PERSPECTIVAS 2006

COSMÉTICOS

Higiene e beleza
avançam sem parar

Atualização de produtos
e processos garante sexto
ano consecutivo de
crescimento de vendas

RENATA PACHIONE

Considerado um dos setores industriais com maior crescimento no País, o mercado brasileiro de cosméticos encerrou 2005 com faturamento líquido de R$ 15,4 bilhões. Esse saldo positivo tem um porquê. Nos últimos cinco anos, o crescimento médio deflacionado da indústria de cosméticos chegou a 10,7% e, só em 2005, o setor apresentou aumento nas vendas da ordem de 15,8% sobre o ano anterior, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). Esses índices colocam o Brasil entre os cinco maiores do mundo. 

O comportamento do mercado neste ano deve confirmar as expectativas de que o País deixa a sexta posição do ranking mundial dos cosméticos para se consolidar no quinto lugar.

A previsão da Abihpec, como não poderia ser diferente, é otimista. A entidade espera continuar no mesmo ritmo, com taxas de crescimento na casa dos dois dígitos pelos próximos dez anos. Segundo as projeções da Factor de Solução Consultoria e Participações Ltda./Kline & Co., entre 2004 e 2009, o mercado irá aumentar as vendas na ordem de 12,5% ao ano.

Divulgação  Esse avanço esperado não é por acaso. A indústria investe, por ano, 300 milhões de reais, em média, para se manter atualizada e oferecer produtos de alta tecnologia.

Essa postura reflete a ascensão do consumo de cosméticos no País.

 Não importa a classe social ou o sexo, o culto pelo belo está disseminado em todos os tipos de público. O brasileiro, de forma geral, está cada vez mais interessado em adquirir produtos que prometem beleza e jovialidade.

 

Nunes: aumento da exportação comprova qualidade nacional

“Depois da alimentação, as pessoas se preocupam com o bem-estar, e hoje o cosmético já é sinônimo de bem-estar”, afirma o presidente da Associação Brasileira de Cosmetologia (ABC), Jadir Nunes.

A preocupação com a aparência justifica essa demanda, mas também há o mérito da indústria. Nos últimos anos, o setor aumentou sua produção, diversificou suas linhas de produtos e os tornou mais acessíveis a todas as classes sociais. “Neste ano, os valores cobrados foram mais baixos do que em 2004 e serão ainda menores em 2006”, afirma o presidente da Abihpec, João Carlos Basílio Silva. Até linhas de alto valor agregado, como as de produtos destinados a retardar o envelhecimento, sofreram queda nos preços.Há dez anos, segundo Silva, um cosmético anti-aging custava em torno de 50 dólares.

Hoje esse valor foi reduzido a cerca de 20 dólares.O ramo de cosméticos também não decepcionou no mercado externo. Nos últimos cinco anos, essa indústria avançou 100% em exportação. Em 2005, o setor registrou vendas para o exterior da ordem de US$ 407 milhões.

Divulgação   “O País está no circuito mundial de cosméticos. Não existe defasagem entre o que existe no Brasil e no exterior”, revela Nunes.

Na avaliação de Silva, a cada ano, o País se fortalece como base produtiva da América Latina.
Basílio da Silva: preços baixos tornaram itens acessíveis a mais pessoas

Há cinco anos, a balança comercial era deficitária e hoje a indústria brasileira consegue apresentar superávits.

Para se ter uma idéia, entre 2001 e 2005, as importações caíram 4,1%. “Isso demonstra que o setor atende, além dos exigentes consumidores brasileiros, às expectativas internacionais”, afirma Silva.

De acordo com os prognósticos da consultora da Factor/Group, Natália Totarelli Borelli, entre as tendências de mercado se destacam a maior procura por cosméticos voltados para os cuidados com a pele, sobretudo os chamados anti-aging. Formulações desenvolvidas para retardar os efeitos da idade representam um dos segmentos mais promissores, segundo previsão dos especialistas do setor. A promessa da eterna juventude, sem a necessidade de intervenções cirúrgicas, alimenta as vendas desses produtos e endossa expectativas otimistas. “O brasileiro se preocupa muito com os efeitos nocivos da idade e do sol”, comenta Natália. Essa categoria de produto é um dos expoentes da chamada cosmecêutica (a fusão entre as indústrias farmacêutica e a cosmética), aponta Natália.

Para ela, trata-se de um setor muito expressivo nos Estados Unidos, Europa e Japão, com possibilidades reais de crescimento no País. “A cosmecêutica representa mais de US$ 50 bilhões do negócio global de cosmética”, atesta. Essa área, conforme avalia, é tendência em países maduros, porém em regiões emergentes, como o Brasil, ainda não há como antever o futuro, apesar da expectativa de que o brasileiro deve se render aos benefícios desses produtos em poucos anos.

Tendências – O mercado prevê ainda o consumo crescente de cosméticos direcionados ao público masculino. Conscientes dos benefícios da boa aparência, sobretudo em função das atuais exigências do mercado de trabalho, os homens têm deixado o preconceito de lado e engordado as vendas do setor. “Produtos para o sexo masculino estão sendo muito procurados”, afirma Nunes. Ao melhor estilo David Beckham, o brasileiro incorporou aos seus hábitos diários os cuidados com pele e cabelo. Essa constatação se verifica nas pesquisas. Segundo a Abihpec, há dez anos, em um grupo de cem homens, apenas um deles consumia produtos cosméticos. Hoje essa proporção é de dez para um.
As mulheres também aumentaram a demanda do setor. Com a consolidação do sexo feminino no mercado de trabalho, a indústria de cosméticos cresceu. Além do fato de que, ao sair de casa, a mulher passou a se preocupar mais com a aparência, este público adquiriu mais independência financeira para comprar os mais variados produtos de beleza. Outro perfil de consumidores ávidos por cosméticos é o de adolescentes. Meninos e meninas hoje cultuam a beleza como gente grande. “As meninas se maquiam e mudam a cor dos cabelos, progressivamente”, exemplifica Silva.
 
Os cosméticos direcionados aos afrodescendentes representam outra aposta da indústria. Tendência anunciada há algum tempo, os chamados produtos étnicos se diversificaram e conquistaram o consumidor. Assim que o setor percebeu as necessidades particulares deste público, surgiu uma série de produtos destinados ao tratamento dos cabelos. Por causa do significativo consumo, a indústria também investiu em outros segmentos, e hoje apresenta constantes novidades em linhas de cuidados com a pele. “A pele negra tem tendência a apresentar manchas, por isso, os produtos necessitam de ativos específicos”, comenta Nunes. Em tempo: por tradição, os produtos destinados aos cuidados com os cabelos são os mais procurados pelo consumidor brasileiro, independentemente de sua etnia, e representam 25% do mercado total.
 
O novo desafio da indústria, conforme as perspectivas da Abihpec, se refere ao desenvolvimento de linhas específicas para o público que pratica atividades físicas. De forma geral, o corpo de quem malha demanda cuidados especiais. Por exemplo: em virtude da transpiração, a pele necessita de formulações capazes de manter sua hidratação. “Esses produtos vão vender muito”, estima Silva. Como se vê, apesar do quinto lugar no mercado mundial de cosméticos, a indústria brasileira não se acomodou e procura conquistar, a cada ano, posições de maior destaque.

Como prova dessa postura, a ABC realizará, entre 18 e 20 de abril, o 20º Congresso Brasileiro de Cosmetologia, no Transamérica Expo Center, em São Paulo. Sob o título de “Cosmetologia: Integrando Ciência e Qualidade de Vida”, contará com especialistas brasileiros e estrangeiros que abordarão os avanços tecnológicos do setor, avaliações de segurança e eficácia, metodologias, novas matérias-primas e tendências internacionais de mercado, entre outros assuntos.

Para anteceder o congresso, a ABC programou dois cursos. Com os temas: “Celulite – fisiopatologia e bases bioquímicas da celulite e gordura localizada –, esteio para desenho de novos ativos” e “Formulações e aspectos de fotoproteção”, as aulas serão realizadas no dia 17 de abril, no auditório do Transamérica Expo Center. Quem se interessar, pode obter mais informações sobre o congresso e os cursos pelo telefone (11) 3885-9600 ou pelo e-mail congresso2006@abc-cosmetologiaorg.br.


 
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