Mais voltada a suprir o mercado interno, a produção brasileira de papel alcançou 8,45 milhões de toneladas em 2004, dos quais 1,75 milhão foi exportado, registrando-se de janeiro a agosto deste ano produção de 5,73 milhões de toneladas, dos quais 1,24 milhão seguindo para as exportações.

“Estamos em busca de um novo modelo, menos concentrado em áreas próprias, hoje em torno de 85%, no qual possam ser percebidos claramente os benefícios decorrentes das atividades florestais e industriais, a começar pela existência nos empreendimentos de 30% de áreas de preservação ambiental, plantios consorciados com milho, feijão, mandioca, e outras culturas, bem como a geração de mais de 100 mil empregos diretos em 450 municípios de 16 estados brasileiros. Mas precisamos vencer o desafio de acrescentar à base atual de plantio cerca de 3 milhões de hectares de eucaliptos até 2020”, afirma Umberto Cinque, presidente da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP).

De um total de mais de 5 milhões de hectares de florestas plantadas no País, 1,5 milhão de hectares correspondem à base florestal do setor de celulose e papel, formada por 1,03 milhão de hectares de florestas de eucalipto (69%), pinus (30%), e outras espécies. Comparando, na China a área de florestas plantadas corresponde a mais de 45 milhões de hectares; na Índia, são 32,5 milhões de hectares; na Rússia, 17,3 milhões de hectares; nos EUA outros 16,2 milhões de hectares, e mais 10,6 milhões de hectares no Japão.

Negócio da China só para chinês – Confirmando o deslocamento da demanda por papéis e cartões de regiões tradicionais para mercados da China, Brasil, Índia e Rússia, Carlos A. Farinha e Silva, vice-presidente da Jaakko Pöyry Tecnologia, grupo internacional de consultoria e engenharia para a indústria de base florestal, calculou que, em 2020, o bloco dos países emergentes será responsável por 28% do consumo global nesse setor.

“Em 2020, a China será um mercado maior que os Estados Unidos para os produtos de celulose e papel. A Índia será tão grande quanto a Alemanha atual, enquanto o Brasil será um mercado equivalente ao da Inglaterra”, prognosticou Farinha.

Segundo ele, as projeções de consumo de fibras, incluindo aparas, no período de 2000 até 2015, variam entre as regiões, com desempenho modesto previsto para a América do Norte, Europa Ocidental e Japão, mas ainda bastante significativo para a Europa Oriental (4,75% ao ano), Ásia, exceto Japão (3,8% a 4,6% ao ano) e América Latina (3,7% ao ano).

Analisada à parte, a parcela da China, no conjunto dos investimentos globais em celulose e papel, cresce significativamente. A importação de matérias-primas fibrosas do gigante asiático, incluindo celulose e aparas, aumentou em cerca de 12,5 milhões de toneladas nos últimos 5 anos. Em celulose, registrou-se aumento de 4 milhões de toneladas, de 2000 até o presente. Em fibras recicladas, o aumento foi de 8,5 milhões de toneladas entre 2000 e 2005.

 

 
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