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Os primeiros casos tiveram motivação econômica
e foram de reuso indireto, em que clientes passaram a contar com
água de mananciais muito poluídos, para economizar
com as companhias de saneamento.
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Cuca Jorge |

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| Santos: Bayer vai gastar 30% a menos com água |
Outro exemplo de negócio, nessa primeira fase de interesse, foram
projetos concebidos para seguir uma concepção ambientalmente
correta, em novas unidades fabris, como foi o caso da Vicunha Nordeste,
em Maracanaú, no Ceará.
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Responsável por todo o gerenciamento
de utilidades dessa indústria têxtil, a Geoplan, em um BOT
de dez anos com partida em 2000, construiu cinco estações
de tratamento de água compactas para produzir 150 mil m3/mês
e uma estação de tratamento de efluentes com reuso de efluentes,
com osmose reversa para produzir 50 mil m3/mês. Cerca de 70% dos
rejeitos são recuperados.
Mas se os primeiros casos de reuso na Geoplan eram isolados dentro do
universo de obras da empresa, a tendência notada nos últimos
tempos é a procura passar a ser rotineira. Não por acaso,
no momento, a engenharia da Geoplan se envolve em dois projetos de peso.
O primeiro deles é no complexo industrial da Bayer, em Belford
Roxo-RJ, um BOT de cinco anos para reuso indireto, com valor de R$ 5 milhões,
e que deve entrar em operação no início de abril.
Dependente da água da companhia de saneamento carioca (Cedae),
considerada cara, a Bayer, com a obra da Geoplan, passará a captar
água do poluidíssimo rio Sarapuí – que passa
a jusante da unidade e recebe esgoto in natura da vizinhança –
para tratamento e conseqüente uso industrial. De acordo com o diretor
de operações da Geoplan, a idéia é a Bayer
só comprar água potável da Cedae para consumo humano,
o que significa uma redução de cerca de 80% na compra de
água pública. “O bom é que sobrará água
para a população carente da região, que vez por outra
enfrenta racionamento”, explica.
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A estação construída contempla um tanque para clarifloculação,
uma bateria de filtros (areia, bag e cartucho) e uma unidade de osmose
reversa para reduzir os cloretos da água e permitir seu uso principalmente
nas torres de resfriamento. Serão captados 230 m3/hora do rio e
a unidade produzirá 80 mil m3/mês de água industrial.
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O rejeito salino, livre de impurezas, retornará para
o rio. “A conta da água da Bayer será cerca
de 30% mais barata, mas o maior ganho com certeza é ambiental”,
emendou o diretor comercial da Geoplan, Durval dos Santos.
Reuso na Braskem – O outro projeto em execução
pela Geoplan é na unidade de especialidades de PVC da Braskem,
no bairro da Vila Prudente, em São Paulo. Considerada uma das regiões
de água mais cara do País (adensamento populacional bastante
industrializado encostado ao ABC paulista), o projeto visa deixar de descartar
na rede da Sabesp os efluentes orgânicos que saem dos reatores de
polimerização do PVC. Em fase final de detalhamento, e com
partida prevista para julho de 2006, o reuso permitirá ainda a
diminuição na compra de água da companhia paulista
de saneamento.
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Cuca Jorge |

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| Pacheco: Zenon abre filial no Brasil para vender MBR |
O projeto na Braskem envolve estação com uma nova tecnologia
de membranas denominada MBR (membrane bio-reactor), que conjuga tanque
de tratamento biológico com um skid de membranas submersíveis
de ultrafiltração (ver QD-435, pág. 45). Este sistema
será o polimento da estação de tratamento de efluentes
existente hoje na unidade e que praticamente condicionará a água
para o reuso. Com o MBR, ainda não definido de qual fornecedor,
de maneira compacta, há um processo conjunto que resulta em água
de alta qualidade, livre até mesmo de vírus e bactérias.
Como a necessidade da Braskem é de uma água também
desmineralizada para realimentar seus reatores, a Geoplan ainda instalará
uma unidade de osmose reversa ou de eletrodiálise.
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Como polimento da “desmi”, para reduzir o teor
de sílica, a idéia é manter o atual leito de
resinas de troca iônica que funciona até então
para desmineralizar a água comprada da Sabesp.
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| Fonte: Centrojekt do Brasil |
O contrato de BOT na Braskem, para seis anos, é de R$ 2 milhões
e vai tratar de 4,5 mil a 6 mil m3/mês de efluentes, produzindo
de 3 mil a 3,5 mil m3 de água desmineralizada. Segundo o diretor
Marcelio Da Fonseca, o rejeito salino da osmose reversa continuará
a seguir para a rede da Sabesp. Com o contrato, toda a operação
da estação de tratamento, até a existente convencional
e o leito de resinas, ficará a cargo da Geoplan.
MBR em alta – A solução tecnológica
encontrada pela Geoplan para fazer o reuso na Braskem, o MBR, tem sido
vista como de futuro certo no mundo, com potencial também no Brasil.
Pelo menos é o que confirma o interesse dos principais fornecedores,
já de alguma forma instalados no país, por meio ou de representantes
ou até mesmo montando filial. Neste último caso, chama a
atenção o fato de uma das principais do ramo, a canadense
Zenon, ter aberto subsidiária em Jundiaí-SP em julho de
2005, com projeto de montar fábrica em um período de três
anos na mesma cidade do interior paulista.
A aposta da Zenon em abrir uma filial e contratar profissionais –
depois de atuar por cinco anos de forma bastante tímida no Brasil
por meio de representação comercial em São Paulo
– denota a confiança do grupo de US$ 380 milhões em
expandir o conceito do reuso no Brasil. Afinal de contas, trata-se de
mercado potencial considerável.
| Cuca Jorge |
Há estimativas de que apenas
1% da indústria brasileira conte com sistemas de reuso de água,
enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, cerca de 60% das empresas incluem
algum tipo de tecnologia de recuperação em seus circuitos.
Aliás, de acordo com o diretor comercial da Zenon, Eduardo Pacheco,
engenheiro com passagem por várias empresas do ramo de água
(Degrémont, Perenne), a confiança com o mercado de membranas
é mais no médio e longo prazo.
Isso faz com que a empresa se mantenha de início com
as vendas de sistemas e estações convencionais. |

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| Greco acha difícil cair o preço da ultrafiltração |
Mas a promessa, segundo Pacheco, é o Brasil seguir a tendência
mundial que coloca, dentro do mercado das membranas, as de ultrafiltração
como as de maior projeção de crescimento para os próximos
anos. No caso da Zenon, por exemplo, o crescimento anual de cerca de 25%,
em sua atuação globalizada, se deve principalmente em virtude
da venda de sistemas de ultrafiltração e de MBR, em sistemas
de reuso industrial e para tratamento público de água.
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