COSMÉTICOS  

Martinez

Diversificação do consumo
amplia as vendas do setor

Indústria vai à natureza para atender às novas exigências do consumidor

 Renata Pachione

A indústria brasileira de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos é hoje a quarta maior do mundo. Em relação ao faturamento, só perde para os Estados Unidos, Japão e França, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). No ano passado, o setor vendeu US$ 13,8 bilhões e galgou duas colocações no ranking mundial, superando as expectativas de especialistas do mercado. Nesse cenário, o segmento de cosméticos se firma como uma das áreas mais bem-sucedidas da atualidade. A constante renovação desta indústria, tendo por base sobretudo o uso de matérias-primas vegetais, ampliou a aceitação dos produtos de beleza e gerou um novo perfil de consumidor. Além do público tradicional, endossam as vendas, homens, adolescentes e os chamados grupos afro-étnicos.

Novas previsões dão conta de que neste ano, ou no máximo até 2007, o País alcançará o terceiro lugar, superando a França. Isso porque se espera encerrar 2006 com crescimento de 20%. No caso dos cosméticos, segundo estimativa da Abihpec, o segmento deve fechar o ano com vendas superiores a R$ 16 bilhões e volume de 1,4 milhão de toneladas, o equivalente a um aumento de 7% em relação a 2005. As perspectivas se sustentam em bases sólidas. São previstos investimentos anuais de US$ 100 milhões até 2010.

Esses resultados refletem um mercado em evolução. De 2005 para este ano, a quantidade de fábricas de cosméticos instaladas no Brasil cresceu. Hoje são 1.367 empresas autorizadas e regulamentadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), ante as 1.258 registradas no ano passado. Em relação à geração de oportunidades de emprego, o ramo de cosméticos também propaga índices animadores. Pesquisa realizada pela Abihpec aponta aumento de 5,28% no nível de empregos, entre fevereiro de 2005 e o mesmo mês de comparação deste ano. O dado resulta de coleta feita com 54 empresas. Juntas, elas representam 63,3% do faturamento setorial. Apesar de expressivos, os números vão além das informações oficiais. Ficaram fora dessa lista, cerca de 1 milhão de revendedores.

Poder de compra – Em 2005, o ramo de cosméticos avançou em faturamento 15,85% em relação ao ano anterior. O segmento de perfumaria registrou alta de 17,6% e o de higiene pessoal, 13,4%. Especialistas do setor assinalam alguns motivos para o incremento. Com o aumento do poder aquisitivo da população, o brasileiro passou a reconhecer os produtos de beleza como itens essenciais e não mais, supérfluos. “Quem estabelece a essencialidade do produto é o mercado. E sabe-se que somos vaidosos”, explica o presidente da Abihpec, João Carlos Basilio da Silva. Segundo pesquisas, algumas mulheres chegam a abrir mão do consumo de alguns itens alimentícios, em prol dos produtos de higiene e beleza. Além do efeito na aparência, para o presidente da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), Jadir Nunes, os cosméticos embutem um valor difícil de mensurar: elevam a auto-estima e contribuem para a estabilidade emocional dos indivíduos. “Os produtos imprimem qualidade de vida e bem-estar. É possível melhorar o astral, ao usar um cosmético”, pondera.
 

 
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