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AMBIENTE
Ministro elogia a indústria química
A parte básica da política ambiental na indústria química
está resolvida. A etapa presente vai no caminho de criar alta performance
do sistema, porque é um fator importante no processo de inserção da
economia brasileira no mundo globalizado. Tal afirmação é do ministro
interino do Meio Ambiente, Cláudio Langoni, um ex-militante da causa
ecológica no Rio Grande do Sul, o qual durante pelo menos vinte anos bateu
de frente com o meio empresarial.
| Langoni foi um
dentre 68 convidados a participar dos eventos técnico-científicos, por
ocasião da Feira Internacional de Ecologia e Meio Ambiente (Fiema),
realizada na cidade gaúcha de Bento Gonçalves, de 3 a 6 de maio. |
Fernando C. de Castro |
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| Langoni (esq.) e Moura: avanços
apontados durante a Fiema |
Ele conversou com o público na conferência principal do dia 5 e
lembrou a inserção do País nos protocolos internacionais como Basiléia,
Toronto e Kioto e ressaltou o engajamento da indústria química no
sentido de se adequar aos acordos internacionais e à legislação vigente
no Brasil.
O ministro reafirmou o compromisso do País em banir 18 tipologias de
solventes orgânicos com PCBs, PCTs (terphenys policlorados) e PBBs (bifenilas
polibromadas), óleos fósseis, efluentes de clínicas médicas, além de 27
formas de esgotos industriais onde são identificadas as presenças de
substâncias como o mercúrio, chumbo, asbestos, cianetos, solventes
orgânicos halogenados, composições essas definidas no Anexo III do
Protocolo de Basiléia quanto à inflamabilidade, toxicidade, potencial
infeccioso e corrosivos. "Essas questões foram absorvidas pela
indústria. O próximo passo é gerenciarmos o processo e diminuir cada vez
mais o uso de matérias-primas, o que definimos como produção mais
limpa", sugeriu o ministro.
Conforme salientou, nenhuma decisão importante hoje é tomada no mundo
sem a opinião do Brasil, porque o País é referência mundial em
preocupação com o meio ambiente e a legislação aqui é rigorosa. O mais
difícil ainda é projetar uma política de longo prazo. Por exemplo, havia
uma certeza sobre o suprimento de gás da Bolívia até a dupla Hugo
Chaves-Evo Morales desencadear sua onda de incertezas. "Há dez anos
havia pressão para a construção do gasoduto. Agora existem pedidos nos
organismos ambientais para que as indústrias voltem a produzir energia
por meio de diesel, pois querem se proteger de uma eventual quebra de
contrato", alertou.
Langoni afirmou que os ambientalistas devem propor estratégias de
desenvolvimento com a incorporação de iniciativas em favor da
preservação com a busca de uma agenda comum com o setor empresarial. "A
degradação do ecossistema não pode ser combatida apenas com fiscalização
e medidas punitivas, mas também com a criação de alternativas econômicas
para os setores que estão produzindo sem levar em conta a
sustentabilidade", afirmou.
Quando a produção industrial coloca em perigo o meio ambiente o ministro
encarna o ecologista sem meias palavras. Na palestra, Langoni confirmou
sua decisão de mandar fechar duas das quatro usinas transformadoras de
minério de ferro em gusa do Pará, porque segundo ele, as carvoarias
derrubam a mata nativa para obter carvão vegetal empregado no
aquecimento dos fornos.
"Foram reuniões tensas. Quando estivemos lá resolveram interditar a
cidade e tivemos a impressão de que não sairíamos de lá. É um problema
cultural deles. Oferecemos a alternativa de plantarem eucalipto nas
áreas já desmatadas, mas eles resistem a esse tipo de árvore que cresce
rápido e resolveria o problema", salientou Langoni. "A indústria de aço
do Brasil é de primeiro mundo, mas a primeira geração da cadeia é
arcaica e precisamos resolver o problema, porque do contrário fecharemos
as usinas de ferro-gusa de Minas Gerais, também", alertou o ministro.
Mauro Gomes de Moura, da Fundação Estadual de Proteção ao Meio Ambiente
(Fepam), considera a gestão ambiental uma oportunidade de mercado para
empresas pró-ativas. No centro do debate, estão as barreiras de
competição e as convenções internacionais e internacionais como o
Protocolo de Kioto e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
No Rio Grande do Sul, 75% da população reside em 127 dos 467 municípios
e essa parcela é protegida por licenciamento ambiental.
Conforme afirmou Moura, o governo gaúcho, sempre rigoroso no aspecto
ambiental, já encontrou condições favoráveis para diminuir o tempo para
concessão de licenças para quem estiver certificado com a Iso 14000,
como já faz o governo de Minas Gerais. Dessa forma, existem alguns
mecanismos de parcerias para romper amarras como os convênios com as
principais prefeituras municipais, as quais mantêm secretarias e
organismos de controle ambiental capacitados para avaliar, fiscalizar e
conceder licenciamentos.
Em breve, o monitoramento das 10 mil propriedades rurais será realizado
por meio de sistema de posicionamento global por satélite (GPS). O
Estado será dividido em 20 zonas ambientais. O recurso tornará possível
saber se os responsáveis realizam as vistorias e conferem a obediência à
legislação ambiental. Outro produto da tecnologia é o software
denominado Serviço Integrado de Decisão, por meio do qual todas as
informações sobre o impacto ambiental do conjunto dos empreendimentos
entrarão numa data base, capaz de cruzar todos os dados.
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