Com número expressivo de jazidas de boa qualidade, o Brasil possui posição confortável de reservas de minérios necessários à produção de cargas minerais. Nesse mercado dominado por commodities com valor de centavos por quilo, os custos com frete assustam os produtores e o baixo poder de fogo para investir em beneficiamento mecanizado e processos modernos de transformação da matéria bruta impedem a fabricação de alguns produtos com maior valor agregado. Para quem almeja as margens mais confortáveis das especialidades, as alternativas mais freqüentes do setor são produtos mais finos, micronizados, ou cargas transformadas por processos como revestimento, irradiação, calcinação ou precipitação.

As dimensões do País e jazidas concentradas nas regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, mais o Espírito Santo, compõem outro desafio para os produtores de cargas minerais. A Brasilminas, uma das principais fornecedoras, precisa gerenciar cerca de 20 matérias-primas que originam entre 150 e 200 produtos. “Administrar uma jazida em cada local do País seria complicado e demandaria uma empresa em cada Estado de produção”, explica o gerente de desenvolvimento Reginaldo da Silva. Para contornar esse desafio continental, a empresa tem uma rede de parceiros que também previne oscilações na qualidade da matéria-prima fornecida, e eventuais dificuldades de fornecimento. Mesmo sendo boa, ela acaba traída por dificuldades das mineradoras, que ainda empregam em larga escala o processo manual de extração do minério. “A diferença da carga importada é a maneira como é feita a extração, e o processamento do minério é melhor”, explica Silva. Como acontece em muitos segmentos, os estrangeiros se servem da matéria-prima brasileira, processam-na no exterior e a revendem no País.
 

 
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