VERNIZ SANITÁRIO

Foto: Cuca Jorge

Mercado se rende a novas formulações

REVESTIMENTO ACOMPANHA AS EXIGÊNCIAS DA INDÚSTRIA DE EMBALAGENS E SE MODIFICA

Renata Pachione

Os rumos da indústria nacional de verniz prenunciam novos contornos para o setor. Apesar de ainda ser a escolha do mercado, os sistemas epóxi estão, cada vez mais, dando espaço ao poliéster. Diferenciações nos formatos das embalagens ditam as regras. Folhas-de-flandres com baixo teor de estanhagem e latas com espessuras mais finas permitiram a entrada de outros tipos de vernizes, além dos tradicionais. 

Sobre o tamanho do setor há poucas definições. É difícil precisar qual o volume produzido, mas sabe-se de antemão que o cenário se compõe por três principais fabricantes: PPG Industrial do Brasil, ICI Packaging Coatings e Valspar. Juntas, essas empresas multinacionais somam cerca de 90% de participação no mercado. A Revest Indústria Química responde pela faixa verde-e-amarela do setor - representa por volta de 5%.

De uns tempos pra cá, o mercado se viu às voltas com o aumento de cerca de 100% no preço da resina epóxi, segundo o diretor comercial da ICI Packaging Coatings Ltda., Alexandre Spiess.

Cuca Jorge

Spiess: setor não faz concessão no quesito qualidade do verniz

Essa elevação dos preços se deu em virtude da diminuição da oferta do produto em âmbito mundial. "A China compra quase toda a resina, por isso hoje falta epóxi no mundo", confirma o fundador da Revest Indústria Química, Antonio Bellizia Junior. Diante desse quadro, a indústria foi obrigada a propor o uso de produtos alternativos. "Penso no epóxi apenas para aplicações específicas", acrescenta Spiess.

Não é só por esse motivo que outras resinas devem ascender no mercado de verniz sanitário. A propagada proibição européia ao uso de epóxi nas formulações de vernizes utilizados como reves-timento interno das embalagens está prevista para entrar em vigor no primeiro trimestre de 2006. Os vernizes devem ser livres de epóxi, a fim de evitar resíduos de bisfenol A, acusados de serem nocivos à saúde.

Mudanças à vista e o mercado nacional se demonstra inerte. Talvez porque a indústria de vernizes não sofrerá nenhum impacto, pelo menos, imediato. Os clientes exportadores, sim, terão de se mexer, pois serão os principais atingidos. Mas também não ficarão sem abastecimento. 

Cuca Jorge De certa forma, os fabricantes de vernizes dispõem de linhas de produtos livres de epóxi. Ou seja, o problema, nesse caso, passa longe da escassez de matéria-prima. A questão é outra: com o banimento do epóxi nas formulações, os clientes terão de desembolsar um pouco mais na hora da compra.

Bellizia aposta no desenvolvimento de resinas próprias

A determinação, em teoria, sinaliza novidades para o setor. Não que a soberania do sistema epóxi esteja ameaçada. Mas, cada vez mais, o poliéster acrilado, seu principal produto substituto, ganhará a aceitação da indústria nacional. 

 

 
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