Esse valor não assusta quem acompanha os crescentes investimentos
feitos na área de pesquisa e desenvolvimento. De acordo com dados
fornecidos por Henrique Toma, professor titular do Instituto de Química
da Universidade de São Paulo, e autor do livro “O mundo nanométrico:
a dimensão do novo século”, levando-se em conta apenas
os recursos oriundos das esferas estatais, as verbas cresceram mundialmente
de US$ 400 milhões em 1997 para US$ 4 bilhões em 2004. O Brasil, embora com verbas modestas, não está fora da nova onda tecnológica. Desde 2001 quatro redes de estudo, coordenadas pelo Ministério de Ciência e Tecnologia e que envolvem 70 institutos de ensino e pesquisa, trabalham em várias frentes e já conseguiram resultados significativos. Esses estudos devem ganhar novo impulso. O governo lançou, no final de agosto, um plano de estímulo ao setor que prevê a aplicação de uma verba de R$ 71 milhões no biênio 2004/5, número que supera em larga escala o investido em anos anteriores. Além disso, várias pesquisas são patrocinadas por empresas privadas. O que é isso? – A nanociência é o estudo e manipulação dos materiais quando reduzidos a partículas cujos tamanhos encontram-se na casa do nanômetro ou milionésimo do milímetro – número cem mil vezes menor do que o diâmetro de um fio de cabelo. Como um átomo, em média, mede de 0,2 a 0,4 nanômetro, uma outra definição pode ser dada para a ciência. Trata-se da capacidade de manipular átomos e moléculas de forma a dar aos materiais propriedades diferentes das que eles apresentam em seu estado natural. Para que a nanociência seja melhor compreendida, Toma exemplifica de que forma diferentes estruturas moleculares podem alterar as características de uma substância. Ele cita o caso da concha do mar e do giz. “Os dois são feitos de carbonato de cálcio, mas a concha tem uma estrutura molecular diferente e é 30 mil vezes mais dura do que o giz. Se o homem conseguir manipular as moléculas de carbonato de cálcio pode obter um giz muito mais resistente do que os existentes hoje”, resume. A idéia de manipular as estruturas atômicas e moleculares não é nova, mas no passado parecia um sonho inatingível. No final dos anos 50, Richard Feynman, vencedor do prêmio Nobel de Física de 1965, fez uma palestra onde pela primeira vez alguém do meio acadêmico mencionou essa possibilidade. Feynman disse que o homem não precisa aceitar os materiais provenientes da natureza como os únicos possíveis no universo, aventando a hipótese de adaptá-los de acordo com as necessidades dos seres humanos. Dos anos 80 para cá, quando surgiram os primeiros microscópios eletrônicos com capacidades de ampliação impressionantes e as nanopartículas começaram a ser produzidas em laboratórios a partir de processos químicos, em especial a síntese de materiais, a profecia do cientista começou a fazer parte do mundo real. Nas últimas duas décadas o avanço nesse campo foi espantoso. Entrou em campo a nanotecnologia, a transformação dos estudos realizados em universidades e institutos científicos em práticas industriais. Vedete – Entre as partículas nanométricas produzidas em laboratórios, o nanotubo de carbono ocupa o papel de grande vedete. Ele nada mais é do que uma folha de grafite de carbono enrolada, com diâmetro médio de um nanômetro. “Conforme essas folhas são enroladas e agrupadas, elas apresentam características excepcionais para as mais diversas aplicações”, explica Marcos Pimenta, professor titular do Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais e diretor do Instituto do Milênio, pólo de excelência de tecnologia ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. O instituto reúne 64 pesquisadores especializados em nanociência.
|
|||
| <<< Anterior | |||