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As vantagens do sistema MBR explicam o uso difundido em países desenvolvidos. Para potabilização de água em companhias de saneamento, há a possibilidade de se utilizar um décimo da área de uma ETA tradicional, com a possibilidade de gerar lodo mais concentrado e em menor volume, em apenas uma etapa do processo, ao contrário da convencional, que gera em três etapas: na decantação primária e na secundária e ainda nos filtros de areia, complicando a operação de preparação para o descarte. “A estação de MBR só precisa de um gradeamento fino antes e produz uma água de melhor qualidade”, explica Pacheco. Vantagens semelhantes também podem ser consideradas para o reuso de efluentes: menor espaço para as unidades e eficiência operacional. A fábrica que a Zenon pretende montar no Brasil, em terreno já adquirido em Jundiaí, não será para produzir as membranas, tecnologia considerada muito cara e só viável quando a escala local justifica. A unidade brasileira servirá como montadora dos módulos, o que inclui caldeiraria e a montagem com os acessórios demandados, como bombas, válvulas e controles. As membranas, que no caso da ultrafiltração são disponíveis em dois modelos básicos, a ZeeWeed 500 (para reuso e tratamento de esgoto) e a ZeeWeed 1000 (potabilização e pré-tratamento de osmose reversa), continuarão a ser fabricadas na matriz no Canadá e em unidade na Hungria. As membranas da Zenon, é bom lembrar, são de fibra oca, disponibilizadas na forma de “macarrões”, por meio dos quais, por sucção, o efluente passa para ser filtrado. Ainda é caro – O obstáculo maior da atualidade para o desenvolvimento comercial dos sistemas MBR se relaciona com o preço das membranas de ultrafiltração, ainda considerado alto. Há a chance de ele cair anualmente, como ocorreu com as membranas de osmose reversa e como aconteceu em um nível menor com as de ultrafiltração. Mas há também quem duvide dessa tendência. É o caso de Walter Greco Jr, gerente de negócios da Centroprojekt do Brasil, empresa de engenharia de projetos para água e licenciada pela produtora japonesa de membranas Kubota. Apesar de informar que o m2 de membrana tenha passado de US$ 500 para US$ 120 em oito anos, Greco acredita que este valor não deve ser facilmente diminuído. Isso por um motivo decisivo. Ao contrário das membranas de osmose reversa, explica o gerente, as de ultrafiltração não devem ser “comoditizadas”. Por cada um dos fabricantes ter desenvolvido um tipo de design e tecnologia para sua membrana, ao contrário das de osmose, todas elas iguais (com modelos de 4 e 8 polegadas), torna-se difícil para o cliente ratear preço com diversos fornecedores. Depois de adquirido um processo de MBR ou de ultrafiltração, o usuário torna-se dependente da tecnologia. “Os produtores dessas membranas não cometeram o mesmo ‘erro’ dos de osmose”, conclui Greco. Com poucos produtores de membranas de ultrafiltração no mundo (aproximadamente oito), há variações de módulos (submersíveis ou tubulares) e de membranas (fibra oca, placas planas e tubulares). No caso da Kubota, são placas planas, fornecidas em sistema de cassetes, nos quais as membranas são instaladas com espaçamento de 7 mm entre cada uma delas. Elas são fornecidas em módulos com 50, 75 ou 200 placas. A Centroprojekt importa o menor, com 50 placas, que opera para vazões de 2 a 3 m3/h cada.
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