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O segmento de tintas industriais anticorrosivas tem seus negócios voltados
para três áreas: protect coating, também denominada de manutenção
industrial, que responde por 70% dos negócios, indústria marítima, 25%, e
off shore com 5% das vendas. Como 2005 não foi um ano marcado por grandes
investimentos em ampliação da capacidade produtiva no País, as vendas de
tintas anticorrosivas também andaram de lado.
O que gera otimismo para 2006 são os anúncios de grandes investimentos no
País. A Petrobrás, principal consumidora brasileira de tintas industriais,
possui um plano de investimentos até 2010 orçado em US$ 49,3 bilhões,
apenas em obras no País, o qual engloba de gasodutos a aumento da
capacidade de exploração e produção de petróleo em novas plataformas off
shore, e na modernização e ampliação da capacidade de refino. Essa demanda
repercute em investimentos também dos fornecedores da estatal, gerando
mais negócios.
Um exemplo é o movimento esperado na indústria naval. A Transpetro
anunciou que pretende investir US$ 2,7 bilhões na encomenda de 26
petroleiros. Além disso, a indústria naval brasileira aguarda a
confirmação, ou não, da intenção do governo da Venezuela de encomendar 36
petroleiros no Brasil.
As perspectivas também são favoráveis na área de infra-estrutura, com
obras de saneamento e geração de energia. E também em segmentos da
economia que estão em expansão, principalmente para atender à demanda
externa, como papel e celulose, álcool, açúcar e siderurgia. Assim como se
espera um aquecimento dos negócios na construção civil. “As perspectivas
realmente são as mais promissoras para o mercado de tintas industriais
anticorrosivas nos próximos anos”, diz Douglas Bruce Leslie, diretor geral
para o Mercosul da International Paint.
O aquecimento dos negócios pode ser a oportunidade para a indústria de
tintas anticorrosivas recompor, pelo menos parcialmente, suas margens de
lucro. Como ocorreu com praticamente todos os segmentos produtivos que
dependem de matéria-prima derivada de petróleo e também de minérios, o
segmento de tintas industriais anticorrosivas teve seus custos bastante
afetados nos últimos anos.
Leslie lembra que o preço da resina epóxi aumentou 60% de 2004 para 2005.
Em um ano, zinco e cobre, insumos das tintas anticorrosivas, subiram mais
de 50% e 40% respectivamente. Com a demanda fraca foi impossível repassar
esses aumentos de custos. “As margens de lucro ficaram bem apertadas”, diz
o executivo.
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Valor agregado – Por outro lado, o crescimento da demanda também
trará a oportunidade para a indústria de consolidar o desempenho de
produtos com maior valor agregado. A principal evolução ocorrida nos
últimos anos no segmento de tintas anticorrosivas foi a busca de
alternativas ecologicamente sustentáveis em substituição às tradicionais
tintas com solventes, consideradas agressivas ao homem e ao meio ambiente.
As pesquisas levaram a duas correntes de soluções diferentes. De um lado,
as tintas à base de água e, de outro, as tintas com baixo, ou nenhum, teor
de solventes orgânicos, as chamadas Low VOC (Volatile Organic Compounds) e
as completamente sólidas, as No VOC. A novidade nessa área é que os
principais players do mercado agora acreditam que o futuro está nas
soluções sólidas.
Queiroz Junior, da Renner, aponta um fator que considera decisivo a favor
das tintas sólidas. É que as soluções à base de água também agridem o meio
ambiente, ao usarem um componente escasso no mundo, a água tratada. A
tendência é que a legislação internacional, com o tempo, também limite o
uso de água na tinta.
Para quem acredita que a opinião de um executivo da Renner parece
suspeita, uma vez que esta indústria não chegou a desenvolver as tintas à
base de água, pode acompanhar a argumentação do engenheiro Celso Gnecco,
gerente de treinamento técnico da Sherwin-Williams do Brasil, empresa que
tem as duas soluções em seu portfólio. E o próprio Gnecco reconhece que,
por muito tempo, foi um entusiasta das soluções à base de água.
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