Mas os investimentos regionais param por aí. “O clima para investir está frio por causa do câmbio baixo e do alto preço da principal matéria-prima, a nafta, que afetam os resultados financeiros e tornam inviáveis novos projetos”, criticou José Ricardo Roriz Coelho, presidente do Sindicato da Indústria de Resinas do Estado de São Paulo (Siresp) e diretor-superintendente da Suzano Petroquímica, divisão polipropileno (a antiga Polibrasil).

Venda alta, preço baixo – Depois das vendas magras de resinas plásticas nos últimos meses de 2005, a demanda nacional começou o ano mais animada. Dados do Comitê de Termoplásticos da Abiquim (Coplast) estimam o crescimento de vendas nacionais de resinas termoplásticas em 13% no primeiro trimestre deste ano em relação ao último trimestre de 2005. No mesmo período, as importações desses materiais também cresceram em torno de 18,9%, favorecidas pela relação cambial que valoriza o real perante o dólar. Enquanto isso, as exportações foram aumentadas em 9,5%, embora tenham caído 4,8% em relação ao primeiro trimestre de 2005, ocasião em que a exportação foi excepcionalmente majorada como alternativa ao débil mercado interno.

“Esses números comprovam que a demanda nacional por resinas é firme, pelo menos em termos de volume e a indústria nacional se esforça para mantê-la suprida”, afirmou Roriz Coelho. No entanto, os preços obtidos estão em queda, pela ampla disponibilidade de produtos importados, tanto na forma de resina quanto na de produtos acabados. No caso do polipropileno da Suzano, as vendas totais no primeiro trimestre foram 4% maiores que as do trimestre anterior, mas a receita líquida não saiu da casa dos R$ 410 milhões.

A Polietilenos União, do grupo Unipar, produtora de PEBD no pólo paulista, obteve receita líquida de R$ 94,5 milhões no primeiro trimestre deste ano, com redução de 13% em relação ao último trimestre de 2005, explicada pela queda do preço médio de vendas. O volume de vendas foi aumentado em 1% no período. Como resultado, a geração de caixa medida pelo EBIDTA foi de R$ 4 milhões no trimestre, 62% menor que a verificada no trimestre anterior.

A queda de margens foi geral no setor. A Petroquímica União registrou no primeiro trimestre margem bruta de 6,2%, muito abaixo dos 14,1% verificados no primeiro trimestre de 2005. Pelo critério do EBIDTA, na comparação entre esses períodos, a queda foi de 64%. Para a companhia, além da pouca disposição da cadeia produtiva em absorver repasses, a elevação de 6% no preço médio da nafta nos primeiros meses deste ano afetou o resultado.

“Com o álcool e a possibilidade de produzir biodiesel, o Brasil tem forte vantagem competitiva nos combustíveis, mas isso não ajuda em nada a indústria”, criticou Roriz Coelho. “A nafta e o gás natural sobem mês a mês, mas temos gasolina e diesel baratos.”
Ele também atira contra a taxa cambial, ao lembrar que, no passado, momentos de valorização relativa da moeda nacional contavam com algum alento proporcionado por mecanismos do tipo drawback verde-amarelo e incentivos fiscais. “Não temos nada parecido que pudesse atenuar as dificuldades atuais”, afirmou. Mas as importações ganham espaço com o real forte. O dirigente setorial lamenta a inação oficial para assegurar condições competitivas da divisa nacional. “Estamos na contramão, pois os países que pretendem se desenvolver desvalorizam suas moedas”, criticou. E, além disso, apresentam taxas de juros e política tributária compatíveis com esse objetivo.

Com base na evolução da demanda, a capacidade de produção de polipropileno da Suzano em São Paulo terá acréscimo de 60 mil t/ano até o final do primeiro semestre, aproveitando a parada programada para maio. Outras 90 mil t/ano serão adicionadas no segundo trimestre de 2008, sempre com base no aproveitamento de gases de refinarias da região. A companhia também desenvolve projeto de expansão para a unidade produtiva de Duque de Caxias-RJ, que terá mais 100 mil t/ano a partir do segundo trimestre de 2007, recebendo um terminal marítimo próprio para lidar com propeno. O elenco de projetos representa investimentos de US$ 95 milhões, financiados pelo International Finance Corporation (IFC) e pelo BNDES.
 
 
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