REUSO DE ĮGUA
Tarifas em alta incentivam os primeiros projetos na indústria Marcelo Rijo Furtado Mesmo com os obstáculos naturais a uma prática ambiental ainda nova, o reuso de água continua a despertar interesse entre fornecedores e usuários e, de forma lenta, porém constante, começa a gerar os primeiros casos de sucesso na indústria nacional. Se há alguns anos o assunto se limitava ao universo das consultas e estudos técnicos e comerciais, e apenas projetos isolados serviam como referência de aplicação das tecnologias de recuperação, hoje já se torna mais comum encontrar exemplos de reuso. Embora não sejam em grande número, há projetos implantados e em implantação de diferentes tipos. Existem casos do chamado reuso indireto, quando uma água de bacia muito degradada passa a ser captada e tratada para uso industrial, e também do reuso direto, aquele no qual o efluente da empresa é recuperado e reutilizado no processo original ou em aplicações “menos nobres”, como lavagem de pisos e equipamentos ou em reposição de torres de resfriamento. Em comum, os projetos possuem razões antes econômicas do que ambientais. Por sobrevivência comercial, as indústrias buscam garantia de abastecimento desse insumo importante para qualquer setor e com custo em elevação. Nesse sentido é quase consenso, por exemplo, não mais se acreditar cegamente que os recursos hídricos são abundantes no Brasil (o país conta com cerca de 8% da reserva mundial de água doce). Além de se tratar aí de uma “meia-verdade” – visto que a maior disponibilidade de água (80%) se concentra na Região Amazônica, muito distante dos grandes centros populacionais e industriais, onde vivem 95% das pessoas –, essa mentalidade do desperdício, quando confrontada com o custo final da água, tende a perder peso nas decisões dos industriais brasileiros. Uma causa importante do encarecimento se refere à crescente poluição do manancial hídrico. O estado de degradação dos rios faz indústrias que captam água diretamente em cursos de água gastarem muito mais com seus tratamentos físico-químicos. Da mesma forma, mas em um grau muito mais elevado, as companhias de saneamento aumentam gradualmente o consumo de produtos químicos para potabilizar água de represas e rios. De onde se conclui que os novos gastos com tratamento são repassados nas tarifas cobradas às indústrias. E a escalada de preços não pára nessas causas. Se as altas tarifas em muitas regiões do País, sobretudo nas mais industrializadas como São Paulo, influenciam na execução de projetos de economia de água, um outro fator tende a seduzir ainda mais as empresas para o reuso. Depois de muitas idas e vindas, ainda em 2006 entra em vigor o plano nacional de cobrança de água. Aprovado em dezembro de 2005, o plano permite a tributação, pelos Estados ou municípios, sobre a captação de água em rios e aqüíferos e pelo descarte dos efluentes (quando com qualidade inferior à captada) de indústrias e companhias de saneamento. A partir de 2010 estendido também a produtores agrícolas (responsáveis por 65% do consumo da água), a nova tributação, cuja arrecadação se destina aos comitês de bacias hidrográficas, afetará a indústria de todos os modos: a companhia de saneamento repassará na tarifa a nova cobrança sofrida e as indústrias que hoje captam, e não pagam por água de poço ou de rio, passarão a ser taxadas diretamente. O projeto prevê o pagamento máximo de 1 centavo de real (R$ 0,01) por m3 de água captada e valor limite semelhante para o efluente lançado. Pode parecer pouco, mas em grandes volumes de consumo industrial a conta ganha importância.
Nos últimos tempos, porém, a empresa registra um aumento substancial por operações específicas para reuso. Há poucos casos, por enquanto, mas todos eles de grande envergadura. E a tendência, segundo seu diretor de operações, Marcelio Da Fonseca, é o interesse crescer ainda mais, tendo em vista a grande quantidade de consultas e os projetos já executados e em implantação.
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