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A transferência da responsabilidade sobre toda a logística
para terceiros ainda é pouco admitida pelas empresas do setor. “É uma
tendência mundial, e já existem operadores que fazem esse trabalho melhor
que os fabricantes de produtos”, admitiu Sartor. O maior uso dessa
alternativa depende de mudança de mentalidade, tanto dos prestadores de
serviços, quanto dos contratantes. Segundo o especialista, a quase
totalidade dos operadores logísticos veio das áreas de transporte ou de
armazenagem, e muitos deles ainda enxergam a logística como um simples
complemento de negócios. Dos contratantes, uma boa parte quer apenas
“estar na moda”, sem atentar para as possibilidades de melhoria do serviço
e de economia na cadeia produtiva.
Sartor comenta que, no passado, havia um temor muito grande de transferir
operações com químicos pela falta de transportadores qualificados. As
vendas FOB (sem agregar frete) também tinham peso muito grande na
atividade. “O Sassmaq veio para assegurar a qualidade do serviço de
transporte para os contratantes e as vendas FOB tendem a acabar, porque os
fabricantes passaram a ser responsáveis solidários pelo transporte de seus
produtos”, explicou. Com o aumento das vendas CIF (com frete de entrega),
as indústrias passaram a ter relacionamento mais intenso com
transportadoras e operadores. “Os clientes precisam ter consciência disso
e valorizar a qualidade e a segurança”, disse.
Do ponto de vista prático, o Sassmaq apresentou vantagens para
transportadores e para as indústrias. Antes dele, cada companhia química
tinha seus sistemas de avaliação e seleção de fornecedores feitos com
critérios próprios. Para as empresas de transporte, isso significava
submeter-se a auditorias periódicas de tantas empresas quantas desejassem
atender. Alguns chegaram a montar equipes internas só para acompanhar
auditorias. Isso também representava um ônus para as indústrias, cujos
profissionais de logística e segurança precisavam dedicar longo tempo na
avaliação dos relatórios de auditoria.
Desde 2005, as associadas da Abiquim passaram a ser obrigadas, dentro dos
critérios do programa Atuação Responsável, a só contratar transportadoras
para granéis que contassem com avaliação Sassmaq. “A partir de 2006, essa
exigência passa a valer também para produtos embalados”, informou Gisette.
A restrição a empresas de fora do Sassmaq não tornará menos competitivo o
mercado. Segundo a assessora técnica, já foram avaliadas 470
transportadoras até abril deste ano, e muitas outras estão em processo de
avaliação. Dados obtidos com os associados indicam que o setor contrata
serviços de cerca de 600 a 800 transportadoras no País.
Além das avaliações iniciais, é preciso considerar a necessidade de
promover a reavaliação de cada empresa de dois em dois anos. Em 2006, por
exemplo, está previsto grande volume de trabalho que não poderia ser feito
só pela Abiquim. “Fizemos um acordo com o Sest/Senat [órgãos de serviços
sociais e de aprendizagem ligados ao setor de transportes] para
treinamento de pessoal da indústria química para implantação de sistemas
de gestão, atividade que também pode contar com grande número de
consultores independentes”, comentou. A quantidade de organismos
certificadores passou de dois para nove, e o número de auditores
acreditados no Brasil já passa de setenta.
O conceito de melhoria contínua está na base do Sassmaq, evidenciando-se
na segunda edição, de julho de 2005. A obrigatoriedade de cumprir a nova
versão contou com prazo ampliado para 2006, dadas as dificuldades de
implementação. Uma das novidades é a extensão do Sassmaq aos
subcontratados pelas transportadoras avaliadas, fato de grande ocorrência
nos produtos embalados. “Há quem leve 50% com frota própria e 50% com
subcontratados e destes não era exigido o Sassmaq”, comentou Gisette.
Outras exigências recentes do programa compreendem
a limitação da idade da frota, com máximo de dez
anos para granéis e de quinze anos para embalados, e a necessidade
de informar o destino de resíduos (como lubrificantes), o quadro
de horários dos motoristas (incluindo autônomos) e o controle
da velocidade dos subcontratados.
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Gisette salienta que o Sassmaq deve ser visto como
estímulo ao aumento da qualidade e eficiência setorial.“Durante
a implantação, verificamos que muitas transportadoras não tinham
nada parecido com um sistema de gestão”, disse.Depois da
resistência inicial, várias delas aderiram ao programa e até pensam
em obter a certificação ISO 14000.Para quem considera caro
aderir ao Sassmaq, Gisette afirma ser a despesa de treinamento,
implantação e auditoria irrisória quando comparada ao preço de um
único cavalo-mecânico. Em alguns casos, a maior dificuldade foi
apresentar todas as licenças exigidas por lei, desde os alvarás
municipais de funcionamento, até o cadastro no Ibama e verificação
das instalações pelo Corpo de Bombeiros.
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Cuca Jorge |
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| Sartor;operadores são mais eficientes que indústria |
Programa amplo – Eduardo Sartor explica
que o Sassmaq vai além da qualificação das transportadoras.
“Temos planos para nove módulos, dos quais quatro estão
implantados ou em fase final de implantação”, explicou.
As áreas rodoviária e de terminais marítimos já
estão operacionais no programa. O terceiro módulo diz respeito
ao modal ferroviário e encontrou alguns problemas. Há também
a avaliação de estações de limpeza de tanques,
praticamente concluída.
“Esse módulo é considerado prioritário
para 2006”, informou Gisette Nogueira. Depois de entregar o produto,
os tanques rodoviários precisam ser adequadamente lavados para
receber outra carga, sem o risco de reações adversas entre
eles, fora a contaminação. A assessora técnica afirmou
que já existem algumas estações de lavagem de qualidade,
licenciadas por órgãos ambientais, em Paulínia, Santos
e São Paulo, além de duas unidades na Bahia.
Nos termos da legislação, os órgãos
ambientais estaduais só podem conceder licenças prévias
de instalação e operação para estações
voltadas para prestação de serviços para terceiros.
As instalações cativas das transportadoras não são
objeto de licenciamento prévio, cabendo aos órgãos
estaduais fiscalizá-las e, eventualmente, puni-las.
Em ambas as situações o Sassmaq poderá ser aplicado,
cabendo aos auditores verificar os requisitos preestabelecidos. “A
maioria dessas estações neutraliza os resíduos e
os guarda isoladamente, para posterior tratamento em empresas especializadas”,
explicou. Os itens desse módulo estão sendo estudados e
avaliados para evitar problemas posteriores, mas deverá ser concluído
até o final do ano, com exigibilidade esperada para 2007.
O módulo ferroviário está em elaboração
há quase dois anos, até tendo sido apontado como plano piloto
a ligação Santos a Guaratinguetá, operada pela concessionária
MRS, sob contrato com a Basf e gerenciada pela Gafor. “Infelizmente,
as ferrovias padecem de diversos problemas, a começar pela existência
de trajetos de interesse químico nos quais a operação
é feita por mais de um concessionário, usando bitolas e
equipamentos diferentes”, lamentou.
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