LOGÍSTICA

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Operação integrada aprimora serviços

Terceirizar a gestão total da logística amplia o uso racional dos recursos sem prejudicar a segurança

MARCELO FAIRBAINKS

A atividade de transporte de produtos químicos apresenta clara tendência de agregar serviços de cunho logístico aos seus clientes. Essa disposição atende aos anseios de redução de custos e ganho de eficiência por parte dos contratantes e também à necessidade de diferenciação das transportadoras imersas em ambiente cada vez mais concorrido de negócios.

Os caminhões continuam sendo o modal de transporte mais usado pelo setor químico nacional para a movimentação de seus produtos até os pontos de consumo. Isso se dá tanto pelo aspecto da praticidade – cada veículo leva a carga diretamente ao destino –, quanto pelo lado econômico, a despeito das contínuas elevações das cotações do petróleo no mercado global. O uso de ferrovias é afetado pelas limitações da malha nacional, curta e com problemas estruturais. O modal marítimo tem absorvido cargas nacionais (cabotagem) e internacionais, apesar da escassez de terminais adequados a produtos perigosos, tornando-os caros.

A situação das rodovias em grande parte do País fica abaixo de lamentável, provocando a redução da velocidade dos veículos, ampliando os tempos de entrega e o volume do chamado “estoque rodante”, situação que implica aumento de capital de giro. Além dos buracos, há também o alto risco de roubo de cargas e caminhões a elevar o prêmio dos seguros.

Enquanto boa parte dos problemas exige esforços imediatos por parte dos governos federal e estaduais, a indústria química procura melhorar a segurança de suas operações de transporte por meio da instituição e exigência de parâmetros mínimos de qualidade e gestão por parte dos prestadores de serviços.

“Nos últimos dez anos, a indústria química aumentou a transferência das atividades de transporte e armazenamento para terceiros, por força dos movimentos de reestruturação empresarial e globalização de negócios”, comentou Gisette Nogueira, assessora técnica da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Em uma primeira fase, a terceirização foi feita intensamente, porém com péssimos resultados. Isso acarretou o retorno à gestão própria das operações. Mais recentemente, a transferência de operações logísticas voltou a tomar força, dessa vez com critérios mais claros.

A Abiquim criou há cinco anos o Sistema de Avaliação de Saúde, Segurança, Meio Ambiente e Quali­dade (Sassmaq) para transporte de pro­­dutos químicos, com o objetivo de mudar a cultura de gestão de segurança com produtos do setor. Os primeiros anos foram dedicados à configuração do programa, formação de auditores e de rotinas de treinamento dos profissionais ligados ao setor.

Quando a recepção e entrega de produtos precisa contar com vários modais de transporte e etapas intermediárias de armazenagem, a contratação de operadores logísticos ganha importância. “Os operadores assumem papel relevante ao estabelecer fluxo confiável de produtos, elaborando programações, gerenciando cargas e estoques por meio de programas específicos”, comentou Eduardo Sartor, coordenador da comissão de transportes da Abiquim e responsável pela área de transporte e logística da Mossi & Ghisolfi (M&G) no Brasil. Para ele, essa forma de colaboração muito interessa à indústria química por permitir a concentração de esforços na atividade principal.
 

 
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