| O glamour do exótico – A
demanda aquecida instiga a indústria a se renovar constantemente.
Por isso, há alguns anos, as fábricas adotaram como palavra
de ordem a promoção de lançamentos. Tanto que, segundo
estimativa de Nunes, no mínimo de 20% a 30% do faturamento anual
das empresas advém de novos desenvolvimentos. “A cada mês,
é preciso lançar um produto”, constata Nunes. Essa
característica impacta de forma positiva a atuação
das companhias, pois passaram a requerer bases flexíveis e ativos
dos mais variados. Grande parte das indústrias, hoje, atua com produtos formulados com extratos vegetais. Fundada em 1956, a Beraca Ingredients possui a divisão Amazônica Beraca-Brasmazon, que produz a linha Rain Forest Specialties, composta por óleos e manteigas da biodiversidade brasileira, além de outros ingredientes considerados naturais. Ao que tudo indica, os negócios vão bem. A empresa prevê investimentos de mais de US$ 10 milhões até 2008. A multinacional inglesa Croda também investe em novidades. Responsável pela criação no Brasil da divisão Crodamazon, o grupo se propõe a estudar, pesquisar, desenvolver e aproveitar produtos e subprodutos derivados de plantas. A idéia é se basear em uma política permanente de preservação de recursos naturais e de promoção do desenvolvimento sócio-econômico das regiões envolvidas. Não é de hoje que o País está no centro das
atenções do mercado mundial de cosméticos. A mudança
está na postura do setor. Segundo a Abihpec, mostra-se mais rigoroso
e atuante o controle dos órgãos ambientais e das entidades
certificadoras, a exemplo do The Forest Stewardship Council (FSC), representado
no Brasil pelo Imaflora, e organizações não-governamentais,
como Amigos da Terra (Friends of the Earth), ISA (Instituto Sócio
Ambiental) e Greenpeace, entre outras. O objetivo é evitar o extrativismo
predatório. “Temos um grande diferencial em nossas mãos
que precisa ser usado com responsabilidade”, aponta o gerente de
marketing da Croda do Brasil, Sérgio Gonçalves, referindo-se
à Região Amazônica. Para Basilio, nota-se que a indústria
brasileira está cada vez mais presente na elaboração
dos processos regulatórios internacionais de utilização
de ativos naturais. “Queremos ser atores desse espetáculo”,
afirma. |
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