A concorrência determinava soluções on-site (dentro da refinaria, mas com necessidade de remoção para tratamento) pelo motivo óbvio de o custo ser muito alto no caso de se transportar a grande quantidade de terra contaminada para tratamento fora da unidade.


Com a premissa, três empresas se qualificaram para a concorrência: Onyx/Resicontrol, Essencis e TSL Engenharia Ambiental

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Tubulação leva os compostos voláteis para termoxidamente

Esta última foi a escolhida e, em 2002, importou um forno de tecnologia norte-americana e holandesa para iniciar o tratamento na Bahia em conjunto com as biopilhas. A estratégia foi direcionar para a dessorção térmica as terras com maior teor de TPH (total hydrocarbon petroleum) e os de menor teor para as biopilhas.

Com temperatura de operação oscilando entre 300ºC e 600ºC, abaixo dos 800ºC da praticada pelos incineradores normais, a dessorção térmica é ideal para destruição de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs) e hidrocarbonetos do petróleo em geral. Aliás, na Bahia, são para esses contaminantes que o forno móvel opera a uma temperatura média de 500ºC, podendo ser deslocado para outro serviço após o término do trabalho.

O fluxograma de processo do forno começa pelo silo de alimentação, por onde são despejados os solos contaminados. Daí seguem para a peneira vibratória de modo a diminuir a granulometria. A partir desta etapa, o solo entra no forno rotativo, onde os voláteis resultantes da queima dos hidrocarbonetos vão por tubulação até um filtro de mangas, para separação de partículas menores, e os gases restantes para um after-burner (incinerador de gases), para destruição final.

Uma das importâncias de uso da dessorção térmica, segundo explica a engenheira da TSL, Elaine Teruya, é a possibilidade de recuperar a terra contaminada de volta para a área da “Farofa” para reaterrar o local. A temperatura empregada na dessorção (o inverso da adsorção, a adesão molecular de gases ou matérias em corpos sólidos) não é suficiente para alterar as propriedades físicas da terra e para gerar cinzas, como ocorre na incineração convencional. Ela serve “apenas” para promover a volatilização e a seguinte destruição dos contaminantes do solo.

Incinerando odores – O mercado de tecnologias ambientais no Brasil é guiado por necessidades. Não adianta muito, nessa área, oferecer aos clientes soluções de última geração quando não há demanda para absorvê-las. O contrário, porém, ocorre com freqüência. Além de a dessorção térmica ter sido introduzida no país para atender uma solicitação específica da Petrobrás, uma outra tecnologia térmica, a de termoxidação de gases, também foi recentemente internada para suprir uma demanda pontual. Sorte do restante do mercado, aliás, ocorrer essas movimentações. As primeiras experiências servem como piloto para várias outras aplicações.

O mais provável é passar por purificação para uso industrial, visto a gerada pelo plasma contar com alto teor de óleo e menor grau de pureza em comparação às produzidas pela Petrobrás

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Reator piloto de plasma térmico da TSL: sem resíduos

 

O caso dos equipamentos de termoxidação, ou thermal oxidisers no original, ocorreu como resposta a uma orientação do órgão de controle ambiental paulista, a Cetesb. Equipamento utilizado para incinerar compostos orgânicos voláteis, o primeiro instalado no Brasil, na Cray Valley, produtora de resinas termofixas, de Taboão da Serra-SP, foi fruto de entendimento entre a empresa e a Cetesb. “Chegamos à conclusão, depois de pesquisar na experiência internacional, de que se tratava da única alternativa tecnológica para acabar com o odor forte da produção, que atinge o ambiente de fábrica e a vizinhança”, explicou o diretor industrial da Cray Valley, Josimar Moreira César.

A produção de resinas de poliéster insaturado gera os chamados VOCs (volatile organic compounds), oriundos de subprodutos da manipulação de solventes glicóis, anidridos maléico e ftálico, e do estireno. No caso da Cray Valley, de há muito gerava também reclamações da vizinhança, desde quando a unidade ainda pertencia ao grupo nacional Ramires, antes de ser vendida em 1997 para o grupo francês controlador. Em um raio de 1 km da fábrica, havia reflexo dos odores emanados pela produção das resinas.
Depois de testes com lavadores de gases, tratamentos biológicos e químicos, a definição pelo termoxidante tornou-se a opção mais recomendada, inclusive ao se comparar com o feito por subsidiárias internacionais da Cray Valley. “Mesmo sem referência no país, lá fora este conceito é consagrado”, completa Moreira César. Embora o Brasil também não tenha legislação pertinente, a recomendação seguiu os padrões do socialmente aceitável, o que significa livrar o local do odor desagradável.

Disputa internacional – Com a inexperiência brasileira no assunto, a saída para a Cray Valley foi lançar uma concorrência internacional em 2004. Participaram duas empresas alemãs (Steuller e Envirotec) e uma norte-americana (Epcon). A vencedora foi a Envirotec, que além de ter ofertado um equipamento de melhor custo, também era o mais apropriado para o tipo de produção e contava com parceira nacional para a obra, a empresa Prima Engenharia.

Instalado desde maio de 2005, e fruto de investimento de R$ 1,45 milhão, o sistema é denominado RTO (regenerative thermal oxidiser). Concebido por três leitos cerâmicos e um queimador central, encontra-se em um platô dentro da fábrica que recebe por tubulação as emissões vindas de 40 pontos de exaustão, situados nas áreas de processo de reação, na tancagem de matérias-primas e nos tanques de efluentes industriais. A capacidade de sucção do exaustor do RTO é de 5 mil Nm3/hora. Dimensionado para tratar 1,5 kg/h de VOC, o equipamento atualmente trabalha com 50% da capacidade. “Temos boa folga para ampliações, que não devem ocorrer em breve em virtude da baixa do mercado de poliéster”, diz Moreira.

A concepção em três leitos deu origem ao termo regenerativo do equipamento. Isso porque os gases entram por um leito, antes de passar pelo queimador central que opera a 800ºC, e daí saem por um segundo. Este ciclo dura 60 segundos, ao término do qual o primeiro leito é automaticamente fechado, para começar um novo ciclo em que o segundo leito, já pré-aquecido, recebe os gases para tratamento, enquanto o terceiro se abre para a saída dos tratados. Essa engenharia, que aproveita de forma cíclica o calor pós-combustão, permite um ganho de energia considerável, pois os gases antes de passar pelo queimador central já circularam pelo leito pré-aquecido na faixa de 750ºC.

Uma outra alternativa, não aceita pela Cray Valley, e denominada termoxidação recuperativa, seria aproveitar o gás tratado para uso como vapor para a fábrica. “Não consumimos muito vapor no processo”, lembrou Moreira.

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Josimar: a única solução era queimar os gases

A obra na Cray Valley é apenas a primeira de muitas que deverão vir daqui para frente. Isso porque demais produtoras de poliéster também recorrerão à tecnologia, em entendimentos semelhantes ao ocorrido em Taboão da Serra. Uma outra empresa da área, a Reichhold, já anunciou que instalará um thermal oxidiser até o final do ano em sua unidade de Mogi das Cruzes-SP. Aliás, a tendência pode ser seguida até por empresas de outras áreas, interessadas na eficiência de 99,9% de destruição de VOCs por esses sistemas. É o caso da Firmenich, de Cotia-SP, produtor de aromas que instalou um equipamento recuperativo, cujos gases tratados são empregados para geração de vapor.n

Empresa gaúcha vende reciclagem energética

Entre as variações sobre o tema incineração, uma com promessa de chamar a atenção é a da reciclagem térmica de resíduos perigosos. Trata-se de modalidade de reaproveitamento do potencial energético da queima do lixo industrial para geração de eletricidade por meio de caldeiras de recuperação e turbinas. Já empregada em profusão no exterior, tanto em lixo doméstico como no industrial, a reciclagem térmica começa a despertar interesse no Brasil.

Foi para atender esse interesse que a empresa Luftech, de Alvorada, na região metropolitana de Porto Alegre-RS, firmou parceria com a coreana Yosan Eng. para constituir a URI Soluções Ambientais. A idéia é passar a fornecer usinas de incineração de grande porte, com capacidade de geração de 5 MW para cada 100 t/dia de resíduos, em uma faixa de atuação de queima de 10 t a 200 t/dia de vários tipos de resíduos, inclusive os mais perigosos, contaminados por metais pesados ou organoclorados. “Para isso, basta investir um pouco mais em controle atmosférico”, afirmou o gerente de projetos da Luftech, Manuel Strauch.

Segundo ele, a URI já vendeu três projetos de co-geração, dois no Sul e um na região Norte do país, com valores de R$ 20 milhões a R$ 25 milhões, e capacidades entre 150 t a 200 t/dia. Apesar do valor nada desprezível, segundo o gerente a obra se paga rápido. E isso por três motivos: além dos ganhos com a geração de energia (para consumo próprio ou venda a terceiros) e com a economia na destinação dos resíduos, os projetos de reciclagem energética estão incluídos no Protocolo de Kyoto como geradores de crédito de carbono, mecanismo incentivador de projetos que reduzam o lançamento ou captação de gases do efeito estufa por meio da venda de créditos a países desenvolvidos.

“O Protocolo entende que há uma dupla redução: o dióxido de carbono gerado na queima passa a gerar energia elétrica e, por sua vez, ajuda a reduzir o consumo de energia hidrelétrica, geradora de metano, e da termoelétrica, do dióxido de carbono e enxofre”, completa Strauch. Mais um ponto a favor da incineração inteligente.


 
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