffia, 43 mulheres colheram benefícios, apresentando melhora no quadro de hidrolipodistrofia ginóide em 57% dos casos, após 30 dias de uso, e em 83% deles, após 60 dias de uso, confirmando que os usos diurno e noturno das substâncias potencializam ainda mais seus efeitos benéficos no combate à celulite”, informou.
Outro ativo vegetal estudado pela empresa (Slimbuster L), formulado com substâncias do café verde e fitoesteróis de canola para uso em cremes, loções e géis, também evidenciou propriedades anticelulite com ação lipolítica de quebra de gordura nas células após 48 horas, observadas em testes de cultura, em concentrações de uso de 2,5%.

Proteção UVA – A ciência cosmética retomou as discussões sobre a importância da proteção da pele contra as radiações UVA e, ao que parece, dessa vez reunindo grandes chances de convencer maior número de indústrias a empregar as tecnologias já existentes.

Responsáveis pela destruição/quebra das fibras de sustentação, como colágeno e elastina, e causadoras de fotoenvelhecimento e manchas, as radiações UVA provocam danos irreversíveis, tão ou mais prejudiciais à saúde e à beleza quanto os danos provocados pelas radiações UVB, causadoras de vermelhidões, eritemas e queimaduras.

Bastante difundidos mundo afora, os absorvedores UVB, ou seja, aqueles que absorvem a luz em comprimentos de onda de 290 nm até 320 nm (nanômetros), foram enquadrados em fatores de proteção solar (FPS), largamente utilizados em produtos finais, mas indicando exclusivamente a proteção contra os raios UVB.
Ângela: absorvedores para radiação UVA

Para proteger a pele contra a luz UVA, em comprimentos de onda de 320 nm até 400 nm, segundo Ângela Martins, gerente de marketing da Ciba para a América Latina, já se encontram absorvedores disponíveis. Ocorre, porém, que ainda não foi instituída metodologia única para mensurar a proteção UVA, tal qual ocorre com a UVB, embora alguns métodos já estejam sendo hoje utilizados para confirmar a presença e a eficiência dos absorvedores UVA. “Por enquanto, Japão, Austrália e Reino Unido já adotaram regulamentações para mensurar a proteção UVA. Na Austrália e no Reino Unido, os métodos para medir a proteção UVA são in vitro e, no Japão, o método é in vivo, definindo três níveis de proteção”, informou.

Ao que tudo indica, porém, a metodologia que reúne maiores chances de aprovação na Europa é in vitro. Denominada UVA-Balance, foi desenvolvida por pesquisadores alemães e promove o balanceamento entre as proteções UVB e UVA, definindo níveis de proteção UVA, não em números, como se faz com a proteção UVB, por intermédio do FPS. Caso seja aprovada, é bem provável que passe a regulamentar procedimentos em outros continentes.
Na área de fotoproteção, a Ciba destacou durante a FCE Pharma uma linha de absorvedores de amplo espectro UVA/UVB, um deles derivado de benzotriazol e o outro formado por hidroxifenil triazina.

Um filtro físico nanoparticulado para proteção UVB e UVA (Optisol), premiado pela HBA Awards, em setembro de 2005, em Nova York, também foi alvo de apresentação nessa exposição, por parte da inglesa Croda, que firmou parceria com a Oxonica, grupo europeu reconhecido no setor de nanotecnologias. O produto também terá distribuição local.

Desenvolvido para formulações de protetores solares, cremes e loções para a pele e maquiagens, é compatível com filtros solares orgânicos e inorgânicos, e possui alta fotoestabilidade. Capaz de prevenir em 95% a formação de radicais livres, confere alta proteção UVA e UVB, melhora a fotoestabilidade de formulações contendo absorvedores UV orgânicos, e diminui a fotodegradação das vitaminas E e C, nesse caso, quando em meio aquoso.

Certificação orgânica – As especialidades em óleos e ativos da Amazônia também foram destacadas no estande da Beraca. A linha Rain Forest Specialties, composta de óleos, manteigas, argila branca, entre outras bases vegetais e especialidades da biodiversidade brasileira, foi complementada pelo óleo de açaí. Rico em ácidos graxos, ômega 3, 6 e 9, fitoesteróis, vitamina C e polifenóis (antocianinas), o produto acaba de obter certificação orgânica, concedida pela Ecocert, tendo indicações de uso em cosméticos em geral, em especial nos produtos contra envelhecimento por suas propriedades anti-oxidantes e revitalizantes da pele.

A certificação orgânica representa processo que assegura a compra de produtos livres de contaminação e isentos de derivados de produtos geneticamente modificados. Além de preservar esses aspectos, tal certificação somente é concedida ao produto cujo processo produtivo comprove respeito à integridade e à qualidade do ambiente natural.

Para formulações cosméticas corporais, mais suaves e menos abrasivas, a empresa também desenvolveu esfoliantes naturais da linha Bioscrubs, contendo partículas de açaí, andiroba, buriti, cupuaçu e murumuru. Além de remover as células mortas, seu uso melhora a circulação e rejuvenesce a pele.
Nancy: derivado do óleo de arroz retarda envelhecimento
 
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