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Jorge Maldaner, coordenador-técnico da área de couros da Clariant, admitiu
neste momento a opção do grupo, com sede mundial na Suíça, em importar
químicos para couro de suas unidades estrangeiras até mesmo da China.
“Essa realidade é plenamente perceptível. Se fosse possível, os curtumes
importariam 100% das matérias-primas usadas no beneficiamento de couros”,
reconheceu Maldaner. “Todo produto que está dentro do drawback a indústria
química está trazendo de fora.” Os mais procurados são curtentes,
descalcinantes, auxiliares, recurtentes e corantes.
Como produz toda a linha consumida na cadeia produtiva do couro, a
Clariant consegue fazer importação direta de suas filiais estrangeiras,
diminuindo ainda mais o preço da encomenda. A vantagem do Brasil, opina
Maldaner, são as 200 milhões de cabeças de boi e a capacidade de abater 40
milhões por ano. “Por isso continuaremos a liderar a exportação de peles,
situação em que a China não tem como reagir.”
Como lançamento, a Clariant apresentou pela primeira vez ao público
brasileiro o Sandotan, novo tanino de recurtimento para estofamento
automotivo livre de cromo. O produto em estado líquido é a formulação base
para o recurtimento chamado wet-white, o couro curtido em tanino de
aparência branca e 100% livre de sais de cromo, produto gradativamente
banido da indústria automotiva e de móveis européias.
Silvestre de Custódio Neto, da Tanquímica, de Diadema, São Paulo, afirma
ter importado da China e da Europa tudo que foi possível. Sua fábrica se
transformou numa unidade de acabamento de formulações intermediárias. Ele
traz monômeros empregados na obtenção de pigmentos do país asiático. Da
Europa vêm sais de cromo, ácido fórmico, graxas, óleos, corantes e barilha.
“A China está crescendo 9% ao ano para criar divisas com a finalidade de
aumentar a renda de sua população de tal maneira a criar um mercado
interno, pois sabe que não tem como crescer a vida inteira respaldada nas
exportações”, opina Custódio.
Osmar Graff, da Tanac, um dos líderes mundiais em processamento de taninos
vegetais, explica que no seu nicho de negócio as exportações não caíram
significativamente, mas está aproveitando o dólar barato e o drawback para
revender ácido fórmico comprado dos chineses. Importa ainda corantes e
óleos de engraxe na ordem de 3 mil toneladas por ano.
Outra fornecedora para curtumes a se voltar às importações foi a Seta,
igualmente especializada no processamento de taninos vegetais. A empresa
ganhou até o prêmio Primus, conferido pela Copesul, categoria exportação,
para seus produtos de curtimento e recurtimento, quando colocava no
mercado exterior 80% das 15 mil toneladas/ano de extratos naturais
produzidos. Com o dólar flutuante, as exportações da empresa caíram para
65% e o repasse de formulações importadas cresceu 100%.
| A Seta reforça
agora sua atuação como distribuidora da Lanxess, de quem compra
diversos produtos importados como óleos, basificantes, taninos
fenólicos, pré-curtentes, fungicidas e bactericidas. “Já éramos
distribuidores da Lanxess e estamos intensificando as vendas para
tirar proveito da defasagem cambial”, reconhece Diogo Carlos Leuck,
gerente da área de vendas da Seta. Conforme ele, essa é uma saída para
diminuir o impacto negativo e a perda de rentabilidade.E não vai
faltar novidade para a Seta oferecer ao mercado. A Lanxess aproveitou
a Fimec para apresentar em seu estande próprio, um dos mais badalados,
alguns produtos novos como as linhas Atlas de engraxantes para
recurtimento e acabamento em todos os tipos de artigo, a X-Tra de
produtos para acabamentos da moda. |
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Leuck: importação cresce para
compensar queda na exportação |
Tem ainda a linha X-Grade de produtos que dão um upgrade no acabamento, um
novo produto à base de microcápsulas expansíveis ao calor para melhorar a
qualidade dos couros. A Lanxess desenvolveu igualmente a linha Levaderm de
corantes líquidos de acabamento para cores intensas com excelentes
resultados de solidez.
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