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Atualmente, cresce a preocupação com o uso indevido de
produtos químicos como substâncias entorpecentes. “É
um problema sério, principalmente quando se sabe que existem três
vezes mais drogas lícitas que ilícitas”, afirmou.
Os solventes hidrocarbonetos, por exemplo, geram dependência e também
servem de entrada para drogas mais potentes. Estudos internacionais citados por Wong indicam perdas econômicas
de 0,5% a 5,4% do PIB provocadas pelo abuso de drogas. Transportados para
o Brasil, esses dados representariam US$ 19 bilhões por ano. “Essas
perdas aparecem como queda de produtividade, ocorrência de acidentes,
aumento de roubos, sujeição a extorsões e absenteísmo”,
informou. O Ibet e a Associquim firmaram parceria no estabelecimento do programa
Cuide, pelo qual as distribuidoras associadas poderão identificar
e monitorar problemas com abuso de drogas com seu pessoal. “É
a primeira associação em todo o mundo a aderir voluntariamente
a um programa desse tipo”, informou o toxicologista. Diferentemente do que prevê a lei norte-americana, o Cuide não
terá caráter punitivo, mas educativo e de apoio à
recuperação. O programa é implementado por etapas,
com fases de treinamento e sensibilização dos funcionários
sobre a questão. Só depois disso serão feitos os
exames toxicológicos, por amostragem, e, quando necessário,
será indicado o tratamento. “Como a adesão é
voluntária, o processo não dá fraudes, nem processo
trabalhista e a participação geralmente é elevada”,
comentou, com base em experiências anteriores em várias companhias
como a Embraer e em algumas indústrias de tintas, por exemplo. Na seleção de novos trabalhadores, exames podem indicar
se o candidato fez uso recente de drogas. O Ibet faz análises de
urina por cromatografia de fase gasosa, complementada com espectrômetro
de massa. “Esse método é o padrão mundial para
análise de abuso de drogas”, explicou o especialista. As
concentrações no sangue caem rapidamente, dificultando sua
detecção. Também os exames de cabelo deixam a desejar.
“Eles funcionam como registros históricos do consumo dessas
substâncias, mas não permitem avaliar uso recente”,
disse. Em trabalhos anteriores, o toxicologista chegou a constatar redução de
80% da taxa de acidentes de trabalho, dado assustador quando se considera
o número de motoristas conduzindo cargas químicas pelas estradas com o
sono afastado pelo consumo de altas doses de anfetaminas, os chamados
rebites.
M. F. |
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