O setor de tintas para impressão está em pleno processo de consolidação. No final do ano passado, dois movimentos de peso impactaram o mercado, com reflexos significativos no Brasil. O maior deles foi a formação do Flint Group, resultado da fusão da americana Flint Ink com a alemã XSYS, a antiga Basf, que passaram a pertencer ao grupo financeiro europeu CVC. O segundo movimento foi a compra dos negócios de tintas para embalagem da suíça Sicpa pela alemã Siegwerk. Ao mesmo tempo em que as empresas adaptam suas novas estruturas no Brasil e refazem estratégias, novos lances de consolidação são esperados no mercado.

O novo Flint Group é uma corporação de 160 fábricas no mundo e um faturamento anual de US$ 2,7 bilhões. É o segundo grupo do segmento de tintas para impressão, atrás apenas da Sun Chemical, com faturamento anual de US$ 3,2 bilhões. A Siegwerk vem bem atrás, com vendas anuais de 773 milhões de euros, o que representa aproximadamente US$ 915 milhões.

“No Brasil, a fusão da Flint com a XSYS resulta em uma complementaridade”, informa Adhemur Araújo Pilar, diretor comercial do Flint Group. A Flint é a principal empresa no País em tintas para o mercado editorial. Já o forte da XSYS é o setor de embalagens. Quem lidera o setor de embalagens no Brasil é a Sun Chemical.

A disputa no segmento de embalagens fica ainda mais acirrada com a entrada da Siegwerk. O acordo feito pela empresa alemã com a Sicpa prevê que a empresa suíça continuará no mercado, atendendo ao segmento de tintas de impressão de segurança para documentos, como papel-moeda, nota fiscal, vales para refeição e transporte e cartão de crédito.

Mas 80% dos negócios da suíça Sicpa no Brasil eram voltados para o mercado de tintas para embalagens flexíveis. É esse negócio que a Siegwerk assumiu. Comenta-se que, por enquanto, a Siegwerk ainda está terceirizando sua produção local com a Sicpa e complementando sua linha com importações. Diretores das duas empresas foram procurados pela reportagem de Química e Derivados sobre os planos para o Brasil e, principalmente, se a Siegwerk planeja construir uma fábrica própria no País. As tentativas de contato, porém, foram infrutíferas.
 

 
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