Com visão mais crítica em relação ao futuro da produção mais limpa, Rosele de Felipe Wittée Neetzow, coordenadora do núcleo tecnológico do Centro Nacional de Tecnologias Limpas (CNTL) com sede em Porto Alegre, aponta como desafio da indústria neste momento conseguir diminuir para índices insignificantes os chamados tratamentos fim de tubo.
 
Na ótica do CNTL, a palavra-chave em produção mais limpa é substituição de tecnologia de processo como forma de diminuir a aplicação de matérias-primas, otimização de tempo de processo, eliminação de emissões."Essa é a parte mais complicada, porque os investimentos necessários estão muito longe da capacidade financeira das micro e pequenas empresas."

   Fernando C. de Castro

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Rosele critica também a maneira como as consultorias estrangeiras tentam vender suas soluções muitas vezes se valendo da falta de informação do empresário brasileiro. "O cara chega aqui e diz que tem uma tecnologia nova como por exemplo a osmose reversa. Só que não é nova. É velha e cara. "Se fica fora do poder aquisitivo, a empresa não entra na produção mais limpa", resume Rosele. E continua ao lembrar que um País capaz de construir aviões, satélites e enriquecer urânio poderia perfeitamente desenvolver tecnologias próprias em nome da produção mais limpa. "É muito comum o pessoal ir às feiras no exterior e fotografar equipamentos para tentar copiar, mas muitas vezes não dá certo porque o que parece ser uma coisa por fora é diferente por dentro."

Em sua opinião, há setores do empresariado ainda desconectados com a questão ambiental, os quais consideram o tema uma celeuma dos ecologistas. "A Confederação Nacional da Indústria incluiu o tema da produção mais limpa em seu mapa estratégico para as empresas começarem a cumprir entre 2007 e 2015", criticou Rosele.

Ela explicou que o importante é a empresa entender a produção mais limpa com base no enfoque competitivo e descreveu a situação de uma pequena indústria de alimentos gaúcha, a qual fabricava dez toneladas de farofa de cuca (um pão doce de origem alemã) e jogava fora sete toneladas no processo de cobertura do produto.Com a consultoria do CNTL passou a produzir sete toneladas usadas na colocação das mesmas três toneladas sobre o alimento. O ganho é de R$ 3 mil por ano.

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 Esse tipo de gargalo, acrescentou Rosele é muito observado em indústrias de fibra de vidro em que enormes volumes da manta ficam no chão após a aplicação em uma piscina, reservatório, carroceria, peças de ônibus, entre outros produtos.

"Uma empresa do ramo da indústria gráfica descobriu que a cada mil quilos de tinta empregados na impressão, quinhentos quilos ficam impregnados nos cilindros de aço revestidos em borracha.

 

 
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