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Produção nacional sofre os efeitos do real forte Taxa de câmbio favorece a importação de produtos enquanto indústria local entra em reestruturação Marcelo Fairbanks A indústria nacional de válvulas vive um período de reestruturação. Espremidos de um lado pelo ritmo inconstante da demanda doméstica, em eterno ciclo de stop and go, e, de outro, pelo desembarque feroz de produtos chineses, com preço muito favorecido pelo fortalecimento do real frente ao dólar, muitos produtores instalados no Brasil entraram em fase de descapitalização. Sem conseguir bancar os investimentos em atualização tecnológica e, em alguns casos, nem mesmo com o capital de giro, a saída encontrada foi a venda para grupos financeiros ou concorrentes. Além das dificuldades típicas de empresas sob regime de mercado aberto, é preciso considerar que os produtores de bens de capital mecânico em geral começam a enfrentar problemas de sucessão no comando dos negócios. A aposentadoria, ou morte, da geração de fundadores nem sempre encontra herdeiros em condições ou disposição de assumir os negócios, estimulando operações de venda. Raras no País são as tratativas de fusão de companhias, às vezes descritas como “abraço de afogados”. Exemplo recente é a compra da marca, modelos, desenhos e máquinas da IVC pela KSB. Alguns anos antes, a Metalúrgica Nova Americana (MNA) passou ao controle da Lupatech (braço do GP Investimentos), que já possuía a Valmicro. Foi precedida pela compra da marca e acervo da Vice pela Durcon. Ou mesmo a vinda ao Brasil da Flowserve, reunindo a Worcester e a Valtek, entre outras, em fenômeno mais complexo, que une válvulas e bombas. Há ainda muitos boatos sobre outras negociações em andamento, no mesmo sentido. E outros mais sobre a extinção de companhias em situação financeira irrecuperável. Lourenço Righetti Netto, presidente da Câmara Setorial de Válvulas Industriais (CSVI) da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), entende os casos mencionados acima como pontuais, frutos do ciclo de vida natural das empresas familiares. “Ainda é cedo para se dizer que isso é uma tendência do mercado nacional”, avaliou. Apesar disso, ele admite que o número de fabricantes de válvulas industriais no Brasil é desproporcional ao tamanho do mercado. No exterior, segundo comentou, pequenos fabricantes são habitualmente absorvidos pelos grandes. Muito dependente de poucos clientes, o setor aguarda a concretização de negócios já anunciados, porém em espera. “A Petrobrás é de longe o maior cliente da câmara e traçou um gigantesco programa plurianual de investimentos, mas as compras ainda não foram deflagradas”, considerou. O dirigente setorial informou, com base em pesquisa informal com os 44 membros da CSVI, que o volume de negócios e consultas de válvulas está em queda no País há alguns meses, sendo perceptível a queda de faturamento do setor, com ânimo abatido. Para 2006, as apostas dos fabricantes instalados no Brasil residem nos
investimentos em novas usinas de açúcar e álcool
e no desenvolvimento do gás natural. “O setor sucroalcooleiro
está abandonando a postura tradicional e demanda tecnologias mais
avançadas em produtos, buscando mais produtividade e qualidade”,
comentou. Já o gás natural apresenta grande consumo de válvulas
desde os poços até o usuário final.
Segundo explicou, os produtores nacionais enfrentam seus concorrentes em forte desigualdade, pois são onerados excessivamente pela carga tributária nacional e também pelos juros embutidos nos financiamentos.
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