TRATAMENTO DE EFLUENTES
Indústria gera boas expectativas
Nunca o mercado de tratamento de efluentes precisou se fixar
tanto no setor privado para manter um ritmo no mínimo sustentável
de negócios. Normalmente fornecedores também para obras
públicas, que nos bons tempos de licitações chegam
a ocupar a maior parte das vendas do ramo, os detentores de tecnologias
de sistemas e equipamentos sentem a inoperância estatal para investir
em saneamento e se esforçam como nunca para expandir os fornecimentos
para os diversos setores industriais do País. A bem da verdade 2005 também não foi um ano
agradável mesmo nas vendas para a indústria, muito provavelmente
por causa da crise política que arrefeceu o ânimo dos investidores.
Para este ano, porém, a promessa é de retomada em vários
setores. Refletem esse otimismo, por exemplo, negócios com a Petrobrás,
que começa a colocar em prática um programa nacional de
reúso de efluentes em suas refinarias, e várias concorrências
previstas em siderurgias e indústrias de papel e celulose, ambos
os setores considerados em forte aquecimento. Compartilha dessa visão do mercado o diretor comercial
da Veolia Water Systems, Giangiacomo Gallizioli. Segundo ele, a movimentação
das grandes concorrências na área começa a ser notada
neste ano, algumas delas fruto de postergações ocorridas
em 2005. Na lista de projetos interessantes para 2006, Gallizioli lembra
de alguns: uma estação de tratamento de efluentes de 135
mil m3 por dia na Bahia Sul Celulose, de Mucuri-BA, obras na International
Paper, VCP e Aracruz, além de concorrências em várias
siderúrgicas pelo Brasil, como as programadas expansões
na Açominas, CST, Usiminas, Belgo Mineira (grupo Arcelor) e até
mesmo uma unidade nova da Companhia Siderúrgica Atlântica
(CSA), parceria entre o grupo alemão Thyssen (90%) e a Vale do
Rio Doce (10%), que começa a ser construída neste ano no
distrito de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Como uma das principais fornecedoras do tipo EPC (Engineering,
Project and Construction), especializada em sistemas completos de tratamento
e participante das licitações como líder de propostas,
a Veolia registra um desempenho que resume bem o atual estado do mercado.
Também grande supridora de companhias estaduais de saneamento,
a empresa de origem francesa praticamente esqueceu os negócios
na área, segundo afirmou seu diretor comercial, e centrou todas
as esperanças e esforços no setor privado. Além do descaso federal, que não se apressou
em facilitar o crédito aos recursos disponíveis para saneamento,
a questão cambial também afetou outros negócios em
andamento. Na Veolia, isso foi nítido com as várias obras
mantidas com a companhia de saneamento do Rio de Janeiro (Cedae). Como
os recursos para as obras foram obtidos com bancos internacionais, no
caso o japonês JBIC, o enfraquecimento do dólar diminuiu
em muito o poder de investimento (e pagamento) do governo carioca. O resultado
é que o grupo está sem receber em muitas obras. “E
em ano eleitoral nem adianta esperar os atrasados”, lamenta Gallizioli. O desalento com o setor público fortaleceu a preocupação
da Veolia, por exemplo, nas vendas para a Petrobrás, que coloca
em ação seu projeto de reúso de efluentes em refinarias
(ver QD-444, pág. 23). Após uma fase de pesquisa coordenada
pelo Cenpes, que incluiu a operação de várias unidades
piloto para testar as técnicas de reúso, a estatal começa
a realizar as concorrências para os projetos planejados. Segundo
Gallizioli, a empresa foi avaliada em muitas tecnologias, envolveu-se
com a Petrobrás nos estudos e, em virtude de seu perfil de fornecedora
de pacotes completos de tratamento, deve participar com muitas chances
nas licitações, ao lado de outras empresas do estilo, como
Tecnoimpianti e Enfil, por exemplo.
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