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PERSPECTIVAS
2006
MÁQUINAS
Carteiras apontam
queda nos pedidos
Associação
culpa juros e
câmbio pela queda na
procura por máquinas e
prevê ano ruim para setor
ROSE
DE MORAES
As indústrias de máquinas
e equipamentos faturaram R$ 55,9 bilhões em 2005, montante 18,3%
superior ao de 2004, mas as perspectivas dos empresários para 2006
não são nada otimistas. O setor não está confiante
em relação ao desempenho industrial deste ano, temendo queda
na demanda interna por máquinas e equipamentos e menores chances
para a efetivação de negócios no exterior.
“O Brasil está se tornando um grande exportador de juros
e registrando perdas importantes com graves conseqüências ao
setor de máquinas e equipamentos”, afirmou Newton de Mello,
presidente da Associação Brasileira da Indústria
de Máquinas e Equipamentos, a Abimaq. Em representação
a 4,5 mil fabricantes de bens de capital mecânicos do País,
Mello considera que a política econômica de manutenção
de juros altos, além de inibir os investimentos, deflagra queda
gradativa no desempenho, comprometendo todas as metas de crescimento projetadas
para 2006.
A postura cética em relação a 2006 se fundamenta
no desaquecimento da demanda por máquinas e nas constatações
da Abimaq, que monitora mensalmente o desempenho industrial nesse setor.
“É preocupante a desaceleração verificada entre
agosto e dezembro de 2005, e que poderá ter continuidade nos primeiros
meses de 2006, principalmente se forem mantidas as atuais políticas
cambial e de juros, prejudiciais às exportações e
desestimulantes dos investimentos produtivos”, considera o presidente
da Abimaq, destacando o agravante de que o setor de bens de capital trabalha
com prazos longos, o que tornará extremamente difícil a
retomada de crescimento nos níveis desejados no decorrer do ano.
Na opinião de Mello, o governo não está atento às
graves conseqüências que estão sendo causadas ao setor
produtivo, decorrentes da valorização da moeda nacional
e da “inconseqüente manutenção das altas taxas
de juros, aliadas à perseguição implacável
de um superávit primário irrealista”, acrescentou.
“A desoneração tributária das exportações
é um princípio consagrado mundialmente e tem como base o
preceito universal de que não se deve exportar impostos. Portanto,
qualquer medida que restrinja a plena isenção de impostos
dos produtos exportados contribui para torná-los menos competitivos
no mercado internacional, podendo o problema assumir proporções
preocupantes diante da situação de sobrevalorização
da moeda nacional e dos altos custos do capital necessário para
a manutenção e sustentação das atividades
industriais.” A continuar nesse rumo, a baixa cotação
do dólar, segundo Mello, poderá comprometer todo o esforço
empresarial exportador implementado no setor.
Em 2005, as exportações sustentaram o desempenho positivo da indústria de
máquinas e equipamentos, e foram responsáveis por 37% do faturamento.
“Essa participação, no entanto, sofreu queda de cinco pontos percentuais
em relação a 2004 e, apesar do dólar baixo, demos continuidade aos nossos
negócios no exterior para não perdermos os clientes conquistados, postura,
no entanto, que não poderá ser mantida por muito mais tempo”, alertou
Mello.
| Cuca Jorge |
Em 2005, as
exportações de máquinas e equipamentos, segundo apurou a Abimaq,
bateram novo recorde.
Alcançaram volume de US$ 8,6 bilhões, 25% acima
dos US$ 6,8 bilhões de 2004. |
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| Mello:
aumento das vendas de 2005 não se repetirá |
Segundo colocado no ranking dos principais exportadores industriais de
manufaturados do País, o setor de máquinas e equipamentos efetivou no ano
que passou maior número de negócios com os Estados Unidos (28,1%),
Argentina (11,5%), México (6,6%), Alemanha (6,3%) e Reino Unido (5,3%).
O crescimento das exportações do setor, segundo Mello, deve-se
à consolidada presença dos fabricantes no mercado internacional,
à busca pela diversificação de países incluídos
na lista de compradores dos produtos brasileiros e aos incentivos dados
aos exportadores.
“Pelo segundo ano consecutivo, o mercado de máquinas e equipamentos
registrou superávit no comércio internacional, a despeito
do crescimento de 24,2% das importações, que chegaram a
US$ 8,5 bilhões em 2005.”
Em 2006, no entanto, os resultados superavitários não deverão
se repetir. “O superávit do nosso setor está comprometido
porque as importações deverão crescer mais do que
as exportações neste ano. Por isso, impera a necessidade
de se contar com um câmbio mais favorável às nossas
vendas externas, para que possamos alcançar o equilíbrio
em nossa balança comercial”, considerou. As importações
no ano passado foram provenientes dos Estados Unidos (27,9%), Alemanha
(18,3%), Japão e Itália (8,5%), França (4,7%) e China
(3,2%).
Na visão do presidente da Abimaq, o mercado mundial estará
aberto em 2006 e as exportações serão incentivadas.
“Os fabricantes locais demonstraram ter competitividade suficiente
para crescer no mercado internacional, mas, infelizmente, o câmbio
deverá continuar atuando como fator inibidor para as nossas vendas
externas. Não há sinais claros de que o cenário econômico
irá mudar a ponto de reverter a tendência de redução
da atividade sentida em nosso setor nos últimos meses, mas o que
nos dá algum alento é a competitividade que o produto nacional
ganhou no mercado internacional”, considerou.
No mercado interno, a Abimaq apurou aumento de 17,8% no consumo nominal
de máquinas e equipamentos em 2005, no comparativo com 2004. O
segmento de maior destaque foi o de bens sob encomenda, que apresentou
aumento real no faturamento acima de 50%. Resultados significativos também
foram obtidos no segmento de válvulas industriais, que apresentou
alta de 2,8% em 2005 em relação a 2004. Um dos segmentos
mais afetados pela queda nas vendas foi o de máquinas e implementos
agrícolas, que apresentou grande retração (-43,6%)
em 2005.
Os investimentos no setor em 2005 totalizaram R$ 6,2 bilhões e
destinaram-se à modernização tecnológica (36,9%),
ampliação da capacidade instalada (32%), reposição
de máquinas depreciadas (23,8%), entre outros (7,3%).
Na opinião de Mello, embora a pesquisa da Abimaq revele previsão
de investimentos de R$ 7,37 bilhões em 2006, “o desempenho
geral da economia, com reflexos diretos sobre o setor de bens de capital
mecânicos, não estimulará grandes investimentos por
parte dos fabricantes”, considerou.
“O alento, no entanto, poderá vir do período eleitoral,
havendo expectativa de investimentos em infra-estrutura por parte dos
governos estaduais e federal. Mas, ainda assim, esses investimentos beneficiariam
apenas alguns segmentos, como o de máquinas para a indústria
gráfica, máquinas rodoviárias e equipamentos pesados”,
finalizou.
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