ATUALIDADES

CELULOSE LÍQUIDA

Bahia Pulp faz ampliação
para suprir demanda global

A impressão de que ampla extensão da costa baiana, que foi o reino vegetal da Mata Atlântica, tende realmente a ser um dos lugares mais disputados no planeta para o eucalipto criar raízes e produzir madeira para celulose está sendo confirmada por mais um empreendimento: a segunda linha de produção de celulose solúvel da Bahia Pulp, a ex-Bacell, da Klabin e da austríaca Lenzing, que a Sateri Internacional, divisão de celulose e viscose de um grupo baseado em Singapura – o RGM –, comprou em 2003.

No segundo semestre de 2007 serão produzidas nessa fábrica mais 250 mil t/ano de celulose solúvel, produção que será acrescentada às atuais 115 mil t/ano produzidas na primeira linha, inaugurada em janeiro de 1996. As obras estão em fase de terraplenagem. A caldeira de recuperação, que será suprida por 3 mil t/dia de eucalipto picotado, está sendo produzida na CBC (Mitsubishi). Os digestores e a unidade de branqueamento seguem em negociação. A montagem da fábrica é coordenada pela Pec Tech, a empresa de construção civil do grupo RGM.

Cada fornecedor entrega os equipamentos montados, de acordo com o sistema “ilhas de especialização”, e a Pec Tech fará a interligação.

A exemplo da Veracel e da Bahia Sul, megaprojetos que produzem celulose de fibra curta no sul do Estado, nos municípios de Eunápolis e Mucuri, a Bahia Pulp está convencida de que na Bahia a natureza faz a diferença que hoje mais assegura competitividade no ramo da celulose – o rendimento florestal. O presidente Josmar Verillo revela que está sendo expandida, de 67 mil hectares para 90 mil hectares, a floresta de eucalipto comprada no litoral ao norte de Salvador, floresta plantada na década de 70 para suprir a Copene, atual unidade de insumos básicos da Braskem, com biomassa para as fornalhas das caldeiras. A distância média entre a floresta e a fábrica é de 110 quilômetros.

A implantação da segunda linha da Bahia Pulp sucede o recente fechamento de fábricas concorrentes na Alemanha, Estados Unidos e Canadá que resultou em decréscimo de mais de 400 mil t/ano na oferta global de celulose solúvel e equilibrou o mercado. Estão sendo investidos 400 milhões de dólares, valor enaltecido ao se considerar que o mercado global da celulose solúvel, requerida principalmente na produção de uma fibra têxtil – a viscose –, é um reduzido nicho em comparação ao mercado da celulose para papel.

As 365 mil t/ano que serão produzidas em 2007 corresponderiam hoje a mais de 9% da produção mundial de celulose solúvel, em torno de 4 milhões de t/ano produzidas em fábricas com capacidade entre 80 mil t/ano a 200 mil t/ano, em vários países. A exceção está na África do Sul, onde uma fábrica produz mais de 400 mil t/ano.
 

 
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