Já de início, aliás, Gallizioli comemora uma vitória. Uma primeira concorrência de reúso, para a construção de um sistema de R$ 10 milhões na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim-MG, que aproveitará parte do efluente da refinaria como make-up de uma torre de resfriamento, foi vencida em abril pela Veolia. Trata-se ainda de fase preliminar do reúso planejado na Regap, para gerar “apenas” 60 m3 por hora de água industrial para resfriamento, sendo que há potencial na unidade para reusar cerca de 500 m3 dos efluentes gerados. Foi uma concorrência promovida pelo próprio Cenpes, e que apesar de não ser mais em escala piloto, servirá para a estatal avaliar melhor a eficácia do sistema e assim reaplicá-lo Brasil afora

A unidade a ser construída pela Veolia complementa o tratamento existente na unidade, o qual inclui um sistema de separação primária API óleo-água, seguido da separação secundária por flotador de ar dissolvido (DAF) e por lagoa de aeração para remover DBO e um reator biológico de contato.

Cuca Jorge

Gazioli está de olho nas obras de reúso da petrobrás

 A nova unidade instalada para polir o efluente tratado vai contemplar, primeiramente, o sistema de decantação acelerada Actiflo, patenteado pela Veolia e que se utiliza da chamada floculação lastreada, por meio da qual um elemento inerte (microareia) na formulação do polímero aumenta o peso do floco formado, acelerando a decantação. “Isso diminui o tempo de retenção de 25 minutos para cerca de 5 minutos”, explica. A taxa de decantação passa de 40 a 60 metros por hora, contra 2 metros por hora do sistema convencional.

ETE da Recap: reúso vai ser adoto

Após a decantação acelerada, ainda é preciso remover mais contaminantes do efluente, para acondicioná-lo para a torre de resfriamento. Na seqüência, haverá um filtro de areia, para a remoção de sólidos suspensos sobressalentes, e outro de carvão ativado, para adsorção dos compostos orgânicos solúveis. No final da estação, há o polimento, realizado pela eletrodiálise reversa, um sistema eletroquímico para desmineralização da água, que tem a vantagem de ser mais robusto e utilizar baixa pressão para a operação. Por baixar a salinidade da água em apenas 70%, ao contrário da osmose reversa, por exemplo, que a reduz em 98%, a eletrodiálise se torna mais viável para reposição de torres. Se o reúso fosse para caldeiras, por outro lado, ela não atingiria o grau de desmineralização necessário, só atingido ou pela osmose reversa ou pelas resinas de troca iônica.

 
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