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Ao mesmo tempo, ele identifica oportunidades regionais de negócios.
O crescimento da comunidade hispânica nos EUA, por exemplo, aponta
para um poder de compra equivalente a 60% da população chinesa
daqui a dez anos. No leste Europeu, há mais de um bilhão
de consumidores em potencial para ingressar no mercado no período.
Mesmo no Brasil, o fortalecimento de pólos de crescimento, como
o Estado de Pernambuco e a melhoria da distribuição de renda
desenham futuro promissor. “Falta buscar o equilíbrio do
setor público e a valorização pelos eleitores de
políticos capazes de oferecer diferenciais de gestão”,
afirmou. Ele apontou características comuns de países que apresentaram
taxas anuais elevadas de crescimento econômico. O ponto de partida
é a discussão pela sociedade de qual deve ser o tamanho
do Estado, suas atribuições e poderes, para que a sua gestão
seja a mais eficiente. “Daí é possível determinar
quais os gastos que devem ser assumidos pelo poder estatal e o tamanho
respectivo da sua arrecadação tributária”,
afirmou. Dado o pontapé inicial, chega-se ao debate sobre a repartição
dos recursos entre os entes federativos (governo federal, estados e municípios),
abrindo-se a possibilidade de reduzir o número de entidades locais.
“Temos hoje no País muitos municípios economicamente
inviáveis”, criticou o executivo, ciente da dificuldade política
de realizar tal proeza. Depois é a vez de montar ferramentas de
gestão capazes de controlar melhor os gastos dando prioridade para
educação e conhecimento, sem os quais nenhum país
conseguiu sair do atraso. Do ponto de vista empresarial, os desafios são igualmente complexos.
“A única saída para a queda da rentabilidade a longo
prazo é a inovação”, afirmou. Dessa forma,
as empresas precisam aprimorar a gestão de recursos humanos para
formar um quadro de profissionais altamente qualificados e com cultura
diversificada, capaz de identificar possibilidades de negócios
em todas as regiões do mundo. “A tecnologia da informação
está antecipando a reforma das leis trabalhistas, pois hoje se
pode contratar serviços especializados em qualquer lugar do mundo,
via internet”, considerou. Ao mesmo tempo, as empresas precisam desenvolver a gestão do conhecimento,
impedindo que este fique represado dentro da cabeça de alguns poucos
indivíduos. É preciso que toda a expertise técnica
e comercial fluxa pelos departamentos. Também a definição
de uma estratégia clara se torna fundamental, evitando desperdiçar
energias em atividades desnecessárias. Sem valores éticos
também não se vai a lugar nenhum, afirmou, salientando que
são esses os princípios da companhia que dirige, alimentando
a pretensão de integrar o rol das dez melhores petroquímicas
mundiais até 2012. Quanto ao relacionamento com a distribuição, Grubisich
entende ser cada vez mais importante cuidar da cadeia de abastecimento,
considerado item de sobrevivência em mercado globalizado e competitivo.
“Antigamente, a separação entre venda direta do produtor
e por meio do distribuidor tomava por limite o volume contido em um caminhão”,
comentou. “Hoje é preciso ter uma segmentação
mais apurada dessas competências para se obter maior eficiência
da cadeia.” O relacionamento entre esses elos depende da compatibilidade de valores
éticos, sociais e ambientais. “Sem desenvolvimento sustentável
não dá para ter uma parceria”, comentou. Além
disso, as ferramentas de gestão (os chamados ERPs) de produtor
e distribuidor devem ser interconectáveis, de modo que ajustem
a sintonia de operações. Em resumo: relacionamentos devem
ser mais intensos, com menos participantes. Após a palestra, Grubisich recebeu homenagens, incluindo a concessão do título de sócio-honorário da Associquim. Recebeu elogios de Carlos Mariani Bittencourt, presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e um dos acionistas fundadores da Braskem. Na prática – Como decorrência dessa
visão de negócios, a Braskem anunciou no dia seguinte, em
palestra de Roberto Bischoff, diretor geral da unidade de insumos básicos,
a reestruturação de suas operações com a distribuição
de solventes. “Da forma que está, estamos perdendo a sensibilidade
do mercado”, informou. A reformulação deve se estender até o terceiro trimestre
deste ano. Até lá, será preciso definir os critérios
para a escolha objetiva dos parceiros. A companhia tende a priorizar aspectos
como volume distribuído, mix de produtos oferecidos ao mercado,
e qualidade de atendimento aos clientes. Não há, segundo
o diretor, um número preestabelecido de quantos parceiros continuarão
com a Braskem. Ele apenas adianta que é interessante manter pelo
menos dois por área geográfica, para estimular competição. |
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