Essa reciclagem, segundo a engenheira ambiental da TSL, Elaine Teruya,
compreende duas etapas simultâneas de separação de
fases ocorrida nos resíduos das embalagens com alumínio
e plástico, previamente limpas para evitar traços restantes
de papel kraft no forno. O polietileno, em contato com a energia do plasma
no reator, volatiliza e sai por tubulação do forno em direção
a uma bateria de condensadores. Nesses equipamentos, os compostos orgânicos
voláteis se transformam em parafina líquida, que se solidifica
em contato com o ar ambiente. Já o alumínio, no mesmo tempo
de contato com o plasma, se liquidifica e sai direto para lingoteiras,
para se tornar lingotes de alumínio reaproveitáveis.
De acordo com estimativa da TSL, para cada tonelada de material seco
introduzido no forno, seus 800 kg/h de polietileno geram 800 kg/h de parafina
e as 200 kg/h de folha de alumínio geram outros 200 kg/h de lingotes.
O planejado, segundo Elaine, são os lingotes seguirem para a fornecedora
original das folhas de alumínio da embalagem cartonada, a Alcoa,
também sócia do empreendimento. Já o destino da parafina
ainda está para ser definido. .
Embora inaugurada oficialmente em maio de 2005, a unidade de Piracicaba (denominada EET, Edging Environmental Technology) ainda está em comissionamento, devendo dar a partida até o final do ano, em condições de processar as embalagens 24 horas por dia. Além do forno, a unidade conta com tanques de pré-lavagem e de separação das fibras de papel ainda contidas nos resíduos vindos da Klabin. “Eles ainda vêm com cerca de 15% das fibras e precisamos reduzi-las para no máximo 1%, para evitar contaminação no reator”, explica Elaine Teruya. Outra precaução da unidade é contar com filtro de carvão ativado e faiscador elétrico, para controle atmosférico. “Trata-se de um cuidado a mais, porque o processo não gera poluentes”, completa a engenheira. Os equipamentos são para casos raros de escape de metano, que por ser gás muito leve algumas vezes escapa do controle e não condensa. Além do metano, ocorre também a geração apenas de um pouco de vapor de água e dióxido de carbono. Sem emissões e resíduos – A questão
das emissões é uma das grandes vantagens do plasma térmico.
Isso se deve principalmente ao fato de ele não ser um processo
de combustão, ao contrário dos incineradores e dos fornos
de cimento. Por não precisar de comburente (oxigênio), nem
combustível e ignição, as emissões atmosféricas
são em volumes muito baixos e contendo apenas metano (CH4) ou hidrogênio,
facilmente controlados. Além disso, também em virtude de
não demandar oxigênio, o plasma pode até destruir
organoclorados sem o perigo de formar dioxinas e furanos. Isso porque
esses poluentes perigosos são formados apenas na presença
de cloro e oxigênio, fato aliás que ocorre nos processos
térmicos convencionais. A ausência de emissões não significa que, apenas
por isso, o plasma térmico seja melhor se comparado a incineradores
e fornos de cimento. Apesar de representar uma vantagem respeitável,
ela em si não é o seu principal qualificador. Isso porque
não custa lembrar que tanto incineradores como fornos de cimento
possuem à disposição uma infinidade de equipamentos
e sistemas para controle de emissões, inclusive para dioxinas.
Mas, pelo fato de o forno de plasma não demandar os altíssimos
investimentos para o controle atmosférico, aí sim a vantagem
passa a ser inquestionável.
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