Desmineralização
de įgua

Pesquisa nacional promete expandir uso de membranas

FUNDAÇÃO DA USP TRABALHA PARA NACIONALIZAR
TECNOLOGIA DE MEMBRANAS, INCLUSIVE TENTANDO
CRIAR VERSÕES PARA AS DE MICRO E ULTRAFILTRAÇÃO

Marcelo Furtado

 

O mercado nacional de desmineralização de água, apesar da queda atual no ritmo de investimentos do setor produtivo, conta com iniciativas interessantes em pesquisa e desenvolvimento. E o melhor: não se trata de simples transferência tecnológica, o que normalmente ocorre nesse mercado dominado por grupos internacionais. A pesquisa brasileira, mesmo com seus problemas de sempre (sem apoio governamental e distante da iniciativa privada), está começando a entrar no mundo das membranas, para estudar a sua aplicação no reuso de água e no pré-tratamento da osmose reversa e reduzir seus custos para a realidade local. A iniciativa acontece por conta de uma instituição vinculada à Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) – o Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra). Cuca Jorge

Hespanhol (esq.) crê na viabialidade da pesquisa feita por Priscilla (abaixo): membrana de microfiltração ( no detalhe) já tem concentração ideal do polímero
Coordenado e fundado no início de 2004 pelo professor do departamento de hidráulica da Poli, Ivanildo Espanhol, sob o guarda-chuva da Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica, o Cirra se mostra dinâmico neste seu curto período de existência. Com corpo técnico formado por professores e alunos de mestrado e doutorado, algumas pesquisas promovidas pela instituição prometem inovar o mercado nacional de tratamento de água baseado em separação por membranas. A escolha da tecnologia, aliás, fundamenta a visão do Cirra. 

“As membranas são o futuro do tratamento de água e do reuso”, afirma o professor Ivanildo Espanhol, considerado uma das maiores autoridades acadêmicas do País em engenharia hidráulica.

Cuca Jorge

 
A primeira pesquisa a chamar a atenção, pelo potencial de mercado, é o desenvolvimento de membranas de micro e ultrafiltração, cujo emprego se alastra mundialmente como solução para remover sólidos em suspensão, bactérias e vários micropoluentes, necessidade premente na potabilização de água e no pré-tratamento de osmose reversa.  Cuca Jorge

 

Uma química mestranda de engenharia de materiais da Poli, Priscila Anadão, auxiliada por uma aluna de graduação de Química da USP, Paula Piedade, já chegaram à concentração ideal de polímero (polissulfona, oferecida pela Solvay) para produzir os filmes de microfiltração, com espessura de 0,1 mm, para operar com pressão abaixo de 2 bar e dimensão de poros de 1 a 5 micrômetros. “Em breve entraremos na fase de ensaio de desempenho”, afirmou Priscila, que conta, além do apoio do Cirra, apenas com recursos da bolsa de mestrado.

 

 
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