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Rhodia muda o comando na AL

Desde 1º de novembro, Marcos De Marchi assumiu a presidência da Rhodia América Latina em substituição a Walter Cirillo que se aposentou. A região faturou em 2004 o total de US$ 896 milhões, equivalentes a 13% do faturamento total do grupo. Para 2005, a previsão de vendas regionais ultrapassa a marca de US$ 1 bilhão, 90% obtidas no Brasil. De Marchi acumula a nova função com o cargo anterior, de vice-presidente da Rhodia Poliamida América do Sul.

A aposentadoria encerra a longa carreira de Cirillo na Rhodia, na qual ingressou em junho de 1966 na área de recursos humanos das unidades de Santo André e São Paulo. Trabalhou depois em Paulínia-SP, onde também respondeu pela área de logística e compras. Cuca Jorge

de marchi(esq.assume a cadeira de Cirilio,que se aposenta

Em 1981, tornou-se controller da divisão química, função acumulada com planejamento estratégico a partir de 1984 e estendida para toda a companhia. Assumiu a diretoria da divisão química em 1992, a qual deixou para tornar-se diretor-geral da Rhodia-Ster S.A., na qual permaneceu até 2000, ao tornar-se presidente da Rhodia América Latina. Entre 2003 e 2005, integrou o conselho de administração mundial da Rhodia. Cirillo preside o conselho de administração do Instituto Universidade e Empresa (Uniemp), voltado à aproximação entre a academia e a produção.

Cirillo comandou a reestruturação da companhia na América do Sul, efetuada a partir de 2000, ao fim da qual restou fortalecida a cadeia produtiva de poliamidas, no caso brasileiro apoiada por cadeia produtiva integrada e eficiente. Do faturamento de 2004, os negócios com poliamidas representaram 24%, percentual igual ao de solventes e adesivos, ambos só superados pela venda de intermediários da própria cadeia (fenol e derivados), com 27%.

Importante ressaltar que a Rhodia brasileira, com 86 anos de atuação, só apresentou prejuízo em um único exercício fiscal: 1990, por conta da abertura comercial brusca promovida no Plano Collor. Em âmbito mundial, a companhia passou por situação financeira difícil que culminou em 2003 com uma agressiva reestruturação. “Foi desenvolvido um plano de ação que envolveu a renegociação das dívidas, cujo prazo foi alongado até 2011, a venda de ativos no valor de um bilhão de euros, o aporte de capital de 400 milhões de euros por parte dos acionistas, e a redução de custos fixos, com corte de pessoal na Europa”, explicou Cirillo.

Essa medidas reverteram a situação da companhia química, que já espera lucros no próximo exercício, após a devida indenização dos demitidos. “Ainda falta definir o plano estratégico de negócios, cujos trabalhos devem ser concluídos até o primeiro semestre de 2006”, informou.

Herança bendita – De Marchi ingressou na Rhodia há vinte e seis anos, como trainee. Então recém-formado engenheiro mecânico têxtil pela FEI, ele passou por várias áreas de negócios ligadas a fibras e polímeros da companhia, contando um período de dois anos em pesquisa e desenvolvimento na Rhodia AG, em Freiburg, Alemanha. Entre 2001 e 2003 foi vice-presidente da Rhodia Technical Fibers, na Suíça, responsável pela estratégia mundial desse negócio.

Ele assume a presidência da Rhodia América Latina aos 49 anos agradecendo ao antecessor pela solidez e dinamismo da empresa. A esta também agradeceu pelas oportunidades de desenvolvimento profissional, mencionando ter participado do programa em gestão avançada desenvolvido pela Fundação Dom Cabral e Insead (França).

De Marchi informou que a região América Latina é uma das maiores apostas da companhia para aumentar suas vendas, ao lado da Ásia. Ele justificou o entusiasmo por vários fatores, entre os quais se destacam o parque fabril competitivo e moderno, a integração lógica da cadeia produtiva, tanto no cumeno, quanto no etanol, a capacidade de pesquisa e desenvolvimento local, proximidade com clientes, investimentos constantes e possibilidade de incrementar exportações intra-regionais.

“Quase 20% do faturamento é obtido com produtos com menos de cinco anos de vida, demonstrando a forte capacidade de inovação”, afirmou o novo presidente. Para 2010, a meta é obter 25% do faturamento com produtos que sequer foram lançados em 2005. A possibilidade de negócios na região também é explicada, pelo fato de a Rhodia atender a 50% do mercado de poliamida no Brasil, mas apenas a 6% da América Latina. A empresa já vende US$ 40 milhões em produtos têxteis, fibras e sílicas para o México, com potencial de crescimento. “A exportação já é o destino de 25% da nossa produção”, disse.

O programa de investimentos para os próximos anos deverá manter a média anual entre US$ 30 milhões e US$ 40 milhões, mantida entre 2000 e 2005. A produção de fenol se aproxima de 185 mil t/ano em Paulínia-SP e já está pronto um projeto para desengargalar a unidade, chegando a 220 mil t/ano. “Dependemos dos investimentos da Unipar para aumentar a oferta de cumeno”, comentou.

No campo das poliamidas, De Marchi salientou o fato de a fibra têxtil ser considerada uma especialidade, com menos de 10% de todas as fibras negociadas no mundo. Nesse campo a influência de produtos chineses de baixo preço é muito menor do que no poliéster, por exemplo. Mesmo assim, há preocupações de sobra, pois o impacto do custo do petróleo no produto final é elevado. “A cada US$ 20 de aumento do preço do barril de petróleo há um impacto de US$ 120 por tonelada de poliamida, apenas considerando o conteúdo energético”, disse.

Desponta na cadeia produtiva o crescimento dos plásticos de engenharia, com média de 15% ao ano. “E deve crescer ainda mais, pois ainda estamos na fase de aprendizado para substituir mais metais nos automóveis e eletrodomésticos”, explicou. As poliamidas são mais leves e mais facilmente moldáveis que os metais, sendo resistentes a altas temperaturas e não propagadoras de chamas. 

M. Fairbanks

 

 
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