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Cavo na disputa pelo reuso Serve também como referência do potencial do reuso industrial a entrada de mais um competidor de peso no mercado: a Cavo Serviços e Meio Ambiente, empresa do grupo Camargo Corrêa. Muito atuante em gerenciamento público de resíduos (em concessões de lixo) e privado, a empresa entende ser o momento de entrar no ramo da água industrial ofertando principalmente contratos do tipo BOT e também BOOM (build, own, operate and maintain).
Um acordo de relevância, por exemplo, foi firmado com o Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra), fundação privada ligada à Escola Politécnica da USP (ver QD-442). “O Cirra avaliará todos os nossos projetos de reuso, concedendo à obra uma espécie de certificação para atestar que aquela foi a melhor tecnologia empregada para o caso”, explica Antonio Januzzi, responsável técnico pelos novos negócios em água da Cavo. A lógica da entrada da Cavo em reuso industrial tem a ver com a complementação dos serviços de gestão ambiental já oferecidos pela empresa em resíduos. Tanto é assim que os contratos de gerenciamento de resíduos firmados com a indústria são os primeiros a ser abordados pela equipe de vendas de gestão de água. “Seria uma integração natural gerenciar o lodo de uma estação de tratamento ou vice-versa”, explica João Carlos David. Vale lembrar que a Cavo gerencia integralmente os resíduos de empresas como Embraer, Cosipa e, mais recentemente, da Riopol, central petroquímica recém-inaugurada no Rio de Janeiro.
O importante é saber que as operações financeiras ficam por nossa conta”, afirma. Por falar em capital, o faturamento da Cavo Serviços e Meio Ambiente em 2005 deve fechar em R$ 240 milhões, um crescimento de 35% sobre o ano anterior. Cerca de 65% provém de serviço público, cujos destaques são as concessões na região noroeste da cidade de São Paulo e Curitiba, e o restante 35%, de contratos privados. Porém, se depender da nova estratégia da Cavo, o propósito é diminuir essa diferença na divisão dos negócios. Disputa adia projeto de reuso no pólo paulista Um dos projetos de reuso mais interessantes do Brasil, no pólo petroquímico de Capuava, em São Paulo, que visa garantir água para os planos de expansão das 11 indústrias ali instaladas, passa por um momento de disputa política que vem atrasando o início das obras (ver QD-426, pág.22). A indefinição corre por conta da falta de entendimento entre os dois principais personagens da história: de um lado a central petroquímica (PqU) e a Refinaria de Capuava (Recap), da Petrobrás, atual responsável pelo tratamento e distribuição do manancial do rio Tamanduateí que segue para as empresas e, do outro lado, a concessionária privada de tratamento de esgoto, a Ecosama, que por contrato seria a executora de uma estação de reuso encostada ao pólo.
Mas a controvérsia não pára por aí. Diante da justificativa apresentada pela Recap em reunião em outubro com o prefeito de Mauá, o diretor geral da Ecosama, Dagoberto Antunes da Rocha, fez uma contraproposta aparentemente irrecusável. Rocha ofereceu ao pólo 350 l/s de água de reuso gratuitamente por todo o período da concessão de esgoto da Ecosama (mais 27 anos). A única contrapartida para a água gratuita seria o pólo realizar o investimento na obra da estação de tratamento de esgoto de Mauá, o que seria por volta de R$ 30 milhões. Pode parecer muito, mas não quando se compara com o que as empresas do pólo pretendem investir nas outras duas opções para abastecimento: R$ 60 milhões, para trazer água da ETE ABC, no bairro de Heliópolis, em São Paulo, ou os R$ 100 milhões do projeto Aquapolo, que prevê a construção de uma adutora de 28 km para captar água do rio Tietê em Suzano-SP. Isso sem falar que essas opções ainda seriam tributadas, ao contrário da oferta da Ecosama. Esse dilema ainda não solucionado gerou outros problemas. De acordo com o diretor Dagoberto Antunes, a renitência do pólo quase inviabilizou o financiamento da Caixa Econômica Federal para a construção da estação de tratamento de esgotos da cidade. Isso porque uma das garantias para a liberação do dinheiro seria a assinatura de um contrato de venda futura de água de reuso. Como os representantes do pólo se recusaram a assinar, cerca de R$ 19 milhões para a ETE ficaram bloqueados. A questão, porém, foi equacionada de uma outra maneira: com o aumento de 69% na tarifa de água e esgoto da cidade, o que serviu como nova garantia para a Caixa e foi motivo de muitas reclamações entre a população local. Bom ressaltar que a CEF já liberou boa parte do financiamento total de R$ 57 milhões para a concessão, que vem sendo aplicado em rede e coletores-tronco. Depois da contraproposta feita pela Ecosama, as partes interessadas ainda não se pronunciaram e a própria PqU, procurada pela reportagem de Química e Derivados, informou que apenas após abril de 2006 definirá por qual rota deve optar para garantir água aos seu planos de expansão. A opção mais provável, segundo a central, é pelo reuso. Basta saber qual das ofertas a escolha recairá.
Caso a decisão do pólo seja somente pela água de reuso fornecida pela Sabesp, provavelmente mais um capítulo dessa complicada história deve se iniciar. Não custa lembrar que a prefeitura de Mauá (e por decorrência a Ecosama), pela Constituição Federal, é a titular dos serviços de água e esgoto da cidade. Nesse sentido, para consumir diretamente a água da Sabesp, originária de São Paulo, o pólo precisaria indenizar a prefeitura ou entrar em algum outro tipo de acordo. Mesmo assim, segundo afirmou o diretor da Ecosama, Dagoberto Antunes, com ou sem o consumo do pólo, o projeto de reuso sairá de qualquer maneira. “Encomendamos um estudo para quantificar os consumidores industriais de Mauá, que vão muito mais além da petroquímica. Eles certamente vão ter interesse em consumir a água de reuso, que poderá ser ou não polida”, conclui o diretor.
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