PERSPECTIVAS 2006

TINTAS

IPI menor reativa construção civil

Incentivo fiscal ajudará a recuperar as vendas da linha imobiliária

Marcelo Fairbanks

Os fabricantes de tintas têm motivos para começar 2006 com boas expectativas. Um decreto federal reduziu alíquotas do IPI incidentes sobre materiais de construção, incluindo as tintas específicas para essa atividade, que passaram a ser tributadas em 5%, em vez dos usuais 10%. Outras benesses, eleitoreiras ou não, como o aumento de verbas disponíveis para financiamentos habitacionais e também para compra de materiais para uso em reformas, devem estimular o consumo dos produtos fabricados pelo setor.

Os resultados de 2005 foram satisfatórios por causa da demanda firme pelas linhas industriais, incluindo automotivas e gráficas. Esse grupo justificou a evolução de 7,2% do faturamento setorial sobre o ano anterior, perfazendo R$ 4,79 bilhões, em estimativa da Associação Brasileira da Indústria de Tintas (Abrafati). Em dólares, o crescimento foi ainda mais expressivo, somando US$ 1,88 bilhão, ou 25% acima do obtido em 2004, resultado “anabolizado” pela variação cambial de quase 20% durante o ano.

“É preciso considerar que as tintas industriais têm preços superiores aos da linha imobiliária, e sua expansão produz uma elevação maior do valor das vendas”, considerou Dilson Ferreira, presidente da Abrafati. Apesar do câmbio desfavorável, as exportações de tintas brasileiras cresceram 10,8%, somando US$ 103 milhões, ainda abaixo dos US$ 135 milhões importados em 2005, 1,5% a mais que em 2004.

O Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo (Sitivesp) salienta o fato de as vendas físicas do setor terem crescido apenas 3% em 2005, percentual próximo ao da expansão do PIB. “Historicamente, em anos ruins as vendas de tintas crescem muito próximo do PIB, enquanto em anos de maior desenvolvimento econômico, esse índice é multiplicado”, considerou Roberto Ferraioulo, presidente do Sitivesp.

Ferraioulo não espera resultados imediatos da redução do IPI nas tintas. Por se tratar de item de acabamento, é preciso esperar a maturação dos investimentos e a sua concretização. Do projeto à pintura, decorrem de doze a dezoito meses. “A medida é positiva para o setor, tanto que é um pleito antigo que apresentamos em conjunto com outros sindicatos da Fiesp ligados à construção civil”, avaliou. “Pena que demorou tanto.” A construção civil representa o melhor caminho para abrir empregos no País, especialmente postos de trabalho de baixa qualificação. A atividade representa 65% do mercado total de tintas e apresentou em 2005 crescimento de vendas pífio, perto de 1%, pelos dados do sindicato.

As entidades setoriais confirmaram a existência de pedido encaminhado há algum tempo ao governo estadual para abater de 18% para 12% a alíquota do ICMS sobre todas as tintas e vernizes. “Alguns Estados já oferecem benefícios, como diferimento de recolhimento do tributo, com correção monetária mais baixa, ou mesmo alíquotas reduzidas, e têm obtido crescimento expressivo”, comentou Ferraioulo.

Cuca Jorge Outros segmentos industriais, como ourivesaria, autopeças e panificação, foram beneficiados por mudanças semelhantes. “Uma queda sistêmica da carga tributária alavancaria o mercado de produtos e a atividade econômica”, disse.

Ferreira considera que o dinamismo e a concorrência no mercado de tintas vai acelerar o repasse da redução tributária para os consumidores finais.

“A cadeia de distribuição e revenda opera com estoques pequenos e apresenta giro rápido”, afirmou. Desde meados de fevereiro, com a entrada em vigor do decreto federal, as indústrias faturam as tintas com IPI reduzido.
Ferreira:falta baixar os juros para casa própria

“Além dos impostos, o governo precisa baixar a taxa de juros que ainda onera demais os financiamentos imobiliários”, recomendou o presidente da Abrafati. Além de afugentar interessados na compra da casa própria, os juros elevados capturam no mercado financeiro todo e qualquer capital eventualmente disponível para investimentos produtivos.

A expectativa da Abrafati para este ano é de alcançar crescimento de vendas da ordem de 4% a 5%, apoiado pelas vendas de automóveis no mercado interno, que se mantêm elevadas. Com o recente apoio federal, os produtos para a área imobiliária devem apresentar recuperação de negócios, contribuindo muito para concretizar a previsão setorial.

Há, porém, a necessidade de implementar algumas condições para se obter o resultado esperado. A primeira consiste na manutenção e até fortalecimento das campanhas publicitárias feitas pelas empresas do setor. “Essas campanhas, além de fixar as marcas comerciais de cada fabricante, também consolidam a imagem das tintas como elemento fundamental para melhoria da qualidade de vida, seja pela melhoria estética, seja pela conservação dos bens, seja pelo aspecto higiênico”, explicou.

Outras condições dizem respeito ao lançamento de produtos, de modo que ofereçam alternativas para os consumidores, tanto para aplicações específicas quanto para diferentes disponibilidades financeiras. Segundo Ferreira, após a instituição de normas oficiais, as tintas econômicas passaram a garantir a qualidade anunciada. Do ponto de vista ambiental, as formulações de tintas tendem a ser muito menos agressivas, adotando solventes mais adequados e até banindo ingredientes perigosos. “Há um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional para proibir o uso de chumbo nas tintas imobiliárias, contando com o apoio do setor”, explicou.

 “Há um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional para proibir o uso de chumbo nas tintas imobiliárias, contando com o apoio do setor”, explicou. A Abrafati incentiva a adoção do programa Coatings Care de segurança, saúde e meio ambiente, semelhante ao Responsible Care, pelas empresas atuantes no setor. Por fim, ele também advoga o combate ferrenho às práticas antiéticas de atuação, como falsificação de produtos, sonegação de impostos e o desvio de mercadorias. A própria redução da carga tributária é um importante mecanismo para reduzir a sonegação, como observou o dirigente.Preocupa o Sitivesp a defasagem do câmbio, cujos efeitos podem ser comparados à experiência vivida durante o governo federal anterior com a chamada “âncora cambial”. Ferraioulo salienta o fato de o setor ser dependente de insumos químicos, cujo preço sempre é formado na moeda norte-americana. Cuca Jorge
Ferraioulo:crescimento do PIB foi muito pequeno

 Além disso, os preços do petróleo não retornaram nem retornarão aos comportados US$ 30 por barril, registrados há três anos. “O problema maior é que o Brasil não cresce; esperávamos expansão do PIB de 6% e não verificamos nem a metade disso”, lamentou.

Para incentivar o consumo de tintas e reforçar a imagem do produto entre os consumidores, além de estreitar laços dentro da cadeia produtiva, o Sitivesp promoverá, de 20 a 23 de setembro, a 5ª Feitintas, no Centro de Convenções Imigrantes, em São Paulo. Ocupando 17 mil m², a feira contará com mais de cem estandes, perfazendo acréscimo de quase 40% em relação à promoção anterior, empreendida há dois anos.


 

 
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