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PERSPECTIVAS
2006
COMÉRCIO
Poder aquisitivo
melhora vendas
Comerciantes químicos
esperam crescimento das
vendas puxado pelo novo
salário mínimo e eleições
MARCELO
FAIRBANKS
A distribuição de
produtos químicos no Brasil inicia 2006 com otimismo justificado
pela elevação do salário mínimo e seus efeitos
sobre a renda nacional. Há esperanças também quanto
à redução da taxa primária de juros, embora
gradual, de modo que favoreça investimentos e consumo.
Esse otimismo, porém, tem limites. O setor prevê expansão
do PIB por volta de 3% no ano, um desempenho medíocre para o País.
“O ano será morno”, acredita Rubens Medrano, presidente
da Associação Nacional e do Sindicato Estadual do Comércio
Químico (Associquim/Sincoquim). Em 2005, o setor conseguiu ampliar
seu faturamento em 10%, quando cotado em dólares, como é
usual. Em reais, a situação não foi tão satisfatória.
“A rentabilidade no máximo empatou com a de 2004, porque
há grande capacidade ociosa na distribuição”,
explicou.
Os empresários ligados à atividade ainda analisam os resultados
para identificar quanto dos 10% de crescimento verificados no ano passado
devem ser atribuídos à transferência de pedidos dos
fabricantes para a distribuição. Ou o produtor repassou
diretamente os clientes, ou esses clientes passaram a comprar volumes
menores, encaixando-se na faixa de atuação do comércio.
A distribuição das vendas durante o ano foi irregular e,
contrariando os registros históricos, concentrou-se no primeiro
semestre do ano, responsável por 52% do faturamento setorial. Apesar
disso, cada mês de 2005 apresentou resultados em dólares
superiores aos respectivos períodos do ano anterior.
A variação cambial ocorrida em 2005, por volta de 20%, também merece
avaliações quanto ao impacto sobre o setor. “Notamos que o dólar baixo não
induziu movimentos oportunistas de importação que sempre ocorreram no
passado, deprimindo ainda mais as cotações”, comentou, identificando nessa
atitude um sinal de maturidade dos empresários. No passado, esses
movimentos freqüentemente eram malsucedidos, geralmente porque as
flutuações cambiais eram mais rápidas que a logística de importação.
| Divulgação |
Também o alto
custo de estocar produtos desequilibrava o balanço do custo/benefício.
Hoje, as importações apenas são feitas para satisfazer uma demanda
firme.
Medrano lamenta que o Brasil ainda não tenha se conscientizado
da necessidade de controlar os gastos públicos, em especial as
exorbitantes despesas de custeio da administração direta.
“Sem melhorar o perfil e o volume de gastos será impossível
reduzir a taxa de juros e o volume de tributos arrecadados”, criticou.
Nesse ponto, a realização de eleições reacende
a esperança de uma renovação de quadros, tanto no
Poder Executivo quanto no Legislativo, ambos muito abalados pelos escândalos
recentes.
Da parte das empresas do setor, a lição de casa foi feita. |
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| Medrano:
rentabilidade cresce menos do que o faturamente |
“A distribuição se profissionalizou, investiu em estrutura
física e técnica de alta qualidade, adotou políticas
de proteção ambiental e de saúde ocupacional, e agora
busca remuneração adequada para os serviços que presta”,
comentou. Do ponto de vista ambiental, Medrano ressalta as exigências
impostas por normas oficiais cada vez mais restritivas. O atendimento
aos rigores legais por vezes exige prazo maior de adaptação.
“A eliminação do uso de solventes aromáticos,
por exemplo, depende da adoção de novas formulações
de produtos, cuja aprovação por órgãos estatais
demora mais do que o prazo inicialmente concedido, é impossível
de realizar”, disse.
Ele informou que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai
realizar consulta pública sobre nova portaria para impedir o uso
de solventes em mistura com gasolina. Embora reconheça a importância
dessa atitude, ele reafirma que o setor precisa ter prazo adequado para
adaptação.
Também o alto custo de estocar produtos desequilibrava o balanço do
custo/benefício. Hoje, as importações apenas são feitas para satisfazer
uma demanda firme.
Em março, a Associquim realizará o 3º Encontro Brasileiro
dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos
(EBDQuim), em Porto de Galinhas-PE, com o intuito de promover a troca
de experiências entre empresas nacionais e internacionais, além
de discutir assuntos de grande alcance, ligados à estratégia
setorial. “Estamos recebendo grande número de inscrições
do exterior, não só da América Latina, mas também
da Índia e Cingapura”, comentou o dirigente setorial.

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