| |
A adaptação do eucalipto ao clima brasileiro foi fantástica.
Trazido há mais de um século para cumprir fins energéticos
nos projetos de expansão das estradas de ferro, o eucalipto somente
a partir de 1950 passaria a ser alvo de pesquisas visando a produção
de celulose e papéis com fibras curtas. Mas graças à
alta produtividade dessas árvores, seu rápido crescimento
e qualidades intrínsecas na produção de papéis
brancos para imprimir e escrever e papéis absorventes, produtos
que desfrutam de grandes expansões mundiais, a celulose de fibra
curta conferiu ao País consideráveis ganhos em participação
no mercado global.
| Cuca Jorge |
A celulose de
fibra longa, cujos incrementos na produção dependem da modernização
das instalações existentes, deverá registrar em 2005 produção de 1,54
milhão de toneladas, alcançando em 2006 crescimento estimado em cerca
de 3%, elevando-se na mesma proporção que a demanda por papéis para
embalagens (sacos, cartões, papelão ondulado), e continuando a
apresentar altos índices de reciclagem, próximos a 65%, tendo por base
o aproveitamento obtido em 2005 quando foram recicladas 2,25 milhões
de toneladas. |
 |
| Zogbi:
crise política não afetou o planejamento |
“A reciclagem, no entanto, deve ser compreendida como atividade
complementar e não como substituta de matéria-prima fibrosa virgem na
produção de papéis”, considerou Zogbi.
Ao longo dos últimos dez anos, a reciclagem de papéis cresceu
85%, 6% em média ao ano, totalizando 3,4 milhões de toneladas,
77% das quais abrangendo papéis utilizados em caixas de papelão
ondulado. “Esses níveis de crescimento indicam que, em 2005,
39% da produção brasileira utilizou papéis recicláveis,
contra os 35% da produção que os empregaram em 1995. É
importante observar que o consumo de aparas possui estreita ligação
com o crescimento do setor de caixas de papelão ondulado que, por
sua vez, evolui de acordo com a produção industrial brasileira,
devendo alcançar entre 3% e 4% de crescimento em 2006,” explicou
Zogbi.
As vendas do setor de papelão ondulado alcançaram 2,156
milhões de toneladas em 2005, 2,4% a mais em relação
ao ano anterior.
Condição essencial para o crescimento da indústria
brasileira de celulose e papel é, porém, segundo Zogbi,
a expansão da área de florestas plantadas – uma das
principais prioridades do setor –, que tem alcançado ritmo
de crescimento de 88 mil hectares em novos plantios e 114 mil hectares
em reformas, segundo o último levantamento realizado pela Bracelpa,
em 2004. E, nesse sentido, o presidente considera que as empresas têm
realizado programas de fomento que estimulam a participação
de pequenos e médios produtores na atividade florestal, com a transferência
de recursos e tecnologia para o pleno desempenho da atividade, a exemplo
das experiências em andamento nos Estados do Rio Grande do Sul,
São Paulo, Bahia e Espírito Santo, constituindo estratégia
que apresenta uma das melhores alternativas não só para
o aproveitamento mais racional das propriedades rurais, como também
por contribuir para o processo de distribuição de renda
e para a fixação de mão-de-obra no campo.
Adotando critérios de manejo sustentável, o setor, que utiliza
exclusivamente como matéria-prima a madeira de florestas plantadas
próprias para fins industriais, tem hoje base florestal de 1,6
milhão de hectares, sendo 75% formada por eucaliptos, 24% por pinus
e 1% de outras madeiras, preservando ou replantando outros 2,6 milhões
de hectares de florestas nativas. “A exclusiva utilização
de florestas plantadas pela própria indústria tem assegurado
a preservação eficaz das florestas nativas, bem como a proteção
dos recursos hídricos pelas matas ciliares, assegurando ainda a
preservação da biodiversidade em elevados níveis
pela adoção de técnicas de plantios consorciados
com matas nativas (mosaicos) e por corredores de vegetação
nativa, com o emprego de modernas técnicas de silvicultura e de
manejo florestal, principalmente na área de biotecnologia, que
resultam na produtividade média de 40 m³ com casca por hectare/ano
de eucalipto e 28 m³ com casca por hectare/ano de pinus”, enfatizou
Zogbi.
Na opinião dele, porém, o setor ainda enfrenta sérios
entraves ao crescimento mais acelerado e desejado pelas indústrias,
associado aos altos custos dos investimentos, somados aos custos com aquisições
de terras para plantios próprios exigindo longos prazos de maturação.
A seu ver, no entanto, uma política florestal mais adequada, associada
a incentivos para a industrialização, traria boa soma de
benefícios que seriam rapidamente revertidos em aumentos de capacidade
instalada.
Outros fatores de influência que necessitam ser acompanhados em
2006, segundo apontou, referem-se aos preços de celulose e papel
no mercado internacional, desempenho da taxa cambial e evolução
da demanda doméstica.
“Os investimentos realizados pelo setor nos últimos anos
permitiram o desenvolvimento de processos e produtos de maior valor agregado,
melhorias ambientais e maior racionalização industrial nas
empresas, possibilitando-nos atingir padrões internacionais de
qualidade e de proteção ambiental, tanto na atividade florestal
quanto na industrial, bem como desenvolver produtos diferenciados que,
além de empenho, exigem tecnologia e maiores esforços e
investimentos voltados à capacitação tecnológica.
Por isso, destacamos a grande importância do programa de investimentos
do setor para o período de 2003 até 2012, ora em execução,
abrangendo exatamente o montante de US$ 14,4 bilhões, como forma
de ampliar a capacidade produtiva, aumentar as exportações
e criar novas oportunidades de trabalho”, afirmou Zogbi, lembrando
alguns projetos recentemente aprovados, como o de Mucuri, na Bahia. Deliberado
no final de 2005 pelo Conselho da Suzano Bahia-Sul Papel e Celulose, o
projeto Mucuri prevê a construção da segunda linha
de produção de celulose de eucalipto, tendo partida prevista
para o terceiro trimestre de 2007, quando serão produzidas 120
mil toneladas, passando, em 2008, para 900 mil toneladas, até alcançar,
em 2009, um milhão de toneladas.
Outras intenções de investimentos também foram destacadas
por Zogbi, como os projetos da Stora Enso, VCP e International Paper,
expandindo plantios com a finalidade de garantir suprimento de madeira
para futuras fábricas de celulose.
No tocante à produção brasileira de papéis,
a perspectiva para 2006 é produzir 8,8 milhões de toneladas,
volume que superaria em 2% a produção de 2005, de 8,6 milhões
de toneladas. O Brasil ocupa a 11ª posição na produção
mundial de papéis, concentrada em países, como Estados Unidos
(83,4 milhões de toneladas/ano), China (49,5 milhões de
t/ano), Japão (30,9 milhões de t/ano), Canadá (20,4
milhões de t/ano), Alemanha (20 milhões de t/ano), Finlândia
(14 milhões de t/ano), Suécia (12 milhões de t/ano),
Coréia (11 milhões de t/ano), França (10 milhões
de t/ano) e Itália (9,6 milhões de t/ano).
A produção brasileira de papéis na última
década apresentou crescimento acumulado de 50%, registrando média
anual de 4%. Do total a ser produzido no País, 1,8 milhão
de toneladas (20%), segundo estimativas da Bracelpa, estaria comprometido
com as exportações, indicando, porém, se confirmados
esses números, redução de 5% nos volumes exportados
em 2006.
“Na última década, as principais contribuições
para o crescimento do setor de papel decorreram dos níveis de consumo
na produção de papéis para embalagens e papéis
para imprimir e escrever que, em conjunto, alcançaram participação
de 77% no total produzido,” disse. Convém lembrar, entretanto,
que o último grande investimento em nova planta de papel no Brasil
ocorreu em 1993, quando se deu a implantação da fábrica
da Suzano, em Mucuri, e que as dificuldades para a instalação
de novas fábricas de papel persistem e são devidas aos altos
investimentos em projetos que demandam longos períodos de maturação.
“O segmento de papel, porém, tem realizado constantes investimentos
em ampliações e reformas de máquinas, visando adaptações
aos novos desenvolvimentos e às novas tecnologias de processos
e produtos, proporcionando aumentos de capacidade instalada e fabricação
de produtos com maior valor agregado, além de melhorias ambientais.”
O potencial de crescimento do setor de papel no mercado brasileiro é
infinitamente superior em relação aos níveis atuais,
apesar do consumo per capita ser considerado um dos menores do mundo,
havendo, portanto, grande necessidade de se reduzir a carga tributária
sobre os investimentos, como forma de contribuir para a instalação
de novas fábricas de papel.
Enquanto no Brasil são consumidos apenas 40 quilos de papel por
habitante ao ano, em países desenvolvidos e mesmo em desenvolvimento
são encontrados níveis de consumo bem mais elevados, como
é o caso dos Estados Unidos (312 kg per capita/ano), Japão
(247 kg per capita/ano), Alemanha (236 kg per capita/ano), Canadá
(223 kg per capita/ano), Reino Unido (210 kg per capita/ano) e Itália
(195 kg per capita/ano), ou mesmo de demais latinos, como Chile (67 kg
per capita/ano), México (58 kg per capita/ano) e Argentina (50
kg per capita/ano).
“Vale destacar no momento iniciativas como aquela envolvendo programas
do governo federal de incentivo educacional e cultural à população,
abrangendo o ensino básico e médio, e a popularização
das tecnologias para impressão e cópia em equipamentos,
que são contribuições muito importantes para o crescimento
do consumo de papéis”, afirmou.
Outro fato importante, segundo lembrou Zogbi, é a aprovação
de projeto de investimento realizado pelo Conselho de Administração
da Klabin, prevendo o crescimento da produção de papel cartão
em 350 mil toneladas/ano e de papel kraftliner em 50 mil toneladas/ano.
|
|