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Vítimas aguardam indenização

“Estou me sentindo bem, mas daqui a pouco tudo trava, os braços e pernas ficam paralisados, o corpo fica rígido. Ainda tenho 38,4 mg de chumbo por decilitro de sangue, não sou o mais contaminado da cidade, mas ainda dá pra abrir uma fundição.”

“De noite, é um zumbido só neste ouvido, não pára nunca, é uma lesão auditiva, não consigo dormir, rolo na cama o tempo todo. Cheguei a 89 miligramas de chumbo, hoje estou com 62, e de cádmio 3,5 miligramas por decilitro.”

“Tenho várias seqüelas, sinto tontura, estou sempre desmaiando, sentindo bastante dor de cabeça, nervos rígidos. Já tive derrame e continuo com pressão alta. Estou com quase 50 miligramas de chumbo, sou um dos mais chumbados.”

“O que eu mais sinto é cãibra, dor de cabeça e canseira, mas nunca soube a quantidade de chumbo que corre no meu sangue, a Plumbum desviou o laudo. Só fiquei mesmo sabendo que estava envenenado porque a assistente social me contou, para justificar porque ia me encostar no INSS.”

Um após o outro, atendendo ao comando do presidente da Associação das Vítimas da Contaminação por Chumbo e Cádmio do Estado da Bahia (Avicca), Adilson Ferreira Moura, ex-trabalhadores da Cobrac/Plumbum reunidos em uma praça de Santo Amaro fazem depoimentos como esses – e falam das condições de trabalho na fábrica de chumbo que os contaminou: “A fábrica deveria ter 32 filtros, mas só tinha 16, que estavam sempre saturados, por isso precisavam ser desligados das 22 horas

 até o amanhecer, nesse  horário, só faziam soprar a poeira do chumbo retornava para a produção, contaminava ainda mais o ambiente de trabalho.

” (Luís Lopes Dórea, 55 anos, empregado entre 1985 e 1993).
“As esposas se contaminaram no tanque, lavando os nossos macacões de trabalho.

” (Antônio da Purificação Ferreira dos Santos, empregado entre 1978 e 1991).

“Quem fazia certos trabalhos de limpeza e manutenção ganhava até o dobro, mas ficava com fuligem da cabeça aos pés, parecendo que estava saindo do manguezal.

Depois tomava banho com uma caixa inteira de sabão em pó, mas mesmo assim não conseguia remover toda aquela fuligem de pó de chumbo.” (Juvenal Claudino dos Santos, 68 anos, empregado entre 1976 e 1991).

“Na maior inocência a gente disputava os feltros usados na chaminé para fazer tapetes para nossas casas, era a maior onda.” (Jorge dos Santos, 40 anos, empregado durante seis anos).

Os ex-operários se referem também aos casos mais dramáticos, como o de Reginaldo dos Santos, 60 anos, que perdeu a fala, passou a andar com dificuldade e não consegue mais controlar os movimentos, “nem ao menos engolir.”

O presidente da Avicca estima que há cerca de 500 ex-empregados da Cobrac vivos, dos quais 214 ainda não estão aposentados. Todos estão sendo encaminhados para novos exames.

“O contato com o chumbo traz complicações, principalmente anemia grave, alterações renais – incluindo insuficiência renal –, distúrbios no sistema nervoso e impotência sexual”, enumera o professor do Departamento de Medicina Preventiva da UFBA, Paulo Pena. O cádmio é associado à pressão alta.

O prefeito João Roberto Mello ressalta que um dos indicadores do impacto social causado pelo chumbo é a demanda por hemodiálise: diariamente a prefeitura envia dois carros com pacientes para o tratamento em Salvador e Feira de Santana.

Divulgação

Ex-operários: vários problemas de saúde
 
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